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Lula e Flávio ombro a ombro no fim da campanha

Sondagem da Datafolha dá 50% das intenções de voto a cada candidato nas eleições deste domingo.

24 de outubro de 2026 às 01:30

A penúltima sondagem do Instituto Datafolha (a última será divulgada este sábado), dá 50% das intenções de voto a cada um dos candidatos, mostrando que o resultado da segunda volta das presidenciais brasileiras deste domingo está mais indefinido do que nunca e que tanto Flávio Bolsonaro como Lula da Silva têm as mesmas probalidades de serem eleitos. Flávio, recorde-se, venceu a primeira volta, no dia 4, com 47% dos votos contra 45% de Lula, e esteve sempre à frente nas sondagens durante a campanha para a segunda volta, mas, segundo o Datafolha, essa vantagem desapareceu nesta reta final.

A margem que ditará o vencedor é muito restrita, pois a esmagadora maioria dos brasileiros já tem o seu voto definido. Ao Datafolha, 94% dos inquiridos disseram ter absoluta convicção da sua escolha e que não mudarão de candidato mesmo que ocorra algum evento inesperado nas últimas horas da campanha, e só 6% afirmaram que ainda poderão mudar o seu voto.

O empate entre Flávio e Lula persiste até na rejeição dos eleitores. O Datafolha mostra que 46% dos eleitores não votariam em Flávio em hipótese alguma, enquanto 45% responderam o mesmo sobre Lula.

Quanto à motivação do voto, 81% dos eleitores de Lula dizem que vão votar nele por o considerarem o melhor candidato, e 13% avançaram que votam no presidente para evitar que a família Bolsonaro volte ao poder. Já no caso de Flávio, 65% dos inquiridos disseram considerá-lo a melhor opção para o Brasil, enquanto 23% responderam que vão votar no filho de Jair Bolsonaro para impedir Lula da Silva de conquistar um quarto mandato presidencial.

Mesmo com o empate absoluto entre ambos estimado pelo Datafolha, 53% dos brasileiros, eleitores de Flávio e de Lula, avaliam que o senador têm mais probalidades de ser eleito, contra 39% que acreditam na vitória do atual presidente. O levantamento revelou que há uma equiparação entre as duas campanhas em todo o Brasil e em quase todas as camadas sociais, mas que Lula tem vantagem entre os mais pobres e menos escolarizados, os católicos e os que vivem na região nordeste, enquanto Flávio obtém vantagem entre os evangélicos, os mais escolarizados e de maior renda e entre quem vive nos três estados do sul do país, onde venceu na primeira volta.

Candidatos ainda não revelaram contas bancárias

Muitas horas após o prazo final acordado entre Flávio Bolsonaro e Lula da Silva para a divulgação recíproca e simultânea dos seus dados bancários, fiscais e telefónicos, até ao início da noite desta sexta-feira ainda não tinha sido divulgada qualquer informação, frustando as expectativas dos apoiantes dos dois candidatos que este domingo disputarão a presidência do Brasil. O desafio feito por Lula a Flávio para que ambos tornassem públicos os seus dados para, segundo ele, o povo ver “quem é o verdadeiro ladrão”, transformou-se no principal assunto da reta final das presidenciais mas acabou, assim, por não dar em nada.

Na quinta-feira, o senador Camilo Santana, aliado de Lula, mostrou um documento em que os dois candidatos autorizavam o Tribunal Superior Eleitoral (TSE) a levantar os seus sigilos e a divulgá-los até às 23 e 59 desse dia. O juiz a quem o caso foi distribuído, André Mendonça, no entanto, afirmou em comunicado que o TSE não tem de se envolver nessa disputa e que, se os candidatos quiserem realmente divulgar os seus dados, nada os impede e podem fazê-lo por conta própria. Nessa mesma noite, assessores de Lula entregaram ao TSE várias malas com documentos físicos supostamente de dados sigilosos do presidente, familiares e assessores, como combinado.

A campanha de Flávio fez o mesmo horas depois, aumentando a expectativa. Mas, temendo reciprocamente uma armadilha da outra parte a poucas horas da ida às urnas, as duas campanhas continuavam esta sexta-feira à espera que a outra desse o primeiro passo. A campanha de Flávio diz que só divulgará os dados do candidato depois de Lula revelar os dele, e a de Lula faz o mesmo e resiste a divulgar os dados dos gastos com o cartão corporativo da Presidência da República, o que poderia expor os gastos da mulher do presidente, Janja frequentemente acusada de esbanjar dinheiro público em luxos e viagens internacionais.

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