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‘Encantamento’. Ao terceiro disco, Mafalda Arnauth volta a gravar canções com fado dentro. Sempre com a voz atravessada na alma.
Correio da Manhã – O título deste novo disco, “Encantamento”, é autobiográfico?
Mafalda Arnauth – De certa forma, sim. Ainda estou a aprender a descobrir e a gerar esse encantamento. Por outro lado, este disco é um convite para que as pessoas se deixem também encantar, não necessariamente por mim ou pela minha música, mas pela vida. Porque encantamento também é o meu estado de alma actual.
– Este parece ser um disco mais espontâneo, mais solto e menos inocente, quanto mais não seja pelo facto de assumir todo o trabalho de produção. Sentiu que este era o caminho que tinha de seguir?
– O João Gil, a Amélia Muge e o José Martins são os grandes responsáveis por eu ter assumido esta loucura de produzir. Eu tinha ideias muito definidas sobre aquilo que queria e, sobretudo, em relação ao que não queria. Este trabalho é, de facto, mais espontâneo mas tem ainda um bocadinho de ingenuidade no sentido de ter muito de instinto. Tem muitas letras escritas por instinto, mas eu adoro segui-lo porque raramente me falha.
– E enquanto produtora, a que é que se propôs quando partiu para este disco?
– Acima de tudo a acompanhar a definição das coisas mais pequenas. Cheguei a participar nas misturas e no “master” final e em tudo o que disse respeito à parte técnica. Resumidamente, não houve nada que não tivesse passado por mim. Neste disco acho que a minha produção passou por reunir os talentos que tinha à volta.
– Aquilo que faz são canções revestidas de fado ou fado revestido de canção?
– Eu gosto muito da frase “canções com fado dentro”. O que gosto é da música. O fado é para mim um estado de alma que se reflecte na voz. Por muito que eu cante outros estilos vou ter sempre tendência para fadistar.
– Fala-se na nova geração do fado. A Mariza, recém-premiada pela BBC, tem dois discos no “top”. Acha que o fado está na moda?
– Acho que a Mariza está num ponto excelente da sua carreira. Nós temos muito a tendência para nos apropriarmos do sucesso dos outros. O facto da Mariza estar no “top” é um feito dela e não do fado. Neste momento, acho que há falta de novos compositores e de poetas que escrevam. E sei que eles existem. Acho que é urgente criar um universo musical e letrista para o fado.
PERFIL
Nascida em Lisboa a 4 de Outubro de 1974, Mafalda Arnauth começou na música quase por acaso quando, estudante de veterinária, foi desafiada a cantar um fado durante uma praxe estudantil. À data de edição do seu primeiro trabalho homónimo, em 1999, já tinha percorrido meio Mundo a cantar. Em 2001 lançou o segundo trabalho, “Esta Voz Que me Atravessa”, com 12 temas produzidos por Amélia Muge.
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