Sempre achei que o triunfo pode acontecer em qualquer lado. Será a repercussão maior numa praça de primeira, sobretudo nas grandes capitais e nas feiras tradicionais. Mas o conteúdo, que é importante divulgar, esse não tem forçosamente a ver com o local: touro e toureiro encontram-se naquela hora, naquela arena, por entre a vontade do destino e o acaso que os homens quiseram acertar...
Dirão, muitos, que será mais fácil triunfar na província e em praças portáteis do que nos grandes centros de cultura taurina... devido à diferença de públicos. Mas, se o público é um ‘grande juiz’, não me consta que o bom juiz faça depender a sua sentença do tribunal onde faz o julgamento! O que conta é o conteúdo e a prova produzida, de pouco valendo o ‘advogado’ incauto e obtuso que, contrariando e deontologia e a ética da classe, deturpa e mente, mais por encomenda do cliente do que pela sua própria ignorância (por mais levezinha que ela seja...).
PROBLEMA DOS MATADORES
O caso dos matadores portugueses é paradigmático. Vem do tempo em que alguns deles se aproximavam da veterania, ao invés de jovens cavaleiros que apareciam e eram promovidos a vários níveis. Estes, correspondiam às expectativas e aos investimentos; os outros matadores eram relegados para o esquecimento.
Antigos forcados e próximos de cavaleiros foram-se assumindo como empresas taurinas e elegeram a corrida das suas preferências e interesses... Os de ‘a pé’ ficaram como a expressão indica, apenas resistindo por virtude de algumas adjudicações de praças que impõem o toureio a pé e pela influência de algumas tradições regionais afins.
Assim, aos jovens matadores portugueses que querem singrar, pensando afirmar-se além-fronteiras, a realidade nacional passa por tentar correr o País, ganhando nas portáteis o sítio que lhes é negado noutras arenas e lhes faça melhor triunfar quando for tempo de Lisboa, sendo que Alcochete, Vila Franca e Moita só chegam depois. Respeitem-se, pois, os que dão a cara e, com toiros de emoção, querem conquistar o público de um certo Portugal desconhecido, como recentemente aconteceu em S. Cristóvão. Por querer, valor e paixão! Em cada arena, uma monumental de sonhos, dispostos a triunfar ou morrer em qualquer lugar.
Eduardo Gallo que amanhã se apresenta no Campo Pequeno, é o jovem matador que impressionou milhares de portugueses no ano passado em Badajoz (São João) quando ali sofreu uma terrível cornada que o deixou entre a vida e a morte. Seja bem-vindo!
Manuel Dias Gomes em Cristina (Badajoz) foi, no último domingo, o novilheiro português triunfador, cortando duas orelhas e saindo em ombros.
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