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Correio da Manhã

Cultura
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SUZANA BORGES: QUERIA ALGO DIFERENTE DO REGISTO TELEVISIVO

Suzana Borges, actriz bem conhecida da TV, estreia esta noite, no Trindade Bar, um monólogo inspirado em Adília Lopes e José Luís Peixoto.
19 de Junho de 2003 às 00:00
Correio da Manhã - Como é que seleccionou os textos para este espectáculo?
Suzana Borges - Eu não conhecia a Adília Lopes, mas foi-me recomendada por amigos. Quando comprei a obra completa da escritora, fiquei fascinada. Em relação ao José Luís Peixoto, já conhecia algumas coisas, e gostava muito.
- Tem a noção de que são, embora em géneros distintos, dois autores muito na moda?
- (Risos) Tenho, mas não foi isso que me levou a escolhê-los.
- Decidiu fazer este espectáculo porque estava numa pausa de gravações?
- Sim, pode dizer-se isso, de forma diplomática. Precisava mesmo de trabalhar e decidi montar um espectáculo de teatro. É uma coisa que se pode fazer sozinha, ao contrário da televisão ou do cinema. Anteriormente, foi também numa 'pausa' que fiz um monólogo a partir da obra da Irene Lisboa.
- O que é que quer dizer o título do seu monólogo: "Uale - não posso encontrar"?
- 'Uale' é a última palavra de um poema da Adília e ela explicou-me que tinha sido retirada de um 'graffiti' encontrado nas ruínas de Pompeia. 'Não posso encontrar' é um verso do José Luís.
- O espectáculo é uma sucessão de textos desgarrados, poéticos, que evocam imagens no espírito do espectador mas não contam propriamente uma história. Não acha que o público espera sempre que lhe contem uma história quando vem ao teatro?
- Nem sempre. Pessoalmente, não é a história que me leva ao teatro. De qualquer maneira, acho que as pessoas que conhecem a obra da Adília e do José Luís sabem ao que vêm e eu queria, acima de tudo, fazer algo completamente diferente do registo televisivo.
- As pessoas conhecem-na sobretudo da televisão, onde tem dado corpo a personagens más...
- A minha personagem em 'O Olhar da Serpente' não é má. É antes uma vítima. Mas eu gosto de fazer de má. São sempre papéis muito bons de fazer. Há uma coisa de que gosto muito nas telenovelas: tem-se a oportunidade de fazer uma personagem ao longo de meses e de a ver evoluir, o que é óptimo. Por outro lado, quando as telenovelas vão para o ar em horários escandalosos, como é o caso de 'O Olhar da Serpente', e ninguém nos vê, é frustrante.
- O seu espectáculo vai ficar em cena no Teatro Bar do Trindade até 19 de Julho. Sempre pensou neste trabalho para um espaço assim, tão pouco convencional?
- Não. Foi só por falta de espaços disponíveis que acabei por fazer este monólogo aqui.
- E não acha que a perturbará? As pessoas a fumar e a beber enquanto a vêem representar?
- O fumo não me perturba e o bar vai estar fechado durante a duração do espectáculo que é apenas de 50 minutos. Espero que durante esse tempo as pessoas consigam estar em silêncio.
- A que tipo de público destina este trabalho?
- A todo o tipo de público. Não concebo o trabalho de teatro com um alvo preciso. Concebi este monólogo para todo o público e espero ter muita gente a ver- -me. Quanto mais melhor.
PERFIL
Suzana Borges estreou-se em teatro em 1979, dirigida por Osório Mateus no espectáculo "Tragédia Infantil", a partir de Frank Wedekind. Nos palcos, interpretou Brecht, Beckett, Tennessee Williams e Claudel, entre outros, e em cinema trabalhou com realizadores como José Nascimento, José Mário Grilo, João Botelho ou Raoul Ruiz.
Nos últimos anos, tem-se destacado no seu trabalho em televisão, onde fez telenovelas como "A Banqueira do Povo", "Desencontros" ou "Jardins Proibidos".
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