O homem que criou 'O Homem que Mordeu o Cão' é um dos humoristas portugueses que vão participar no The Famous Humour Fest, que arranca na noite desta quinta-feira, no Cinema São Jorge, em Lisboa. Nuno Markl é um dos convidados dos Commedia a la Carte, que abrem o festival, às 21h30, e regressa na sexta-feira, ao lado de João Só, para 'Telebaladas ao Vivo'. O encerramento é às 23h00 de sábado, quando Bruno Nogueira encontrar em palco o brasileiro Fábio Porchat, um dos criadores do canal Porta dos Fundos, cada vez mais popular nas redes sociais.
Correio da Manhã - O estado a que Portugal chegou torna mais ou menos necessário um festival de humor?
Nuno Markl - Independentemente do estado de um país, é essencial que se celebre o humor. Há muito a tentação de ligar uma coisa à outra e de dizer que a crise pede que as pessoas se riam, mas a verdade é que a comédia é uma arte - não deve ser vista só como uma boia de salvação. Acima de tudo, deve fazer rir. Se de caminho disser algumas verdades sobre o estado das coisas ou esta coisa de sermos humanos, tanto melhor.
- As ‘Selecções do Reader's Digest' têm razão quando afirmam que rir é o melhor remédio?
- Parece que está cientificamente provado que faz bem a várias coisas, nomeadamente aos rins! É um óptimo desbloqueador de inibições e, no meu caso, torna-me ligeiramente mais sexy do que eu seria se não tivesse qualquer espécie de sentido de humor.
- No ‘Telebaladas ao Vivo' desta sexta-feira esperam receber histórias de pessoas da plateia ou vão ter algumas já preparadas, como nos programas televisivos de culinária?
- Criar canções leva tempo e requer perfeccionismo. Por isso, as que vamos apresentar já o João Só as escreveu. Mas entre as que já passaram pelo programa do Canal Q e as novas que vamos apresentar, todas elas se baseiam em casos reais, encomendas feitas por cidadãos que precisam de baladas para as mais variadas situações da vida deles. E não estamos só a falar de casos românticos... As pessoas pedem baladas para os motivos mais estranhos da vida. Além das canções - verdadeiras jóias criadas pelo João e cantadas por ele, pela Rita Redshoes e pelo Samuel Úria - vai haver comédia com fartura. Vou recordar as baladas que me faziam sonhar na adolescência e dissecá-las. Acho que vamos conseguir um ambiente muito divertido e acolhedor com o público.
- Entre os espetáculos que vão decorrer ao longo dos três dias, qual é aquele que mais tem vontade de ver, nem que seja só para chatear os protagonistas dos outros?
- É difícil escolher. No último ano eu parecia uma barata tonta a saltitar entre os irmãos Salvador Martinha e Marta Gautier, que deram ambos espetáculos extraordinários. Tenho sempre muitos amigos, todos com tremendo talento, espalhados pelos shows, mas para não ferir susceptibilidades vou apontar para o Fábio Porchat, que vem de fora e que está a revolucionar o humor internético com a Porta dos Fundos.
- Num mundo perfeito, quem é que gostaria de ver participar na edição de 2013 do The Famous Humour Fest?
- O Ricky Gervais, o Louis CK e o Reggie Watts. O Hugo Nóbrega tem de começar já a fazer telefonemas!
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