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Correio da Manhã

Cultura
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Ruy de Carvalho pede aos jornalistas que combatam Trump

O ator recordou que "um povo culto é um povo que sabe fazer aquilo que quer".
1 de Março de 2017 às 19:04
Ruy de Carvalho
Ruy de Carvalho na casa em que mora, em Paço de Arcos, Oeiras
Ruy de Carvalho
Ruy de Carvalho
Ruy de Carvalho
Ruy de Carvalho na casa em que mora, em Paço de Arcos, Oeiras
Ruy de Carvalho
Ruy de Carvalho
Ruy de Carvalho
Ruy de Carvalho na casa em que mora, em Paço de Arcos, Oeiras
Ruy de Carvalho
Ruy de Carvalho
O ator Ruy de Carvalho, que no dia do seu 90.º aniversário foi condecorado pelo Presidente da República, lamentou hoje que a cultura em Portugal esteja "um bocadinho abandonada" e pediu aos jornalistas para combaterem o Presidente norte-americano.

Ruy de Carvalho falava aos jornalistas na sala das Bicas, no Palácio de Belém, em Lisboa, à saída da cerimónia na qual o Presidente da República, Marcelo Rebelo de Sousa, o condecorou com a Grã-Cruz da Ordem de Mérito, a quinta condecoração na vida do ator que faz hoje 90 anos e conta já com 75 anos de carreira.

"Vamos com coragem, rapazes. Vamos pensar que o ministro da Cultura está a ouvir o que estamos a dizer. Eu acho que a cultura em Portugal está um bocadinho abandonada, que precisa de ser posta em cima", respondeu Ruy de Carvalho quando questionado sobre a mensagem que gostaria de deixar aos restantes atores.

O ator recordou que "um povo culto é um povo que sabe fazer aquilo que quer", considerando que "o povo só ordena quando tiver capacidade para governar".

"Desejo-vos um bom trabalho sempre e que tenham a profissão mais digna do mundo, que é o jornalismo, e que combatam o Trump, com aquilo que ele diz dos jornalistas. São grandes lutadores, os jornalistas, e colaboram muito no desenvolvimento do país quando trabalham nesse sentido", disse, dirigindo-se diretamente aos jornalistas presentes.

Na opinião de Ruy de Carvalho, "qualquer reconhecimento que seja feito aos atores e aos artistas em geral contribui sempre para o desenvolvimento e para a melhoria da qualidade" e é por isso que o público é tão necessário, seja para aplaudir ou para patear.

"Estou muito feliz, como calculam. É uma linda condecoração que recebi hoje, é um mérito que eu julgo que mereço pelo trabalho que fiz e pela vida que tenho feito como homem e como profissional do teatro", assumiu.

O ator assegurou que vai trabalhar sempre que o chamem: "nunca negarei o trabalho porque trabalhar ajuda-me a viver melhor".

Questionado sobre o que significavam os 90 anos que hoje completa, Ruy de Carvalho começou por dizer que estava muito emocionado e, deixando o microfone para trás, deslocou-se para mais perto dos jornalistas para ouvir as questões.

"Estou rico, minha filha, estou muito rico", disse, visivelmente emocionado.

A quem lhe pede que nunca morra, o ator lamentou não poder garantir que isso possa ser realidade, mas deixou um apelo: "foi-nos dada uma coisa que temos que respeitar que é a vida. Não deixem de viver a vida nunca".

Rui de Carvalho despediu-se do Palácio de Belém com um "até logo aqueles que forem à minha noite", referindo-se à homenagem no Salão Preto e Prata, do Casino Estoril, num espetáculo em que participam vários artistas, entre os quais Rui Veloso, Dulce Pontes, Luís Represas e Toy, além dos atores João e Henrique de Carvalho, respetivamente filho e neto do ator.
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