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'HUMANIZAR A REPORTAGEM'

"Al-Jazeera, Meu Amor" é o livro amanhã em destaque no Grande Auditório da Feira do Livro de Lisboa, onde, pelas 19h00, acontece a sessão de autógrafos com o autor: Joel Neto, escritor e jornalista.

02 de junho de 2003 às 00:00

Obra de jornalistas, começa por aquele que a escreveu e aqueles que com ele a viveram. Prossegue com José Manuel Barata-Feyo que a apresenta em substitutição de Carlos Fino, no Brasil. E, a concluir, João Marcelino, director do CM, que lhe assina o prefácio.

Joel Neto, o autor deste livro, que decorre entre a Cimeira dos Açores e a tomada de Bagdad, é também nosso companheiro de redacção. Foi ver como se faz uma guerra. Não viu. Foi ouvir todos os sons que cabem numa guerra. Não ouviu. Voltou com histórias de gente em paz com a guerra, o que o deixou a ele, um pouco mais, em paz com a vida.

"Amo a vida mais do que tudo e o medo - nunca é de mais dizê-lo - é o nosso maior aliado quando queremos manter-nos vivos", escreve.

A solidão fez o resto: "Este ambiente de estás-na-guerra-mas- -não-estás, esta limitação geográfica, este conformismo jornalístico que nos amolece, que nos deixa com saudades de casa (...) a verdade é que estamos no Qatar, a centenas de quilómetros das bombas".

Tudo se confunde e reavalia quando "estás-na-guerra-mas- -não-estás": do primado da vida à avidez da acção, da impaciência da espera à alternativa possível... "Fui destacado para o Golfo. É suposto tentar subir no mapa mas para já o meu destino é Doha, no Qatar, junto ao comando Central da Coligação e a centenas de quilómetros do conflito. (...) Humanizar a reportagem - é esse o meu desafio. Contando o que eu vejo e deixando a síntese noticiosa a cargo dos editores em Lisboa".

No terreno nada é real, nada está certo. Certa e real só a consciência da manipulação: "Nenhuma guerra antes desta havia colocado os repórteres tão no centro da acção". Mais: "Antigamente, dizem-me, éramos figurantes. Hoje, sei-o, somos actores secundários. Um dia, se calhar, seremos actores principais. E estou em crer que daí não virá nenhum bem ao Mundo".

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