No relatório, surgem várias áreas com avaliação "preocupante", entre as quais obras de requalificação de museus e teatros.
O Património Cultural -- Instituto Público indicou esta sexta-feira que a execução das obras financiadas pelo Plano de Recuperação e Resiliência registou uma "evolução muito positiva" no último ano, com 230 milhões de euros já adjudicados, equivalente a 96% do investimento previsto.
O andamento da requalificação do património cultural no âmbito do Plano de Recuperação e Resiliência (PRR) foi divulgado à agência Lusa em resposta a perguntas sobre o relatório da Comissão Nacional de Acompanhamento (CNA), divulgado no final de abril, contendo um conjunto de recomendações para esta área.
No relatório, surgem várias áreas com avaliação "preocupante", entre as quais obras de requalificação de museus e teatros.
Na resposta sobre este alerta da comissão, o Património Cultural -- Instituto Público (PC-IP) salientou que a CNA do PRR retirou recentemente esta área do nível "Crítico", passando a classificá-la como "Preocupante", "o que confirma a evolução muito positiva" registada "desde há um ano".
Aquele organismo do Ministério da Cultura, responsável pela gestão e acompanhamento técnico de 88 obras em curso, alvo de intervenções de requalificação ao abrigo do PRR, recorda que, "a 31 de maio de 2024 estavam adjudicados 30 milhões de euros, e atualmente estão 230 milhões", significando 96% do valor total de 243.220.517,94 euros.
Entre os equipamentos culturais encerrados para obras estão o Museu Nacional de Arqueologia - desde abril de 2022, cujas obras de grande dimensão envolvem duas fases, com restauro e reabilitação do edificado para duplicar a área expositiva -, o Museu Rainha D. Leonor, em Beja (encerrado desde 2023), o Museu de Lamego (desde maio de 2025), o Museu Nacional de Arte Antiga (29 de setembro de 2025), o Museu Nacional do Azulejo e o Museu Nacional do Teatro e da Dança, na capital (novembro de 2025), e a Torre de Belém (abril de 2025).
Ainda sobre o nível intermédio "Preocupante", agora atribuído, o IP-PC justifica que se "prende com a por todos reconhecida complexidade própria de obras de reabilitação e restauro na área do património cultural, a par de outros fatores particulares que a CNA do PRR reiteradamente assinala nos seus relatórios".
O elevado número de obras sob gestão - 88 operações com mais de 150 empreitadas -, a dispersão, por todo o território nacional, de intervenções que exigem empresas de prestação de serviços especializados, concursos desertos, a inflação e a escassez de mão-de-obra, além da multiplicidade de intervenientes, tutelas e "donos de obra", entre entidades públicas, privadas, Comissões de Coordenação e Desenvolvimento Regional (CCDR) e municípios, são os motivos que contribuem para a demora dos processos, segundo o PC-IP.
Quando faltam quatro meses para o fim das obras físicas, em 31 de agosto, "as equipas do Fundo de Salvaguarda do Património Cultural e do Património Cultural, I.P. prosseguem o seu trabalho com toda a dedicação fazendo o acompanhamento dos mais de 600 procedimentos de contratação pública que avançam em todo o país no quadro de execução do investimento".
O PC-IP é também beneficiário final de 33 operações, correspondentes a 32 equipamentos intervencionados, diferença explicada pelo facto de a Fortaleza de Sagres ser alvo de duas operações, uma dedicada às muralhas e outra ao centro de acolhimento de visitantes.
Este organismo do Ministério da Cultura diz "manter a confiança na concretização das metas definidas: execução a 100 por cento do valor consignado a esta medida: 243.220.517,94 euros".
No último relatório, a CNA do PRR fala em "substituição de beneficiários devido a falhas graves no planeamento inicial e demora na elaboração de projetos tecnicamente adequados".
Aponta ainda "falta de capacidade técnica e aumento dos custos que levaram a uma redução da ambição das intervenções, que agora se focam apenas em problemas estruturais urgentes sem beneficiar áreas de visitação pública".
"A reorganização institucional na área da cultura e a dispersão de competências entre diversas entidades criaram um desalinhamento na governação que gerou constrangimentos operacionais e atrasos significativos na tomada de decisão", é notado no relatório.
A CNA recomenda que a tutela e o beneficiário da obra reforcem o acompanhamento técnico, dando prioridade às intervenções críticas e estruturantes.
Sugere ainda a clarificação das responsabilidades institucionais entre tutela, Património Cultural, municípios, CCDR e demais entidades envolvidas, "de modo a reduzir bloqueios decisórios, sobreposição de competências e atrasos administrativos".
Também aconselha que seja assegurada, no final, "uma prestação pública de contas sobre as alterações introduzidas ao portefólio inicial, identificando quais as obras efetivamente concluídas, as que foram reformuladas, faseadas ou substituídas".
Tem sugestões ou notícias para partilhar com o CM?
Envie para geral@cmjornal.pt
o que achou desta notícia?
concordam consigo
A redação do CM irá fazer uma avaliação e remover o comentário caso não respeite as Regras desta Comunidade.
O seu comentário contem palavras ou expressões que não cumprem as regras definidas para este espaço. Por favor reescreva o seu comentário.
O CM relembra a proibição de comentários de cariz obsceno, ofensivo, difamatório gerador de responsabilidade civil ou de comentários com conteúdo comercial.
O Correio da Manhã incentiva todos os Leitores a interagirem através de comentários às notícias publicadas no seu site, de uma maneira respeitadora com o cumprimento dos princípios legais e constitucionais. Assim são totalmente ilegítimos comentários de cariz ofensivo e indevidos/inadequados. Promovemos o pluralismo, a ética, a independência, a liberdade, a democracia, a coragem, a inquietude e a proximidade.
Ao comentar, o Leitor está a declarar que é o único e exclusivo titular dos direitos associados a esse conteúdo, e como tal é o único e exclusivo responsável por esses mesmos conteúdos, e que autoriza expressamente o Correio da Manhã a difundir o referido conteúdo, para todos e em quaisquer suportes ou formatos actualmente existentes ou que venham a existir.
O propósito da Política de Comentários do Correio da Manhã é apoiar o leitor, oferecendo uma plataforma de debate, seguindo as seguintes regras:
Recomendações:
- Os comentários não são uma carta. Não devem ser utilizadas cortesias nem agradecimentos;
Sanções:
- Se algum leitor não respeitar as regras referidas anteriormente (pontos 1 a 11), está automaticamente sujeito às seguintes sanções:
- O Correio da Manhã tem o direito de bloquear ou remover a conta de qualquer utilizador, ou qualquer comentário, a seu exclusivo critério, sempre que este viole, de algum modo, as regras previstas na presente Política de Comentários do Correio da Manhã, a Lei, a Constituição da República Portuguesa, ou que destabilize a comunidade;
- A existência de uma assinatura não justifica nem serve de fundamento para a quebra de alguma regra prevista na presente Política de Comentários do Correio da Manhã, da Lei ou da Constituição da República Portuguesa, seguindo a sanção referida no ponto anterior;
- O Correio da Manhã reserva-se na disponibilidade de monitorizar ou pré-visualizar os comentários antes de serem publicados.
Se surgir alguma dúvida não hesite a contactar-nos internetgeral@medialivre.pt ou para 210 494 000
O Correio da Manhã oferece nos seus artigos um espaço de comentário, que considera essencial para reflexão, debate e livre veiculação de opiniões e ideias e apela aos Leitores que sigam as regras básicas de uma convivência sã e de respeito pelos outros, promovendo um ambiente de respeito e fair-play.
Só após a atenta leitura das regras abaixo e posterior aceitação expressa será possível efectuar comentários às notícias publicados no Correio da Manhã.
A possibilidade de efetuar comentários neste espaço está limitada a Leitores registados e Leitores assinantes do Correio da Manhã Premium (“Leitor”).
Ao comentar, o Leitor está a declarar que é o único e exclusivo titular dos direitos associados a esse conteúdo, e como tal é o único e exclusivo responsável por esses mesmos conteúdos, e que autoriza o Correio da Manhã a difundir o referido conteúdo, para todos e em quaisquer suportes disponíveis.
O Leitor permanecerá o proprietário dos conteúdos que submeta ao Correio da Manhã e ao enviar tais conteúdos concede ao Correio da Manhã uma licença, gratuita, irrevogável, transmissível, exclusiva e perpétua para a utilização dos referidos conteúdos, em qualquer suporte ou formato atualmente existente no mercado ou que venha a surgir.
O Leitor obriga-se a garantir que os conteúdos que submete nos espaços de comentários do Correio da Manhã não são obscenos, ofensivos ou geradores de responsabilidade civil ou criminal e não violam o direito de propriedade intelectual de terceiros. O Leitor compromete-se, nomeadamente, a não utilizar os espaços de comentários do Correio da Manhã para: (i) fins comerciais, nomeadamente, difundindo mensagens publicitárias nos comentários ou em outros espaços, fora daqueles especificamente destinados à publicidade contratada nos termos adequados; (ii) difundir conteúdos de ódio, racismo, xenofobia ou discriminação ou que, de um modo geral, incentivem a violência ou a prática de atos ilícitos; (iii) difundir conteúdos que, de forma direta ou indireta, explícita ou implícita, tenham como objetivo, finalidade, resultado, consequência ou intenção, humilhar, denegrir ou atingir o bom-nome e reputação de terceiros.
O Leitor reconhece expressamente que é exclusivamente responsável pelo pagamento de quaisquer coimas, custas, encargos, multas, penalizações, indemnizações ou outros montantes que advenham da publicação dos seus comentários nos espaços de comentários do Correio da Manhã.
O Leitor reconhece que o Correio da Manhã não está obrigado a monitorizar, editar ou pré-visualizar os conteúdos ou comentários que são partilhados pelos Leitores nos seus espaços de comentário. No entanto, a redação do Correio da Manhã, reserva-se o direito de fazer uma pré-avaliação e não publicar comentários que não respeitem as presentes Regras.
Todos os comentários ou conteúdos que venham a ser partilhados pelo Leitor nos espaços de comentários do Correio da Manhã constituem a opinião exclusiva e única do seu autor, que só a este vincula e não refletem a opinião ou posição do Correio da Manhã ou de terceiros. O facto de um conteúdo ter sido difundido por um Leitor nos espaços de comentários do Correio da Manhã não pressupõe, de forma direta ou indireta, explícita ou implícita, que o Correio da Manhã teve qualquer conhecimento prévio do mesmo e muito menos que concorde, valide ou suporte o seu conteúdo.
ComportamentoO Correio da Manhã pode, em caso de violação das presentes Regras, suspender por tempo determinado, indeterminado ou mesmo proibir permanentemente a possibilidade de comentar, independentemente de ser assinante do Correio da Manhã Premium ou da sua classificação.
O Correio da Manhã reserva-se ao direito de apagar de imediato e sem qualquer aviso ou notificação prévia os comentários dos Leitores que não cumpram estas regras.
O Correio da Manhã ocultará de forma automática todos os comentários uma semana após a publicação dos mesmos.
Para usar esta funcionalidade deverá efetuar login.
Caso não esteja registado no site do Correio da Manhã, efetue o seu registo gratuito.
Escrever um comentário no CM é um convite ao respeito mútuo e à civilidade. Nunca censuramos posições políticas, mas somos inflexiveis com quaisquer agressões. Conheça as
Inicie sessão ou registe-se para comentar.