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MICRONOVELA

Refúgio Proibido Um refúgio. Dois corações. Mil segredos.

“Quando as minhas filhas estão doentes, sou paranóico e vivo em ansiedade”*

Aos dez anos, o neurologista pediátrico Nuno Lobo Antunes era aluno do escritor Vergílio Ferreira. Um dia fez uma composição mas a avaliação foi negativa. "Durante anos fiquei inibido de escrever qualquer coisa que não fosse cartas à minha família", recorda.

24 de outubro de 2008 às 00:30

Volvidas décadas e com artigos científicos em publicações internacionais, ultrapassou o trauma e começou a publicar crónicas numa revista. A sua compilação, aliada a textos perdidos na gaveta, deu origem a ‘Sinto Muito’. 'O livro é um acto de loucura e de coragem', diz o irmão de António Lobo Antunes.

Em ‘Sinto Muito’, percorre várias fases da vida e partilha as angústias de um médico que lida diariamente com os mais novos. Como se ultrapassa a morte de crianças? 'Quando não se pode salvar o doente, consegue-se fazer o melhor possível. Fica-se com a consciência tranquila em relação ao que a profissão manda, mas obviamente que assistir à morte de uma criança é angustiante.'

Em 1994, deixou tudo e todos e mudou-se para os EUA. 'Trabalhei sete anos em neuro-oncologia pediátrica', recorda. Mas um dia voltou. Entre risos, confessa: 'A minha vida era lá mas foi em Portugal que me apaixonei.' E foi também em Portugal que voltou a ser pai (tem um filho adulto) de duas filhas, com cinco e três anos. Assume que é um pai exagerado: 'Quando as minhas filhas estão doentes, sou paranóico e vivo em ansiedade. Quando lhes ponho o termómetro, e sendo eu agnóstico, se a temperatura não passar dos 37 graus passo a ser crente!'.

PESSOAL

ISRAEL

'Gostava de visitar Israel para compreender melhor a tradição judaíco-cristã.'

COWBOYS

'Em miúdo adorava os cowboys, as pistolas, os xerifes e os vaqueiros. Um dos filmes que marcou a minha infância foi ‘Era Uma Vez no Oeste’.'

DEUS

'Sou agnóstico e quando consigo reflectir profundamente sobre as coisas sou ateu.'

PEDIATRIA

'A minha carreira foi influenciada pelos pediatras carinhosos que tive. Representavam o que não tinha em casa, porque o meu pai era extremamente austero.'

ESCLARECIMENTO

No dia 24 de Outubro o CM publicou uma entrevista, na página de leituras, ao neurologista Nuno Lobo Antunes com o título ‘Sou paranóico e vivo em ansiedade’. Esse título foi retirado de um testemunho do médico presente no texto, no qual Nuno Lobo Antunes confessa ser um pai paranóico e ansioso quando as suas duas filhas estão doentes. O CM esclarece que com este título não quis, de modo algum, ofender a integridade física e profissional do médico.

A entrevista do CM realizou-se na sequência do lançamento do livro ‘Sinto Muito’, no qual o médico compilou várias crónicas da sua autoria, algumas das quais inéditas.

* Este título foi alterado em relação à versão em papel por o CM considerar que poderia induzir os leitores em erro.

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