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Correio da Manhã

Cultura
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Samuel Úria: “Sou recôndito nos meus objetivos”

Músico reedita em vinil os álbuns ‘Nem Lhe Tocava’ (2009) ‘O Grande Medo do Pequeno Mundo’ (2013) e ‘Carga de Ombro’ (2016).
Miguel Azevedo 2 de Novembro de 2018 às 01:30
Músico Samuel Úria  decidiu oferecer aos fãs uma reedição dos seus álbuns em vinil e quatro novos temas
Samuel Úria
Samuel Úria
Músico Samuel Úria  decidiu oferecer aos fãs uma reedição dos seus álbuns em vinil e quatro novos temas
Samuel Úria
Samuel Úria
Músico Samuel Úria  decidiu oferecer aos fãs uma reedição dos seus álbuns em vinil e quatro novos temas
Samuel Úria
Samuel Úria
A propósito da reedição de ‘Nem Lhe Tocava’, ‘O Grande Medo do Pequeno Mundo’ e ‘Carga de Ombro’ fala numa "viagem no tempo em passo de marcha". Sentiu necessidade de ‘arrumar a casa’?
- Numa altura em que o digital toma conta da música, tenho saudades do tempo em que os formatos físicos nos obrigavam a dar uma atenção redobrada a um disco, nem que fosse a acionar o aparelho e a virar um vinil para o lado B. E isso faltava aos meus álbuns.

- Sentiu nostalgia em voltar a pegar nestes discos?
- Não, porque não houve por detrás qualquer necessidade saudosista. Para além do mais, não tenho paciência para me ouvir, a não ser por obrigação profissional.

- Estas reedições trazem o EP ‘Marcha Atroz’, com quatro novos temas...
- São composições que fiz no último ano e que estavam a ser projetadas para um longa duração. Só que, entretanto, esta hipótese do EP agradou-me. Se é verdade que há uma narrativa que se perde em relação à história de um álbum, ter quatro canções também me ajuda a estar mais seguro do que estou a apresentar porque significa que as trabalhei de forma muito mais intensiva.

- Que perceção tem do público que ouve Samuel Úria?
- É uma perceção que está sempre a ser renovada. Como sou desleixado com as redes sociais, a perceção que tenho é das pessoas que me esperam no final dos concertos. E é um público bem diverso.

- Mas não sente que há um interesse cada vez maior na sua música?
- A simples noção de que não estou a estagnar pode ser traduzido na noção de que estou a crescer. Hoje em dia não conquistar públicos novos faz com que os músicos sejam esquecidos ou preteridos por uma novidade qualquer. Mas tenho uma consciência humilde que me faz estar sempre com um olho aberto para perceber se estou a resvalar. Por outro lado também é verdade que não faço canções para um público abrangente. Às vezes gosto mesmo de ser recôndito nos meus objetivos.

PERFIL 
Samuel Úria nasceu em Tondela, 18 de Setembro de 1979. Na sua biografia oficial é apresentado como "meio homem meio gospel, mãos de fado e pés de roque enrole". É hoje um dos mais inspirados e originais autores portugueses com temas escritos para nomes como Ana Moura, António Zambujo, Clã ou Kátia Guerreiro.

Fez parte do movimento FlorCaveira, editora discográfica independente portuguesa fundada em 1999. O último disco ‘Carga de Ombro’ foi lançado em 2016.
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