Novos documentos do caso revelarem trocas de e-mails comprometedoras.
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Peter Mandelson renunciou, no domingo, à sua filiação no Partido Trabalhista do Reino Unido, na sequência da divulgação de novos documentos relacionados com o caso Jeffrey Epstein, que voltam a ligar o ex-ministro britânico ao abusador sexual norte-americano.
Na carta de demissão, citada pela BBC, o membro da Câmara dos Lordes explicou que tomou esta decisão para não "causar mais constrangimentos" ao partido atualmente no Governo, liderado por Keir Starmer, face às revelações sobre a sua relação com Epstein.
Mandelson já tinha sido afastado, no ano passado, do cargo de embaixador do Reino Unido nos Estados Unidos, depois de se tornar pública a sua proximidade com o financista, incluindo uma carta na qual se referia a Epstein como o seu "melhor amigo".
Os documentos mais recentes, divulgados na sexta-feira pelo Departamento de Justiça dos EUA, incluem trocas de e-mails entre Mandelson e Epstein, datadas de 2009 — já depois de o norte-americano ter sido condenado por prostituição de menores. Numa das mensagens, o ex-ministro pede para ficar hospedado numa das propriedades de Epstein. Noutra surge uma alegada tentativa de interferência numa proposta legislativa britânica sobre a tributação de bónus a banqueiros, a pedido do próprio Epstein.
Os ficheiros agora tornados públicos referem ainda transferências financeiras feitas por Epstein entre 2003 e 2004, no valor total de cerca de 75 mil dólares (cerca de 63 mil euros), repartidas por três pagamentos. Mandelson afirma não ter qualquer "recordação" desses montantes, garantindo que acredita tratar-se de informação falsa e assegura que irá investigar as alegações.
Na carta dirigida ao secretário-geral do partido, o ex-ministro declarou sentir-se "arrependido e triste" por voltar a ser associado ao caso Epstein, aproveitando ainda para pedir desculpa às "mulheres e raparigas cujas vozes deveriam ter sido ouvidas há muito tempo". Mandelson lamenta "ter conhecido Epstein" e mantido relação com o abusador sexual, mesmo depois deste ter sido preso.
Paralelamente, os documentos divulgados incluem referências à princesa herdeira da Noruega, Mette-Marit, que também manteve contacto com Jeffrey Epstein. Numa declaração citada pela imprensa britânica, a princesa admitiu "falta de discernimento" e disse lamentar profundamente qualquer ligação ao abusador sexual.
A revelação surge numa altura particularmente delicada para a família real norueguesa, uma vez que o julgamento do filho da princesa, Marius Borg Høiby, tem início esta terça-feira. O jovem enfrenta 32 acusações, incluindo quatro por violação, além de crimes relacionados com violência doméstica e captação de imagens sem consentimento.
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