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MICRONOVELA

Herança de sangue Há heranças que não se escolhem.

Morreu cantor guineense Américo Gomes aos 51 anos

Artista foi encontrado morto na sua residência, em Lisboa.

20 de fevereiro de 2025 às 17:44

O cantor guineense Américo Gomes, que contava 51 anos, foi encontrado morto na sua residência em Lisboa, na tarde de quarta-feira, disse esta quinta-feira o irmão, Elísio Gomes Sá, numa nota publicada nas redes sociais.

Outra fonte familiar indicou à Lusa que os familiares aguardam por uma autópsia das autoridades portuguesas para determinar a causa da morte do cantor, que era querido entre os guineenses.

A ministra da Cultura, Juventude e Desporto, Maria da Conceição Évora, escreveu, numa rede social, que, "Diguidaz", como o próprio gostava de ser chamado, "teve uma passagem curta" na terra, mas deixou "um grande legado".

"Os artistas não morrem. A tua música será tocada e ouvida sempre em todos os cantos do mundo", escreveu Conceição Évora.

O economista guineense e antigo subsecretário-geral das Nações Unidas e diretor de assuntos políticos da organização, Carlos Lopes, escreveu, também nas redes sociais, que ainda não acredita que Américo Gomes morreu.

O cantor nasceu em Canchungo, norte da Guiné-Bissau, de onde também é originário Carlos Lopes, confessando este que, vivendo sempre longe do país, costuma ouvir as músicas de Américo Gomes para se lembrar da sua terra natal.

Vários partidos e líderes políticos também expressaram o seu pesar "pelo falecimento repentino" de Américo Gomes.

As rádios de Bissau e as páginas das redes sociais dos guineenses estão inundadas de músicas e fotografias de Américo Gomes, que é considerado um dos mais talentosos músicos do país dos últimos 30 anos.

Radicado em Portugal há vários anos, o cantor visitava o país regularmente para participar em concertos musicais ou em campanhas políticas.

Américo Gomes é conhecido pela sua intervenção na vida política do país, não se coibindo de criticar os dirigentes do país, mesmo aqueles que receberam o seu apoio nas campanhas eleitorais.

"Eu apoio sempre o meu povo", declarou recentemente num vídeo publicado nas redes sociais.

No comunicado da família, o irmão Elísio Gomes Sá, secretário de Estado do Orçamento e Assuntos Fiscais no atual Governo guineense, descreve o irmão como um "artista talentoso" e "sempre atento aos que estavam à sua volta".

"Américo, conhecido por todos como um cantor apaixonado pela sua arte e pelos seus fãs, deixa um legado de memórias musicais que permanecerão imortalizadas nas ondas do rádio e nos nossos corações", frisou.

Licenciado em gestão de empresas, Américo Gomes publicou sete álbuns musicais.

Cantava em crioulo guineense, em manjaco (o dialeto da etnia manjaca, a que pertence), em francês, em inglês e em wolof, uma das línguas nativas do Senegal, país onde também é bastante popular, tal como na Gâmbia, onde, aliás, tinha um concerto marcado para os próximos dias.

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