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Museu retira múmias de exposição por falta de consentimento

Instituição escocesa considera que mostrar restos mortais sem autorização levanta questões éticas e de respeito pelos mortos.

23 de outubro de 2026 às 01:30

O Museu Kelvingrove, em Glasgow, na Escócia, retirou várias múmias de exposição, por não ter consentimento das pessoas falecidas para estarem expostas.

Entre as peças removidas estão uma cabeça mumificada, uma mão e um pé, bem como um sarcófago com os restos mortais do sacerdote egípcio Nekht. Junto aos espaços anteriormente ocupados pelas peças foram colocados avisos a informar os visitantes de que os restos humanos foram retirados por “uma questão de respeito para com os mortos”.

A decisão adveio do crescente debate sobre a legitimidade de expor corpos de pessoas falecidas há milhares de anos sem que exista consentimento documentado dos próprios ou dos seus descendentes. Mas a medida está a ser muito contestada, sobretudo por conservadores, que a consideram fruto “da loucura do politicamente correto na sua forma mais ridícula”.

“Até as múmias egípcias estão agora a ser canceladas por uma sociedade tão obcecada com a sensibilidade moderna que perdeu todo o sentido de perspetiva. As pessoas visitam os museus para aprender sobre civilizações antigas, não para ver a história escondida por não corresponder aos padrões ideológicos atuais”, afirma um porta-voz do partido Tory. Já Murdo Fraser, deputado conservador escocês, argumentou que a remoção das peças limita as possibilidades de aprendizagem sobre as civilizações antigas.

A medida está relacionada com as novas orientações éticas aplicáveis aos museus e à forma como devem tratar restos humanos, tendo em conta a dignidade dos indivíduos e as sensibilidades das comunidades de origem. A organização Glasgow Life, responsável pela gestão dos equipamentos culturais da cidade, prevê ainda outras alterações neste domínio, incluindo a retirada de mais restos mortais de espaços expositivos. O caso de Glasgow não é isolado. Em setembro, o Manchester Museum retirou da exposição Asru, uma mulher do Antigo Egito cujos restos mumificados estavam expostos há mais de 200 anos.

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