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Teatro: Ivo Canelas ri à moda de Mozart

Ivo Canelas diz que encarnar a figura de Wolfgang Mozart não está a ser fácil – sobretudo a recriação do famoso riso histriónico, de que, confessa, “ainda anda à procura”. Mas no espectáculo ‘Amadeus’, peça de Peter Shaffer que o encenador britânico Tim Carroll estreia a 8 de Setembro às 21h00 no Teatro Nacional D. Maria II (TNDM II), é a sua figura enérgica – e sempre perigosamente à beira do descontrolo – que nos cativa. Com ou sem gargalhada.

07 de setembro de 2011 às 00:30

O famoso e multipremiado texto, escrito em 1979 e que deu origem a um filme não menos famoso de Milos Forman (1984), conta a história – semificcionada – da rivalidade entre Salieri e Mozart, compositores que disputavam os favores da corte e do público no século XVIII. Como não raro acontece, o primeiro, mais conservador, reinava, enquanto Mozart, rebelde e inovador, estava em segundo plano.

Diogo Infante, que dá corpo a Salieri, diz que há muito queria levar a peça à cena, chamando para o efeito um encenador com experiência musical: Tim Carroll é também conhecido como encenador de óperas, tendo dirigido várias de Mozart.

Tim Carroll – que não gostou do filme de Milos Forman (“demasiado centrado na reconstituição histórica”) – explica que aqui o grande desafio foi enquadrar o trabalho dos actores dentro da “máquina” que é a peça de Shaffer: um exercício de disciplina em que cada um executa o que é proposto sem sair da partitura.

“Este é um texto muito difícil, porque tem uma estrutura musical e há que trabalhar dentro de balizas estanques. É algo a que não estou habituado, pois nos últimos dez anos tenho trabalhado sobretudo na área da improvisação”, explica o encenador.

Mas falar de Peter Shaffer é também falar das preocupações filosóficas deste autor britânico tido por um dos mais influentes do século XX. Nesta peça, considerada, juntamente com ‘Equus’, a sua obra-prima, questiona a existência de Deus para concluir que “Deus não ajuda”. Pelo contrário, “ri-se” dos sonhos dos homens e diverte-se com as suas quedas.

Aqui, um Salieri que anseia ser “a voz de Deus”, encontra num Mozart desleixado e dado a piadas escatológicas o compositor da verdadeira música celestial. Como se fosse uma piada divina de mau gosto.

Plasticamente, o cenário de F. Ribeiro recria, em cena, uma versão reduzida do próprio TNDM II – abrindo o espectáculo a uma nova leitura: a do teatro dentro do teatro. Neste caso, o encenador procurou envolver a sala no confronto entre mediocridade e genialidade.

A música de Mozart, usada nos momentos mais marcantes do espectáculo para assinalar os lampejos de criatividade do compositor, ajuda ao usufruto do projecto, bem como os belíssimos figurinos dos Storytailors.

Interpretam ainda Carla Chambel, João Lagarto, José Neves, Luís Lucas, Manuel Coelho, Martinho Silva e Rogério Vieira. Ver até 6 de Novembro.

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