Aos 35 anos, a actriz acaba de ser condecorada pelo Presidente da República e de se estrear como encenadora. Uma nova etapa no percurso brilhante de uma intérprete fora de série
Correio da Manhã - Acaba de ser condecorada pelo Presidente da Republica com a Ordem de do Infante D. Henrique. Que significado assume esta distinção para si?
Beatriz Batarda -
Pergunto-me se tenho maturidade para compreender a dimensão deste agraciamento... Se pensarmos que estou há 18 anos a trabalhar intensamente, dando ao teatro e ao cinema o melhor que posso e que sei, é reconfortante sentir que o Chefe de Estado do País deseja reconhecer essa dedicação, essa entrega. Nem tenho palavras.
A condecoração surgiu por antecipação à comemoração de mais um Dia Mundial do Teatro. O teatro português tem razões para celebrar?
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Os dias em que decidimos parar para pensar numa área, seja ela qual for, são sempre de festa. O Dia Mundial do Teatro é o dia em que nós, as pessoas desta profissão, dizemos que estamos vivos e decidimos mostrá-lo. Mal ou bem, o caminho tem sido duro mas têm-se dado passos importantes na cultura. Sobretudo no despertar do interesse por parte do público, que parece mais atento aos projectos culturais.
No dia seguinte à condecoração, estreou-se como encenadora. Foi uma decisão? Um acaso?
No percurso de qualquer artista há sempre um momento em que é preciso distanciar-se e reflectir. Há muitos anos que dou aulas de teatro e a docência confrontou-me com a necessidade de dirigir. Tive de criar disponibilidade para tal. Aconteceu e revelou-se um processo tranquilo. A equipa que se juntou é sólida, os actores são experientes, disponíveis, nós falamos a mesma linguagem e queremos a mesma coisa. Tive condições muito especiais, que suavizaram o que podia ter sido um processo penoso.
Porquê uma peça de Athol Fugard para a primeira encenação?
É um autor de quem gosto muito, há muito tempo. Quando vivi em Londres tive oportunidade de ver vários textos dele levados à cena, comprei muitos livros... É um autor que admiro. Como também é actor, o que escreve revela essa experiência, sobretudo na construção das personagens, que são extremamente complexas. Gosto de bons textos, gosto de textos que sejam capazes de construir pessoas. Para além disso, sou sensível à questão das injustiças do Mundo - tudo o que está nas peças de Athol Fugard.
Dado que considera esta experiência como positiva, vai continuar a encenar?
- Já tenho outro projecto para o ano. Queria levar à cena uma peça do inglês Dennis Potter, de quem gosto muito, e que acredito nunca ter sido feita no nosso país. É um exercício para actores que nos propõe revisitarmos o passado, a infância... Temas que me fascinam.
Já se considera uma encenadora?
Levei tantos anos a aceitar que era actriz...
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