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Correio da Manhã

Cultura
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Ópera estreia com novos malandros

A popular ‘Ópera do Malandro’ de Chico Buarque regressa esta noite a palcos nacionais para mais uma temporada, que tem no Coliseu de Lisboa o seu ponto de partida.
10 de Março de 2006 às 00:00
Lucinha Lins e o filho Cláudio, com o produtor do espectáculo (esq.)
Lucinha Lins e o filho Cláudio, com o produtor do espectáculo (esq.) FOTO: Tiago Sousa Dias
Após o sucesso do ano passado, a ‘Ópera do Malandro’ surge agora remodelada e com novas atracções no elenco. Lucinha Lins, Claúdio Lins e Henrique Viana são as principais atracções de um espectáculo mais dinâmico e alicerçado nas canções de Chico Buarque.
“Vitória Régia é uma mulher que se acha chiquérrima mas é de quinta categoria. É perigosa, louca!”, revelou ao CM Lucinha Lins, sobre a sua personagem, que lhe valeu o troféu de Melhor Actriz de teatro no Brasil, em 2004.
A ‘cafetina’ (dona de bordel) de Lucinha é uma das personagens principais do elenco que se apresenta em Lisboa até dia 18, seguindo depois para o Porto.
Ao lado de Lucinha vai estar o ‘marido’ Nuno Leal Maia, que veste a pele de ‘Fernando Duran’, dono dos bordéis da Lapa carioca dos anos 40. E o malandro ‘Max Overseas’ regressa agora a Lisboa, num papel interpretado por Cláudio Lins, filho de Lucinha e do prestigiado músico Ivan.
“Contracenarmos juntos é natural. Estreei ao lado dela aos 11 anos”, disse ao CM o actor, que considera “uma honra” ser o ‘Malandro’ na história de Chico Buarque.
“Temos só uma cena juntos. Somos arqui-inimigos!”, acrescentou Lucinha, cujo maior medo é... “cair no palco. Já caí duas vezes porque sou míope. Na ‘Ópera’, nunca caí. Mas se cair, combina com a Vitória Régia”, brincou. Sobre a estreia desta noite, Lucinha confessou-se “apavorada. Mostro-me de uma forma muito grande, arrisco muito. Preciso sentir que também fui aprovada em Portugal!, concluiu.
A PEDIDO DO PÚBLICO
Em 2005, quando a ‘Ópera’ veio a Portugal, esgotou por onde passou (Lisboa, Figueira da Foz, Porto). Daí o regresso.
“Trouxe a ‘Ópera’ outra vez porque a reacção do público foi surpreendente. Um mês antes da estreia no CCB tínhamos os bilhetes esgotados”, lembrou o produtor da Mandrake, João Nuno Martins. Já este ano, “fomos várias vezes abordados por pessoas que nos perguntavam quando é que traríamos a ‘Ópera’”, acrescentou. Ela aí está, renovada.
DIGRESSÃO EM PORTUGAL
Depois de Lisboa, onde ficará em cena até dia 18, a ‘Ópera do Malandro’ segue para o Coliseu do Porto, onde se apresentará entre os dias 22 e 25. O espectáculo inicia depois de uma digressão que o vai levar a Ponta Delgada, Açores (7, 8 e 9 de Abril) e a Vilamoura, Algarve, onde ficará em cena nos dias 13, 15 e 16 de Abril.
"CHICO BUARQUE CHOROU" (Cláudio Botelho, Director musical)
Correio da Manhã – Como foi a reacção de Chico Buarque à peça?
Cláudio Botelho – Muito positiva. O Chico deu-nos carta branca e retirámos muita da política porque a obra, de 1978, tinha muitas metáforas ao regime e não funcionaria de novo. Agora é entretenimento, uma história de poder e de amor. No primeiro ensaio que ele viu, emocionou-se muito e chorou.
– Imaginava este sucesso em Portugal?
– Não, a previsão, mesmo no Rio do Janeiro (estreou, em 2003) era para três meses. Esteve lá um ano, depois foi a S. Paulo, Lisboa, voltou ao Rio, S. Paulo, está voltando a Lisboa, e segue em versão concerto.
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