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Chris Brown condenado a pagar 11 milhões de euros após ataque de cão deixar empregada desfigurada

Cantor norte-americano abandonou o local do acidente, antes da chegada das autoridades, em vez de prestar assistência ou contactar serviços de emergência.

01 de julho de 2026 às 12:11

O cantor norte-americano Chris Brown foi considerado culpado por um ataque de um cão que deixou a sua empregada doméstica gravemente ferida e desfigurada. Hades, um pastor-do-cáucaso com cerca de 90 quilos, atacou a funcionária enquanto esta despejava o lixo na propriedade do artista em Tarzana, no estado da Califórnia, em 2020.

A vítima sofreu ferimentos graves, tendo perdido grandes porções de pele, o que lhe provocou uma desfiguração permanente do rosto, cicatrizes, perda parcial de visão e lesões nervosas. Maria Avila contou em tribunal que foi submetida a várias intervenções cirúrgicas, incluindo a extração de enxertos de pele retirados do abdómen para reconstruir o braço esquerdo. As sequelas impediram-na de regressar ao trabalho como empregada doméstica devido à perda de força no braço e ao stress pós-traumático, que a impede de estar perto de cães.

A decisão foi tomada por um júri de Los Angeles, após um julgamento que decorreu durante duas semanas. Chris Brown e a empresa do cantor Black Pyramid LLC (entidade empregadora das funcionárias) foram condenados a pagar 12,9 milhões de dólares (cerca de 11 milhões de euros) à empregada Maria Avila, por negligência.

Testemunhos apresentados em tribunal indicaram que, após o ataque, Chris Brown abandonou o local em vez de prestar assistência ou contactar os serviços de emergência, deixando a responsabilidade para os seus funcionários. O artista justificou a decisão com o receio de provocar um "circo mediático" caso a sua presença fosse associada à chamada para o 911 (número de emergência norte-americano) ou à chegada da polícia. Durante o julgamento, o cantor defendeu que o animal era utilizado exclusivamente para fins de segurança e que não era um animal de estimação pessoal.

Em tribunal, o cantor afirmou que estava prestes a tomar banho quando ouviu o cão rosnar e encontrou Maria Avila imóvel e coberta de sangue. "O sangue assustou-me", afirmou, acrescentando que ficou em estado de choque e seguiu o conselho do seu agente para abandonar o local antes da chegada das autoridades.

Antes do início do julgamento, Chris Brown admitiu alguma responsabilidade pelo incidente, mas contestou a gravidade das lesões sofridas pela empregada e alegou que esta teve parte da culpa. O cantor afirmou ainda que tinha avisado as duas irmãs que trabalhavam na casa de que os cães "não eram, de todo, amigáveis" e que apenas deveriam sair para o exterior quando os seguranças estivessem presentes. As funcionárias negaram que essa conversa tivesse ocorrido, referindo ainda que a barreira linguística tornaria essa comunicação pouco provável.

O tribunal atribui ainda uma indemnização de 885 mil dólares (cerca de 777 mil euros) à irmã de Maria, Patrícia Avila, que também se encontrava a trabalhar na residência no momento do ataque. O marido de Maria Avila recebeu também uma compensação de 50 mil dólares (aproximadamente 44 mil euros).

Chris Brown já foi condenado em duas ocasiões por crimes de agressão: a primeira em 2009, após declarar-se culpado por agredir a cantora Rihanna, e a segunda em 2014, devido a uma briga à porta de um hotel em Washington D.C..

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