Marilyn Manson, músico, volta amanhã ao Pavilhão Atlântico para um concerto em que promete prestar homenagem a Sintra, um dos mais belos locais que diz já ter visitado. Em entrevista ao CM, aquele que já foi apelidado de ‘Anticristo’ reconhece que já não choca ninguém e que, afinal, até é um romântico.
Correio da Manhã – Como será o espectáculo de amanhã em Lisboa?
Marilyn Manson – Pus ideias novas em prática e há lugar para o inesperado. Não tem os mesmos quadros mas é um espectáculo muito visual também. Em Lisboa, os fãs vão ter direito a uma homenagem especial. Vou projectar imagens que filmei há alguns anos, em Sintra. Foi dos sítios mais fantásticos onde já estive. Tem tanta história, mistério. Inspirou-me! Foi lá que tive a ideia de realizar um filme sobre Lewis Carrol.
– Mantém a ideia de filmar ‘Phantamasgoria’ em Portugal?
– Infelizmente não. Será filmado na Europa de Leste, lá para Março.
– Esta digressão pode sair em DVD?
– Sim. Aliás, vão andar umas câmaras no meio da multidão... se os fãs quiserem dar um contributo, estejam à-vontade!
– ‘Eat Me, Drink Me’ é o álbum em que menos fala de política e religião. Já não vale a pena?
– Exactamente. Vivemos num tempo em que já nada choca as pessoas. Ter feito canções críticas foi importante enquanto escritor e artista, mas neste momento o Mundo tem coisas mais importantes para tratar. Eu não consigo competir com certas realidades. Muitos têm dito que ‘Marilyn Manson já não choca ninguém’, mas creio que a coisa mais chocante que poderia ter feito foi este disco, ‘Eat Me, Drink Me’. Porque falo de mim, do amor, dos meus sentimentos. Alguém poderia prever isso? Nem eu me imaginei a fazê-lo. Houve um período de dúvida antes deste disco, porque já nem eu percebia que papel tinha no Mundo.
– Alguma vez pensou desistir?
– Sim e por várias razões. Não perdi apenas o sentido da música, mas da vida. A minha realidade pessoal também estava a estilhaçar-se. O meu casamento tornou--se algo contra o qual lutei toda a vida. Um estilo de vida de ‘passadeira vermelha’ que sempre detestei. Ao fazer ‘Eat Me, Drink Me’ percebi que era incapaz de separar a minha vida pessoal da artística...
– Como superou isso?
– Pintando, fazendo filmes e finalmente voltando à música. Sendo mais eu próprio e dando-me a conhecer ao Mundo dessa forma. Fui muito transparente e humano neste disco, que é um testemunho da minha vulnerabilidade. Afinal, sou igual a qualquer pessoa. Mostra que o meu ponto fraco é o coração. Daí a metáfora do vampiro, do amor na sua forma mais romântica e dramática.
– Agora que reencontrou o amor, vê-se a assentar ou até a ser pai?
– Sempre foi uma possibilidade. Não voltarei a mudar aquilo que sou por causa de uma relação, mas um filho pode acontecer. Claro que é uma grande responsabilidade. Mas acho que até tenho esse espaço na minha vida.
"SENTI-ME UM PRODUTO"
CM – Marilyn Manson é hoje, também, uma marca, um rótulo que faz vender. Como se sente nessa pele?
M.M. – Também por isso pensei desistir. A indústria fez-me sentir um produto porque me queria sempre mais famoso, mais comercial, mais mediático, por caminhos que não tinham nada a ver comigo. Esta indústria está uma treta, mas também está a mudar e isso dá-me esperança! Os artistas vão ter mais liberdade. Já controlei melhor as coisas neste disco e acredito que ainda o farei melhor no futuro.
"ACTO QUASE ESPIRITUAL"
CM – ‘Eat Me, Drink Me’ é um ritual da liturgia cristã. Não é uma contradição para alguém apelidado de ‘Anticristo’?
M.M. – A ambivalência existe em todos nós. A metáfora está relacionada com a personagem do vampiro. Quando era miúdo e ia à missa, sempre achei que havia algo de canibalesco naquela imagem de beber o sangue de Cristo e comer-lhe o corpo. ‘Consumir’ alguém sempre foi um acto quase espiritual. Era também essa a ideia da escrita de Lewis Carrol.
Brian Hugh Warner nasceu a 5 de Janeiro de 1969, no Ohio. Filho de pai católico e mãe de culto episcopal, Brian foi educado na religião da mãe. Antes de chegar a estrela rock foi estudante no Broward Community College, enquanto escrevia artigos de música para a revista ‘25th Parallel’. Foi assim que conheceu muitos músicos que haveriam de influenciar o seu reportório. Já na Florida, no final dos anos 80, funda a sua primeira banda, Marilyn Manson & the Spooky Kids.
O primeiro disco enquanto Marilyn Manson foi ‘Portrait of an American Family’, em ‘94, mas foi com ‘Antichrist Superstar’ (’96) que atingiria o estrelato. Foi acusado de satanismo e até de influenciar o massacre na escola de Columbine, em ‘99. É também pintor e está ainda ligado ao cinema. Na música, é autor de alguns dos maiores êxitos da última década, casos de ‘Beautiful People’ ou ‘Disposable Teens’.
Tem sugestões ou notícias para partilhar com o CM?
Envie para geral@cmjornal.pt
o que achou desta notícia?
concordam consigo
A redação do CM irá fazer uma avaliação e remover o comentário caso não respeite as Regras desta Comunidade.
O seu comentário contem palavras ou expressões que não cumprem as regras definidas para este espaço. Por favor reescreva o seu comentário.
O CM relembra a proibição de comentários de cariz obsceno, ofensivo, difamatório gerador de responsabilidade civil ou de comentários com conteúdo comercial.
O Correio da Manhã incentiva todos os Leitores a interagirem através de comentários às notícias publicadas no seu site, de uma maneira respeitadora com o cumprimento dos princípios legais e constitucionais. Assim são totalmente ilegítimos comentários de cariz ofensivo e indevidos/inadequados. Promovemos o pluralismo, a ética, a independência, a liberdade, a democracia, a coragem, a inquietude e a proximidade.
Ao comentar, o Leitor está a declarar que é o único e exclusivo titular dos direitos associados a esse conteúdo, e como tal é o único e exclusivo responsável por esses mesmos conteúdos, e que autoriza expressamente o Correio da Manhã a difundir o referido conteúdo, para todos e em quaisquer suportes ou formatos actualmente existentes ou que venham a existir.
O propósito da Política de Comentários do Correio da Manhã é apoiar o leitor, oferecendo uma plataforma de debate, seguindo as seguintes regras:
Recomendações:
- Os comentários não são uma carta. Não devem ser utilizadas cortesias nem agradecimentos;
Sanções:
- Se algum leitor não respeitar as regras referidas anteriormente (pontos 1 a 11), está automaticamente sujeito às seguintes sanções:
- O Correio da Manhã tem o direito de bloquear ou remover a conta de qualquer utilizador, ou qualquer comentário, a seu exclusivo critério, sempre que este viole, de algum modo, as regras previstas na presente Política de Comentários do Correio da Manhã, a Lei, a Constituição da República Portuguesa, ou que destabilize a comunidade;
- A existência de uma assinatura não justifica nem serve de fundamento para a quebra de alguma regra prevista na presente Política de Comentários do Correio da Manhã, da Lei ou da Constituição da República Portuguesa, seguindo a sanção referida no ponto anterior;
- O Correio da Manhã reserva-se na disponibilidade de monitorizar ou pré-visualizar os comentários antes de serem publicados.
Se surgir alguma dúvida não hesite a contactar-nos internetgeral@medialivre.pt ou para 210 494 000
O Correio da Manhã oferece nos seus artigos um espaço de comentário, que considera essencial para reflexão, debate e livre veiculação de opiniões e ideias e apela aos Leitores que sigam as regras básicas de uma convivência sã e de respeito pelos outros, promovendo um ambiente de respeito e fair-play.
Só após a atenta leitura das regras abaixo e posterior aceitação expressa será possível efectuar comentários às notícias publicados no Correio da Manhã.
A possibilidade de efetuar comentários neste espaço está limitada a Leitores registados e Leitores assinantes do Correio da Manhã Premium (“Leitor”).
Ao comentar, o Leitor está a declarar que é o único e exclusivo titular dos direitos associados a esse conteúdo, e como tal é o único e exclusivo responsável por esses mesmos conteúdos, e que autoriza o Correio da Manhã a difundir o referido conteúdo, para todos e em quaisquer suportes disponíveis.
O Leitor permanecerá o proprietário dos conteúdos que submeta ao Correio da Manhã e ao enviar tais conteúdos concede ao Correio da Manhã uma licença, gratuita, irrevogável, transmissível, exclusiva e perpétua para a utilização dos referidos conteúdos, em qualquer suporte ou formato atualmente existente no mercado ou que venha a surgir.
O Leitor obriga-se a garantir que os conteúdos que submete nos espaços de comentários do Correio da Manhã não são obscenos, ofensivos ou geradores de responsabilidade civil ou criminal e não violam o direito de propriedade intelectual de terceiros. O Leitor compromete-se, nomeadamente, a não utilizar os espaços de comentários do Correio da Manhã para: (i) fins comerciais, nomeadamente, difundindo mensagens publicitárias nos comentários ou em outros espaços, fora daqueles especificamente destinados à publicidade contratada nos termos adequados; (ii) difundir conteúdos de ódio, racismo, xenofobia ou discriminação ou que, de um modo geral, incentivem a violência ou a prática de atos ilícitos; (iii) difundir conteúdos que, de forma direta ou indireta, explícita ou implícita, tenham como objetivo, finalidade, resultado, consequência ou intenção, humilhar, denegrir ou atingir o bom-nome e reputação de terceiros.
O Leitor reconhece expressamente que é exclusivamente responsável pelo pagamento de quaisquer coimas, custas, encargos, multas, penalizações, indemnizações ou outros montantes que advenham da publicação dos seus comentários nos espaços de comentários do Correio da Manhã.
O Leitor reconhece que o Correio da Manhã não está obrigado a monitorizar, editar ou pré-visualizar os conteúdos ou comentários que são partilhados pelos Leitores nos seus espaços de comentário. No entanto, a redação do Correio da Manhã, reserva-se o direito de fazer uma pré-avaliação e não publicar comentários que não respeitem as presentes Regras.
Todos os comentários ou conteúdos que venham a ser partilhados pelo Leitor nos espaços de comentários do Correio da Manhã constituem a opinião exclusiva e única do seu autor, que só a este vincula e não refletem a opinião ou posição do Correio da Manhã ou de terceiros. O facto de um conteúdo ter sido difundido por um Leitor nos espaços de comentários do Correio da Manhã não pressupõe, de forma direta ou indireta, explícita ou implícita, que o Correio da Manhã teve qualquer conhecimento prévio do mesmo e muito menos que concorde, valide ou suporte o seu conteúdo.
ComportamentoO Correio da Manhã pode, em caso de violação das presentes Regras, suspender por tempo determinado, indeterminado ou mesmo proibir permanentemente a possibilidade de comentar, independentemente de ser assinante do Correio da Manhã Premium ou da sua classificação.
O Correio da Manhã reserva-se ao direito de apagar de imediato e sem qualquer aviso ou notificação prévia os comentários dos Leitores que não cumpram estas regras.
O Correio da Manhã ocultará de forma automática todos os comentários uma semana após a publicação dos mesmos.
Para usar esta funcionalidade deverá efetuar login.
Caso não esteja registado no site do Correio da Manhã, efetue o seu registo gratuito.
Escrever um comentário no CM é um convite ao respeito mútuo e à civilidade. Nunca censuramos posições políticas, mas somos inflexiveis com quaisquer agressões. Conheça as
Inicie sessão ou registe-se para comentar.