Ativista morreu de pneumonia aos 84 anos.
O dramaturgo norte-americano Larry Kramer autor de "Um Coração Normal", pioneiro no apoio a vítimas da sida e no alerta sobre o vírus, morreu hoje, em Nova Iorque, aos 84 anos, noticiou o jornal The New York Times.
Kramer morreu de pneumonia, não relacionada com a covid-19, disse o seu marido, o arquiteto David Webster, ao jornal nova-iorquino. O dramaturgo era portador de VIH, há mais de três décadas, e padecia de várias doenças associadas.
Larry Kramer foi um dos fundadores da organização Gay Men's Health Crisis, em 1981, a primeira de apoio a vítimas da sida, da qual viria a afastar-se, em 1987, ao considerá-la "uma triste organização de cobardes", depois de ter sido acusado de ter um discurso demasiado agressivo para com as autoridades de saúde.
O dramaturgo dinamizou então a Act Up, que levou os protestos para as ruas, em ações que chegaram a afetar o funcionamento de departamentos governamentais, exigindo investigação e desenvolvimento de medicamentos para a sida, o termo da discriminação de homossexuais e das vítimas do vírus.
No início da década de 1980, Kramer foi um dos primeiros ativistas a afastar a ideia dominante de que uma "estranha forma de cancro" estava a atingir homens homossexuais, alertando para a inevitabilidade de se tratar de uma doença sexualmente transmissível, que punha todos os em risco.
O epidemologista Anthony Fauci, atual diretor do Instituto Nacional de Doenças Infecciosas dos Estados Unidos, foi um dos primeiros visados pelo escritor, que o considerou um "idiota incompetente", num artigo publicado no San Francisco Examiner, em 1988. Mais tarde, foi o próprio combate à doença que os uniu em amizade.
Em declarações ao The New York Times, Fauci disse que o ativista o ajudou a ver que burocracia federal norte-americana estava a atrasar a investigação sobre a sida, reconhecendo em Larry Kramer "um papel essencial" no desenvolvimento de tratamentos que vieram prolongar a vida dos portadores de VIH.
Larry Kramer nasceu em junho de 1935 em Bridgeport, no Connecticut, licenciou-se em Literatura, em Yale, e era sobretudo um dramaturgo e argumentista, com um percurso reconhecido no teatro e no cinema.
Adaptou o romance "Mulheres Apaixonadas", de D.H. Lawrence para o filme homónimo de Ken Russel, em 1969, o que lhe deu uma nomeação para o Óscar, e "Horizonte Perdido" (1973), um 'remake' da longa-metragem de Frank Capra.
"Um Coração Normal" (1985), a sua obra mais conhecida, foi premiada com um Tony, na Broadway, e com um Emmy e um Globo de Ouro, quando chegou à HBO, num filme de Ryan Murphy, com o ator Mark Ruffalo. De caráter autobiográfico, teria continuidade em "The Destiny of Me", de 1992.
A obra de Larry Kramer, com perto de duas dezenas de títulos, é marcada pelo combate à discriminação, desde os primeiros livros, como "A Minor Dark Age" (1973) e "Faggots" (1978), aos derradeiros, como "The American People - Search for My Heart" (2015) e "The American People: The Brutality of Fact", publicado no início deste ano.
Em "Just Say No, a Play about a Farce" (1988), expôs o que considerava a leviandade da política de Ronald Reagan para a saúde.
Entre outros prémios, Larry Kramer recebeu o PEN de drama e o de Literatura da Academia de Artes e Letras dos Estados Unidos.
"Um Coração Normal" está na lista das cem melhores peças de teatro do século XX do Royal National Theatre of Great Britain.
Tem sugestões ou notícias para partilhar com o CM?
Envie para geral@cmjornal.pt
o que achou desta notícia?
concordam consigo
A redação do CM irá fazer uma avaliação e remover o comentário caso não respeite as Regras desta Comunidade.
O seu comentário contem palavras ou expressões que não cumprem as regras definidas para este espaço. Por favor reescreva o seu comentário.
O CM relembra a proibição de comentários de cariz obsceno, ofensivo, difamatório gerador de responsabilidade civil ou de comentários com conteúdo comercial.
O Correio da Manhã incentiva todos os Leitores a interagirem através de comentários às notícias publicadas no seu site, de uma maneira respeitadora com o cumprimento dos princípios legais e constitucionais. Assim são totalmente ilegítimos comentários de cariz ofensivo e indevidos/inadequados. Promovemos o pluralismo, a ética, a independência, a liberdade, a democracia, a coragem, a inquietude e a proximidade.
Ao comentar, o Leitor está a declarar que é o único e exclusivo titular dos direitos associados a esse conteúdo, e como tal é o único e exclusivo responsável por esses mesmos conteúdos, e que autoriza expressamente o Correio da Manhã a difundir o referido conteúdo, para todos e em quaisquer suportes ou formatos actualmente existentes ou que venham a existir.
O propósito da Política de Comentários do Correio da Manhã é apoiar o leitor, oferecendo uma plataforma de debate, seguindo as seguintes regras:
Recomendações:
- Os comentários não são uma carta. Não devem ser utilizadas cortesias nem agradecimentos;
Sanções:
- Se algum leitor não respeitar as regras referidas anteriormente (pontos 1 a 11), está automaticamente sujeito às seguintes sanções:
- O Correio da Manhã tem o direito de bloquear ou remover a conta de qualquer utilizador, ou qualquer comentário, a seu exclusivo critério, sempre que este viole, de algum modo, as regras previstas na presente Política de Comentários do Correio da Manhã, a Lei, a Constituição da República Portuguesa, ou que destabilize a comunidade;
- A existência de uma assinatura não justifica nem serve de fundamento para a quebra de alguma regra prevista na presente Política de Comentários do Correio da Manhã, da Lei ou da Constituição da República Portuguesa, seguindo a sanção referida no ponto anterior;
- O Correio da Manhã reserva-se na disponibilidade de monitorizar ou pré-visualizar os comentários antes de serem publicados.
Se surgir alguma dúvida não hesite a contactar-nos internetgeral@medialivre.pt ou para 210 494 000
O Correio da Manhã oferece nos seus artigos um espaço de comentário, que considera essencial para reflexão, debate e livre veiculação de opiniões e ideias e apela aos Leitores que sigam as regras básicas de uma convivência sã e de respeito pelos outros, promovendo um ambiente de respeito e fair-play.
Só após a atenta leitura das regras abaixo e posterior aceitação expressa será possível efectuar comentários às notícias publicados no Correio da Manhã.
A possibilidade de efetuar comentários neste espaço está limitada a Leitores registados e Leitores assinantes do Correio da Manhã Premium (“Leitor”).
Ao comentar, o Leitor está a declarar que é o único e exclusivo titular dos direitos associados a esse conteúdo, e como tal é o único e exclusivo responsável por esses mesmos conteúdos, e que autoriza o Correio da Manhã a difundir o referido conteúdo, para todos e em quaisquer suportes disponíveis.
O Leitor permanecerá o proprietário dos conteúdos que submeta ao Correio da Manhã e ao enviar tais conteúdos concede ao Correio da Manhã uma licença, gratuita, irrevogável, transmissível, exclusiva e perpétua para a utilização dos referidos conteúdos, em qualquer suporte ou formato atualmente existente no mercado ou que venha a surgir.
O Leitor obriga-se a garantir que os conteúdos que submete nos espaços de comentários do Correio da Manhã não são obscenos, ofensivos ou geradores de responsabilidade civil ou criminal e não violam o direito de propriedade intelectual de terceiros. O Leitor compromete-se, nomeadamente, a não utilizar os espaços de comentários do Correio da Manhã para: (i) fins comerciais, nomeadamente, difundindo mensagens publicitárias nos comentários ou em outros espaços, fora daqueles especificamente destinados à publicidade contratada nos termos adequados; (ii) difundir conteúdos de ódio, racismo, xenofobia ou discriminação ou que, de um modo geral, incentivem a violência ou a prática de atos ilícitos; (iii) difundir conteúdos que, de forma direta ou indireta, explícita ou implícita, tenham como objetivo, finalidade, resultado, consequência ou intenção, humilhar, denegrir ou atingir o bom-nome e reputação de terceiros.
O Leitor reconhece expressamente que é exclusivamente responsável pelo pagamento de quaisquer coimas, custas, encargos, multas, penalizações, indemnizações ou outros montantes que advenham da publicação dos seus comentários nos espaços de comentários do Correio da Manhã.
O Leitor reconhece que o Correio da Manhã não está obrigado a monitorizar, editar ou pré-visualizar os conteúdos ou comentários que são partilhados pelos Leitores nos seus espaços de comentário. No entanto, a redação do Correio da Manhã, reserva-se o direito de fazer uma pré-avaliação e não publicar comentários que não respeitem as presentes Regras.
Todos os comentários ou conteúdos que venham a ser partilhados pelo Leitor nos espaços de comentários do Correio da Manhã constituem a opinião exclusiva e única do seu autor, que só a este vincula e não refletem a opinião ou posição do Correio da Manhã ou de terceiros. O facto de um conteúdo ter sido difundido por um Leitor nos espaços de comentários do Correio da Manhã não pressupõe, de forma direta ou indireta, explícita ou implícita, que o Correio da Manhã teve qualquer conhecimento prévio do mesmo e muito menos que concorde, valide ou suporte o seu conteúdo.
ComportamentoO Correio da Manhã pode, em caso de violação das presentes Regras, suspender por tempo determinado, indeterminado ou mesmo proibir permanentemente a possibilidade de comentar, independentemente de ser assinante do Correio da Manhã Premium ou da sua classificação.
O Correio da Manhã reserva-se ao direito de apagar de imediato e sem qualquer aviso ou notificação prévia os comentários dos Leitores que não cumpram estas regras.
O Correio da Manhã ocultará de forma automática todos os comentários uma semana após a publicação dos mesmos.
Para usar esta funcionalidade deverá efetuar login.
Caso não esteja registado no site do Correio da Manhã, efetue o seu registo gratuito.
Escrever um comentário no CM é um convite ao respeito mútuo e à civilidade. Nunca censuramos posições políticas, mas somos inflexiveis com quaisquer agressões. Conheça as
Inicie sessão ou registe-se para comentar.