Flávio Bolsonaro, do Partido Liberal, conseguiu, na primeira volta, uma vantagem de dois pontos percentuais sobre Lula.
O ministro da Secretaria de Relações Institucionais do Brasil admitiu que a campanha de Lula da Silva subestimou o bolsonarismo na primeira volta das eleições ao acreditar que a vitória estava assegurada e defendeu que faltou uma frente ampla.
"Primeiro, achar que a campanha estava ganha. O Lula tinha essa percepção, que a eleição estava ganha", afirmou José Guimarães em entrevista à Lusa, reconhecendo que a avaliação era partilhada pela maioria dos elementos da coordenação da campanha.
Flávio Bolsonaro, do Partido Liberal (PL), conseguiu, na primeira volta, uma vantagem de dois pontos percentuais sobre Lula, cerca de 2,2 milhões de volta, e perfila-se como favorito na reta final a ser decidida no próximo domingo.
Para o ministro responsável pela articulação política do Governo, o erro foi acompanhado por uma queda da votação de Lula no Nordeste, onde o atual Presidente procura recuperar terreno na segunda volta, depois de ter perdido cerca de 400 mil votos no Ceará e 600 mil na Bahia.
Guimarães apontou ainda disputas locais no Nordeste como um dos fatores que prejudicaram o desempenho do candidato, citando Pernambuco, onde a campanha optou por um dos dois candidatos que poderiam ter apoiado Lula, e também o Ceará.
No Ceará, seu estado de origem, afirmou, a rutura abriu espaço para André Fernandes, candidato do PL, que obteve mais de 600 mil votos no estado, enquanto uma mudança geracional alterou também a composição política local.
“Eu acho que faltou sobretudo comando. A coordenação não deu conta da tarefa de conduzir à quarta vitória”, afirmou o ministro, que apontou a ausência de um discurso de “frente ampla” por parte de Lula como uma falha fundamental da campanha.
Segundo Guimarães, a frente ampla deveria ter envolvido não apenas Lula, mas toda a campanha, com a participação de partidos do centro na coordenação e uma sinalização clara de que seriam chamados a integrar um eventual novo Governo.
O ministro considerou que a estratégia deveria ter sido diferente da adotada em 2022, quando Lula venceu sem o apoio inicial de partidos do centro e, depois, levou vários deles para o Governo, sem que houvesse uma identidade programática comum.
Guimarães citou o União Brasil, que integrou o Governo com três ministérios e, nesta eleição, acabou por apoiar Flávio Bolsonaro na segunda volta, como exemplo do problema que a campanha deveria ter evitado.
Na sua avaliação, problemas nas alianças regionais também contribuíram para afastar Partido Progressista, União Brasil e Republicanos, citando especificamente conflitos no Piauí, na Paraíba e em Minas Gerais.
Guimarães criticou ainda o tempo gasto pelo PT (Partido dos Trabalhadores) em torno do ex-senador Rodrigo Pacheco como possível candidato em Minas Gerais, o segundo maior reduto eleitoral do país e estado chave nas eleições.
Pacheco disse, há mais de dois anos, que não seria candidato em Minas Gerais e é, atualmente, juiz do Tribunal de Contas da União (TCU).
“Eu acho que faltou um cuidado maior da coordenação com o Centrão”, resumiu, atribuindo parte da decisão desses partidos de apoiar Flávio Bolsonaro ao resultado da primeira volta.
O Centrão é um grupo de partidos políticos sem base ideológica definida que compõe qualquer Governo em troca de ministérios, cargos e influência política.
Segundo Guimarães, os dirigentes desses partidos de centro passaram a acreditar, após a primeira volta, que a eleição estava decidida a favor do candidato do PL e deslocaram-se em massa para a sua candidatura.
“Eles estavam chateados, com razão, eles tinham a razão deles, mas o que pesou para tomarem a decisão deles foi a história ‘Flávio já ganhou, vamos lá’”, afirmou.
Apesar das críticas à primeira volta, Guimarães afirmou que a campanha conseguiu reagir na segunda, apontando dois fatores que considera decisivos para a aproximação entre Lula e Flávio Bolsonaro nas sondagens, as mobilizações espontâneas nas ruas e uma mudança na atuação nas redes sociais.
“Eu acho que encontrámos o rumo”, afirmou, depois de considerar que a esquerda foi derrotada durante anos nas redes sociais e que a campanha atual começou a recuperar terreno nesse espaço.
“Nós vamos ganhar essa eleição por uma razão: é uma decisão do povo (...) O povo passou a ser o sujeito dessa eleição, pro bem e pro mal, de um lado e de outro, sobretudo o nosso lado”, realçou.
Independentemente do resultado eleitoral, pediu à esquerda para “não perder a esperança jamais. Com vitórias ou com derrota”.
Tem sugestões ou notícias para partilhar com o CM?
Envie para geral@cmjornal.pt
o que achou desta notícia?
concordam consigo
A redação do CM irá fazer uma avaliação e remover o comentário caso não respeite as Regras desta Comunidade.
O seu comentário contem palavras ou expressões que não cumprem as regras definidas para este espaço. Por favor reescreva o seu comentário.
O CM relembra a proibição de comentários de cariz obsceno, ofensivo, difamatório gerador de responsabilidade civil ou de comentários com conteúdo comercial.
O Correio da Manhã incentiva todos os Leitores a interagirem através de comentários às notícias publicadas no seu site, de uma maneira respeitadora com o cumprimento dos princípios legais e constitucionais. Assim são totalmente ilegítimos comentários de cariz ofensivo e indevidos/inadequados. Promovemos o pluralismo, a ética, a independência, a liberdade, a democracia, a coragem, a inquietude e a proximidade.
Ao comentar, o Leitor está a declarar que é o único e exclusivo titular dos direitos associados a esse conteúdo, e como tal é o único e exclusivo responsável por esses mesmos conteúdos, e que autoriza expressamente o Correio da Manhã a difundir o referido conteúdo, para todos e em quaisquer suportes ou formatos actualmente existentes ou que venham a existir.
O propósito da Política de Comentários do Correio da Manhã é apoiar o leitor, oferecendo uma plataforma de debate, seguindo as seguintes regras:
Recomendações:
- Os comentários não são uma carta. Não devem ser utilizadas cortesias nem agradecimentos;
Sanções:
- Se algum leitor não respeitar as regras referidas anteriormente (pontos 1 a 11), está automaticamente sujeito às seguintes sanções:
- O Correio da Manhã tem o direito de bloquear ou remover a conta de qualquer utilizador, ou qualquer comentário, a seu exclusivo critério, sempre que este viole, de algum modo, as regras previstas na presente Política de Comentários do Correio da Manhã, a Lei, a Constituição da República Portuguesa, ou que destabilize a comunidade;
- A existência de uma assinatura não justifica nem serve de fundamento para a quebra de alguma regra prevista na presente Política de Comentários do Correio da Manhã, da Lei ou da Constituição da República Portuguesa, seguindo a sanção referida no ponto anterior;
- O Correio da Manhã reserva-se na disponibilidade de monitorizar ou pré-visualizar os comentários antes de serem publicados.
Se surgir alguma dúvida não hesite a contactar-nos internetgeral@medialivre.pt ou para 210 494 000
O Correio da Manhã oferece nos seus artigos um espaço de comentário, que considera essencial para reflexão, debate e livre veiculação de opiniões e ideias e apela aos Leitores que sigam as regras básicas de uma convivência sã e de respeito pelos outros, promovendo um ambiente de respeito e fair-play.
Só após a atenta leitura das regras abaixo e posterior aceitação expressa será possível efectuar comentários às notícias publicados no Correio da Manhã.
A possibilidade de efetuar comentários neste espaço está limitada a Leitores registados e Leitores assinantes do Correio da Manhã Premium (“Leitor”).
Ao comentar, o Leitor está a declarar que é o único e exclusivo titular dos direitos associados a esse conteúdo, e como tal é o único e exclusivo responsável por esses mesmos conteúdos, e que autoriza o Correio da Manhã a difundir o referido conteúdo, para todos e em quaisquer suportes disponíveis.
O Leitor permanecerá o proprietário dos conteúdos que submeta ao Correio da Manhã e ao enviar tais conteúdos concede ao Correio da Manhã uma licença, gratuita, irrevogável, transmissível, exclusiva e perpétua para a utilização dos referidos conteúdos, em qualquer suporte ou formato atualmente existente no mercado ou que venha a surgir.
O Leitor obriga-se a garantir que os conteúdos que submete nos espaços de comentários do Correio da Manhã não são obscenos, ofensivos ou geradores de responsabilidade civil ou criminal e não violam o direito de propriedade intelectual de terceiros. O Leitor compromete-se, nomeadamente, a não utilizar os espaços de comentários do Correio da Manhã para: (i) fins comerciais, nomeadamente, difundindo mensagens publicitárias nos comentários ou em outros espaços, fora daqueles especificamente destinados à publicidade contratada nos termos adequados; (ii) difundir conteúdos de ódio, racismo, xenofobia ou discriminação ou que, de um modo geral, incentivem a violência ou a prática de atos ilícitos; (iii) difundir conteúdos que, de forma direta ou indireta, explícita ou implícita, tenham como objetivo, finalidade, resultado, consequência ou intenção, humilhar, denegrir ou atingir o bom-nome e reputação de terceiros.
O Leitor reconhece expressamente que é exclusivamente responsável pelo pagamento de quaisquer coimas, custas, encargos, multas, penalizações, indemnizações ou outros montantes que advenham da publicação dos seus comentários nos espaços de comentários do Correio da Manhã.
O Leitor reconhece que o Correio da Manhã não está obrigado a monitorizar, editar ou pré-visualizar os conteúdos ou comentários que são partilhados pelos Leitores nos seus espaços de comentário. No entanto, a redação do Correio da Manhã, reserva-se o direito de fazer uma pré-avaliação e não publicar comentários que não respeitem as presentes Regras.
Todos os comentários ou conteúdos que venham a ser partilhados pelo Leitor nos espaços de comentários do Correio da Manhã constituem a opinião exclusiva e única do seu autor, que só a este vincula e não refletem a opinião ou posição do Correio da Manhã ou de terceiros. O facto de um conteúdo ter sido difundido por um Leitor nos espaços de comentários do Correio da Manhã não pressupõe, de forma direta ou indireta, explícita ou implícita, que o Correio da Manhã teve qualquer conhecimento prévio do mesmo e muito menos que concorde, valide ou suporte o seu conteúdo.
ComportamentoO Correio da Manhã pode, em caso de violação das presentes Regras, suspender por tempo determinado, indeterminado ou mesmo proibir permanentemente a possibilidade de comentar, independentemente de ser assinante do Correio da Manhã Premium ou da sua classificação.
O Correio da Manhã reserva-se ao direito de apagar de imediato e sem qualquer aviso ou notificação prévia os comentários dos Leitores que não cumpram estas regras.
O Correio da Manhã ocultará de forma automática todos os comentários uma semana após a publicação dos mesmos.
Para usar esta funcionalidade deverá efetuar login.
Caso não esteja registado no site do Correio da Manhã, efetue o seu registo gratuito.
Escrever um comentário no CM é um convite ao respeito mútuo e à civilidade. Nunca censuramos posições políticas, mas somos inflexiveis com quaisquer agressões. Conheça as
Inicie sessão ou registe-se para comentar.