Os livros vendem bem e os portugueses lêem mais. E em Dia Mundial do Livro não há melhor comemoração do que traduzir as letras pelos números, mesmo se estes sejam poucos e os poucos claramente insuficientes.
De acordo com um estudo oriundo da vizinha Espanha – afinal foi lá que tudo começou (ver caixa) – a venda de livros em Portugal atingiu, no ano passado, 530 milhões de euros, o que traduz uma tendência de crescimento ainda que moderado.
Enquanto isso, as cinco maiores empresas do sector (Porto Editora, Círculo de Leitores, Texto Editores, Asa Editores e Ediclube) representam uma quota de mercado na ordem dos 27 por cento e disparam para 37 se consideradas as dez maiores empresas.
Pela edição em Portugal respondem 350 empresas que empregam, em média, oito trabalhadores, o que dá um total de três mil postos de trabalho. Contudo, destas só 200 exibem um volume de vendas aceitável e 30 registam receitas anuais superiores a dois milhões de euros.
Domina o capital português e a estrutura familiar mas, entre as maiores, não são de excluir as participações dos grupos de outros sectores e nacionalidades.
E do mercado do livro para os leitores regista-se um aumento de 15 por cento relativamente aos últimos dez anos. O leitor padrão dos dias de hoje é mulher e jovem, entre os 15 e os 17 anos. Urbana e cosmopolita por excelência, reside nas áreas metropolitanas de Lisboa e do Porto, onde as taxas de leitura são, respectivamente, da ordem dos 49,2 e dos 50,2 por cento.
A HISTÓRIA DO LIVRO E DA ROSA
O Dia Mundial do Livro que hoje se comemora tem origem em três escritores que nasceram no mesmo dia e morreram no mesmo ano. Miguel Cervantes, William Shakespeare e El Inca Garcilaso partilham o dia 23 de Abril e o ano de 1916. Com o Mundo partilham mais: o Dia Mundial do Livro. Iniciativa da União Internacional de Editores, o Dia Mundial do Livro e dos Direitos de Autor foi aprovado em 1995 pela UNESCO (Organização das Nações Unidas para a Ciência, Educação e Cultura). Muito popular em Espanha, a celebração nasceu na Catalunha com o seu santo padroeiro, Saint Jordi. A tradição vem do século XVIII e dura até hoje, entre ritos e rituais, com tanto de sagrado como de profano. O reconhecimento internacional chegou em 1975 e, desde então, mandam os cânones que, neste dia, se troque um livro por uma rosa. “Em 1995 os nossos amigos espanhóis desembarcaram em Paris, na Conferência da UNESCO, contando a seguinte história: no dia de São Jorge os cavaleiros ofereciam às damas uma rosa vermelha, recebendo um livro em troca [...]. Ficou!”, recorda Jorge Martins, presidente do Instituto Português do Livro e das Bibliotecas.
PORTO
A Livraria Almedina de Vila Nova de Gaia, Porto, recebe às 16h30 o escritor Álvaro Magalhães. Às 21h00, Cristina Bacelar apresenta poemas de Florbela Espanca ao som de piano e guitarra.
LOULÉ
A Biblioteca Municipal de Loulé apresenta hoje (15h00) um espectáculo pelo grupo O Contador de Histórias, destinado aos mais novos e sob marcação prévia. Repete às 21h45, para o público em geral e com entrada livre.
LISBOA
É inaugurada às 18h50 no Largo Trindade Coelho, ao Bairro Alto, Lisboa, a feira temática de nome ‘Os Livros do Carmo e da Trindade’. Paralelamente as bibliotecas dos institutos europeus de língua e cultura da capital oferecem durante todo o dia um livro e uma rosa a cada visitante.
LEIRIA
A Livraria Arquivo, à semelhança das suas congéneres de Lisboa e de Gaia, apresenta uma montra temática, com destaque para as rosas e para os marcadores de livros a oferecer aos visitantes.
SANTARÉM
A ministra da Cultura, Isabel Pires de Lima, inaugura às 18h30 a Biblioteca Municipal de Alpiarça Dr. Hermínio Duarte Paciência, no distrito de Santarém.
BATALHA
A Biblioteca Municipal da Batalha realiza às 21h30 a iniciativa ‘O Que Posso Fazer Para Que o Meu Filho Goste de Ler’. Sob orientação de Carlos Silva, a proposta é reflectir sobre a maneira como aprendemos a ler, o livro e a leitura em diferentes fases etárias e a responsabilidade dos diversos agentes no circuito do livro.
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