Elia Kazan morreu este domingo na sua residência de Manhattan, Nova Iorque, aos 94 anos. O homem que um dia disse que uma vida nunca seria suficiente para fazer tudo o que sonhava, deixa para trás uma carreira cumulada de sucessos, primeiro no teatro, onde se iniciou profissionalmente, e depois no cinema, onde realizou filmes fundamentais como "Há Lodo no Cais", "A Leste do Paraíso" ou "Esplendor na Relva".
Numa altura em que Hollywood vivia obcecada com o "glamour" - na tentativa de travar o avanço da televisão, que parecia desviar cada vez mais espectadores das salas de cinema - Kazan provou que podia vencer essa guerra assinando obras que faziam pensar e que retratavam personagens complexas com quem o público se podia identificar.
Deixaria mesmo um currículo imaculado não fosse a sua participação na "caça às bruxas" do Senador McCarthy. Em 1950, Kazan entrou na Comissão das Actividades Anti-Americanas e denunciou gente da Sétima Arte que, como ele, tinha aderido ao Partido Comunista na década de 30. Entre os acusados figurava Paula Miller, mulher de Lee Strasberg, com quem Kazan tinha fundado, em 48, o influente Actor's Studio.
Muitos nunca lhe perdoaram, entre eles o dramaturgo Arthur Miller, seu amigo pessoal para além de colaborador regular. No entanto, Kazan nunca deu mostras de arrependimento. Chegaria mesmo a dizer: "Ninguém gosta de magoar os outros, mas prefiro magoá-los um bocadinho do que magoar-me muito a mim próprio".
óscar controverso
Quando Hollywood decidiu entregar-lhe um Óscar de carreira, em 1999, a América dividiu-se. Houve manifestações de protesto na rua, e durante a cerimónia muitos recusaram-se a aplaudir, como os actores Ed Harris e Nick Nolte, mas nem os seus inimigos deixam de reconhecer que Elia Kazan era um génio que mudou a História do Cinema.
Elia Kazanjoglous, de seu verdadeiro nome, nasceu na actual Istambul (Turquia) a 7 de Setembro de 1909, no seio de uma família grega de comerciantes de tapetes. Aos quatro anos, o pai levou a família e o negócio para os Estados Unidos, mais propriamente para o Harlem, onde Kazan cresceu com uma enorme paixão pelo teatro, tendo mesmo chegado a trabalhar como actor.
No entanto, foi como encenador que, nos anos 30, se viu catapultado para a fama graças às encenações das peças dos jovens Tennessee Williams e Arthur Miller. O cinema veio a seguir e Hollywood soube premiar a extraordinária qualidade do seu trabalho, atribuindo-lhe dois Óscares de realização por "A Luz é Para Todos" e "Há Lodo no Cais".
UM CASO COM MARYLIN
Na década de 50, Elia Kazan voltou-se inesperadamente para a escrita, assinando seis romances (alguns dos quais "best-sellers") e, mais tarde, uma autobiografia na qual admitiu que, para além do mau feitio que todos lhe conheciam, escondia uma paixão secreta - e irreprimível - por mulheres. Revelou então que tinha tido um caso com Marilyn Monroe, embora só numa noite.
"Durante muitos anos, esta área da minha vida foi uma mentira. Não me orgulho disso, mas as mulheres salvaram-me. Foram a minha fonte de conhecimento, a minha educação. Senão, tinha secado."
Kazan deixa seis filhos de três casamentos diferentes, com Molly Thatcher, Barbara Loden e Frances Rudge.
FILMES
' "The People Of The
Cumberlands" (1937)
' "It's Up To You" (1941)
' "Laços Humanos" (1945)
' "Terra das Ambições" (1946)
' "Crime Sem Castigo" (1947)
' "A Luz é Para Todos" (1947)
' "Herança Cruel" (1949)
' "Pânico nas Ruas" (1950)
' "Um Eléctrico Chamado
Desejo" (1951)
' "Viva Zapata!" (1952)
' "Salto Mortal" (1953)
' "Há Lodo no Cais" (1954)
' "A Leste do Paraíso" (1955)
' "A Voz do Desejo" (1959)
' "Um Rosto na Multidão" (1958)
' "Quando o Rio se Enfurece" (1969)
' "Esplendor na Relva" (1961)
' "América, América" (1964)
' "O Compromisso" (1969)
' "Os Visitantes" (1971)
' "O Grande Magnate" (1976)
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