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MICRONOVELA

Herança de sangue Há heranças que não se escolhem.

Testes obrigatórios agravam crise no setor da cultura

Mês de dezembro, que representava um pico de faturação, faz empresas bater no fundo.

30 de dezembro de 2021 às 08:44

A obrigatoriedade de apresentar teste negativo com comprovativo laboratorial para aceder a eventos de natureza cultural vem, neste final de mês de dezembro (tradicionalmente de grande faturação), agravar ainda mais a crise de um setor que já vive com a corda no pescoço. Rafaela Ribas, da Associação Espetáculo, que representa artistas e produtores, fala de “artistas, técnicos e agentes que já não sabem para onde se virar e no que acreditar”, acusando o Governo de “falta de estabilidade naquilo que são as medidas anunciadas e falta de antecipação”. E acrescenta em declarações ao CM: “O público também não sabe a quantas anda e retrai-se.” A isto juntam-se, diz a responsável, “as muitas festas e concertos cancelados neste final de ano”.

A necessidade de os espectadores apresentarem teste negativo antigénio ou PCR foi anunciada esta quarta-feira pela DGS como correção a “um lapso” que inicialmente referia apenas a necessidade do certificado de vacinação para acesso a eventos culturais até 2 de janeiro. Pedro Magalhães, da Associação Portuguesa de Serviços Técnicos para Eventos, refere que esta é “uma medida desequilibrada” num mês “catastrófico” (ver pág. 25). Álvaro Covões, da Associação de Promotores de Espetáculos, Festivais e Eventos, lembra que, com o teste negativo obrigatório, “as salas de espetáculos estão vazias desde 25 de dezembro e assim estarão até janeiro” e refere um “2021 pior” do que 2020, que já teve “quebra de 85% nos espectadores”.

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