page view
Imagem promocional da micronovela
MICRONOVELA

Pandora O poder não se mostra. Usa-se.

Mulheres que não sabem amar

Jorge Silva Melo diz que o que o atraiu, na peça de Alfred de Musset, foi "a juventude", a frescura da escrita e o facto de se tratar de um texto de "teatro impossível" – que não cabia nos padrões teatrais do século XIX. 'Não se Brinca com o Amor', escrita quando o autor francês tinha 26 anos e sofria uma desilusão amorosa, faz a sua estreia num palco nacional esta sexta-feira no Teatro Viriato, em Viseu, protagonizado por Catarina Wallenstein e Elmano Sancho.

16 de setembro de 2011 às 00:30

O texto tem os ingredientes típicos da comédia: no centro há o par amoroso perfeito, cumulado de qualidades, à sua volta juntam-se um pai aburguesado e boçal, um preceptor e um padre gulosos e ridículos, uma preceptora beata e estúpida, camponeses simples e uma jovem e ingénua guardadora de rebanhos.

Surpreendentemente, o desenlace não será feliz, antes trágico, mas bem mais importante aqui são os diálogos e a dialéctica que opõe homens e mulheres, razão e sentimento em torno do grande tema do texto: o amor e as diferentes formas de amar.

De um texto formalmente dividido em cenas e actos, Silva Melo construiu um espectáculo uno em que a acção flui sem que se dê por isso. Os protagonistas estão embuídos do espírito da luta retórica e argumentam como se esgrimissem, fazendo-nos acompanhar a sua discussão com interesse. Em contraponto absoluto, mas nem por isso menos fascinantes, está o trio formado pelas personagens de Américo Silva (pai), João Meireles (preceptor) e António Simão (padre). Como ‘comic relief’, dificilmente se poderia exigir mais.

O cenário resulta de um momento inspirado de Rita Lopes Alves: um sistema de cortinas que os próprios actores manipulam situa-nos com toda a naturalidade ora em ambientes bucólicos, rodeados de árvores frondosas, ora em espaços interiores. Sobretudo, é a simplicidade que se impõe a um espectáculo feito para rodar.

'Não se Brinca com o Amor', que é para ver no Teatro Viriato, em Viseu, a 16 e 17 de Setembro, segue em digressão: Almada (Teatro Municipal, de 22 de Setembro a 2 de Outubro); Coimbra (Oficina Municipal de Teatro, 6 e 7 de Outubro) e Guimarães (Centro Cultural Vila Flor, 14). A 19 de Outubro, inaugura a nova vida do Teatro da Politécnica, em Lisboa, agora entregue aos Artistas Unidos.

Tem sugestões ou notícias para partilhar com o CM?

Envie para geral@cmjornal.pt

o que achou desta notícia?

concordam consigo

Logo CM

Newsletter - Vidas

As suas notícias acompanhadas ao detalhe.

Mais Lidas

Ouça a Correio da Manhã Rádio nas frequências - Lisboa 90.4 // Porto 94.8