O actor Henrique Canto e Castro faleceu ontem na sua casa, em Almada, aos 74 anos, vítima de doença prolongada. O corpo encontra-se em câmara-ardente na Basílica da Estrela, em Lisboa, e o cortejo fúnebre segue hoje, pelas 17h00, para o cemitério do Alto de S. João, onde será cremado às 18h00.
Ao longo de quase 60 anos de carreira, Canto e Castro destacou-se no teatro, cinema e televisão (ver caixa), tendo os seus mais recentes trabalhos sido a peça de Filipe La Féria ‘Rainha do Ferro Velho’, em cena no Teatro Politeama, e a série ‘João Semana’, actualmente em exibição na RTP1.
Nascido em Lisboa, a 24 de Abril de 1930, Canto e Castro começou a trabalhar aos 12 anos, nos programas infantis da antiga Emissora Nacional.
Aos 17 anos, concluiu o curso de teatro do Conservatório Nacional com 18 valores e pouco depois estreou-se na Arte de Talma ao lado dos Comediantes de Lisboa, na peça ‘A Lição do Tempo’, sob a direcção artística de Francisco Ribeiro.
Desde então, contracenou com personalidades como António Silva, João Villaret, Laura Alves, Eunice Muñoz, Maria Barroso ou Carmen Dolores e passou pelos palcos do Teatro Nacional D. Maria, Teatro da Trindade e Teatro Aberto, entre outros.
Além do teatro e da televisão, Canto e Castro notabilizou-se também na Sétima Arte, ao participar em filmes como ‘Tráfico’, de João Botelho, ‘Cinco Dias, Cinco Noites’, de José Fonseca e Costa, ‘Longe da Vista’, de João Mário Grilo, ‘Manhã Submersa’, de Lauro António, ‘O Último Mergulho’, de João César Monteiro, ‘Capitães de Abril’, de Maria de Medeiros, entre outros.
INESQUECÍVEL NA TELEVISÃO
Apesar da sua grande paixão ter sido o teatro, a verdade é que Canto e Castro construiu uma sólida carreira na televisão. Além das dobragens de desenhos animados (na nossa memória ficará para sempre a voz dos esquilos ‘Tico’ e ‘Teco’ e de ‘Dartacão e os Três Moscãoteiros’), na década de 80, participou numa das séries mais emblemáticas do pequeno ecrã, ‘Duarte e Companhia’ (RTP1), onde deu vida ao professor Ventura. Entre muitos outros trabalhos, destacam-se ‘Crime na Pensão Estrelinha’ (1990) ‘Os Polícias’ (1998), que serviu de inspiração para ‘Esquadra de Polícia’ (1999), ‘O Fura Vidas’ (1999) e ‘Residencial Tejo’ (SIC). A sua carreira televisiva foi ainda marcada pela presença em séries de época da estação pública, sobretudo da autoria de Francisco Moita Flores, como ‘João Semana’ , ainda em exibição, ‘Ballet Rose’ (1998), ‘A Raia dos Medos’ (2000), ‘O Processo dos Távoras’ (2001) e ‘A Ferreirinha’ (2004). Em matéria de telenovelas, entrou em ‘Desencontros’ (1995), também de Moita Flores’, ‘Vidas de Sal’ (1996), ‘Anjo Selvagem’ (2001) e ‘Mistura Fina’ (2004), estas últimas da TVI.
O realizador que dirigiu Canto e Castro nos filmes ‘Longe da Vista’ e ‘451 Forte’ considerou-o uma “figura insubstituível”. “Não era aquilo que se pode considerar um actor de escola, mas um actor marcado por factores específicos que emprestava aos personagens, sempre baseado na verdade e não no fingimento”, frisou. João Mário Grilo, Realizador
“Era um belíssimo e extraordinário actor. Talvez um dos melhores da sua geração, embora não tivesse noção do seu valor, porque era uma pessoa muito despretenciosa”, afirmou Carmen Dolores, que conhecia Canto e Castro desde a Emissora Nacional. A actriz caracterizou-o ainda como uma “pessoa exemplar”. Carmen Dolores, actriz
Para Irene Cruz a morte de Canto e Castro representa uma “grande perda para o teatro”. “Era um querido. Tinha muita genica e entregava-se bastante ao que fazia. Nas pausas tinha sempre uma brincadeira ou uma piada para contar aos colegas”, recordou a actriz, que conheceu Canto e Castro ainda na Emissora Nacional.Irene Cruz, Actriz
“Era um grande actor que nunca foi especialmente reconhecido pelo público, apesar de o ser entre os colegas”, disse a actriz Alina Vaz, que com ele contracenou em ‘A Pobre Milionária’, no Teatro Monumental, em Lisboa. “Guardo as melhores recordações. Era um tipo muito giro”, rematou. Alina Vaz, actriz
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