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MICRONOVELA

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Sétima Legião revivem em palco os 30 anos da formação

A banda Sétima Legião vai assinalar os 30 anos do projecto com um regresso aos palcos da formação original para dois concertos, um no domingo, no Porto, e outro no dia 4 de Maio, em Lisboa.

27 de abril de 2012 às 09:49

"Não parece nada que passaram 30 anos, parece menos, mas hoje tocamos melhor do que há trinta anos", disse à agência Lusa Rodrigo Leão, o músico que, juntamente com Pedro Oliveira e Nuno Cruz, fundou a banda Sétima Legião, em 1982.

Na altura, os músicos tinham entre 18 e 20 anos e viviam em Lisboa o momento de expansão do rock português, com nomes como Rui Veloso, UHF, GNR e Xutos & Pontapés. A sonoridade do grupo denunciava influências da música pop rock inglesa, em particular o ambiente de Manchester e de bandas como Joy Divison.

Os primeiros temas da Sétima Legião ainda foram escritos em inglês, mas foi com as letras em português, quase todas de Francisco Ribeiro de Menezes, com a introdução de bombos e da gaita-de-foles, que conquistaram uma marca distintiva na música portuguesa.

Os concertos marcados para a Casa da Música (Porto) e para o Coliseu dos Recreios (Lisboa) reúnem os elementos que integraram a formação original da banda: Rodrigo Leão (baixo), Pedro Oliveira (voz e guitarra), Nuno Cruz (bateria), Gabriel Gomes (acordeão), Paulo Marinho (gaita de foles, flautas), Ricardo Camacho (teclas), Paulo Abelho (percussão) e Francisco Ribeiro de Menezes (teclas).

Ricardo Camacho, teclista, médico e investigador, explicou à agência Lusa que os espectáculos deverão ser longos, com mais de vinte temas, sobretudo os que ainda preservam a memória da banda, como "Glória", "Mar d'Outubro", "Sete Mares" e "Por quem não esqueci".

A banda Sétima Legião editou seis álbuns, desde "A um deus desconhecido" (1984) até "Sexto Sentido" (1999), nunca anunciou oficialmente um fim e os músicos foram tocando informalmente ao longo dos anos.

Agora, Rodrigo Leão, que prosseguiu carreira nos Madredeus e a solo, fala de um "nervosismo saudável" em recuperar as canções tal como eram e Ricardo Camacho sublinha que nada mudou nestes anos: "Discutimos imenso, mas mantemo-nos amigos".

Há elementos que continuaram na música, como Paulo Abelho e Paulo Marinho, outros que seguiram percursos paralelos, como Francisco Ribeiro de Menezes, diplomata e atual chefe de gabinete do primeiro-ministro.

Toda a discografia da Sétima Legião foi remasterizada e reeditada esta semana, juntamente com uma colectânea intitulada "Memória", que inclui um DVD com um concerto gravado nos anos 1990 no pavilhão Carlos Lopes, em Lisboa.

A discografia é, como referiu Ricardo Camacho, "um documento sobre uma banda que deixou alguma marca na música portuguesa". Sobre o público que estará nos concertos, Rodrigo Leão e Ricardo Camacho não sabem bem quem os aguarda.

"Possivelmente gente da nossa idade e que nos ouvia há trinta anos", disse Rodrigo Leão. "Se calhar algum público mais novo, que não nos conhece, mas que já nos ouviu na rádio", prosseguiu Ricardo Camacho.

A banda tem pelo menos mais dois concertos agendados para assinalar os 30 anos: um a 18 de Maio, nas Caldas da Rainha, e outro a 08 de Setembro, em Cascais.

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