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Correio da Manhã

Cultura
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Vida de bailarino português que foi internado por ser gay chega aos palcos do teatro

História verídica publicada num jornal inspirou a peça ‘Mário, a História de um Bailarino no Estado Novo’.
Ana Maria Ribeiro 12 de Agosto de 2019 às 08:55
Peça de teatro ‘Mário, a História de um Bailarino no Estado Novo'
Peça de teatro ‘Mário, a História de um Bailarino no Estado Novo' FOTO: Rui Olavo
Quando a atriz e encenadora São José Lapa leu, no jornal, a história, verídica, de um bailarino português que esteve internado no Hospital Psiquiátrico Miguel Bombarda, em Lisboa, durante 40 anos, para ser "curado" da homossexualidade, achou que a notícia merecia ir ao palco.

Encomendou a peça a Fernando Heitor, mas não teve dinheiro para produzir o espetáculo. O texto, porém, ficou. "Há uns tempos, em conversa com o ator Flávio Gil, falei-lhe da peça, que ficciona a história, e ele pediu-me para a ler.

Depois disse-me que queria fazer o monólogo. Mesmo que não tivéssemos um tostão...", conta Fernando Heitor, que acaba de estrear, no Cinema São Jorge, em Lisboa, ‘Mário, a História de um Bailarino no Estado Novo’.

"É a minha primeira peça, e tive receio que as pessoas não se interessassem pelo tema, mas apesar de termos estreado há pouco tempo, tenho tido a casa cheia de gente a aplaudir de pé. Muitos a chorar, emocionados, o que me surpreende e comove", revela o encenador, que não tem palavras para agradecer a Flávio Gil. "Encontrei nele um ator de grande talento e não posso esquecer que, sem o entusiasmo do Flávio, nada disto teria acontecido", acrescenta.

A equipa, que integra ainda os nomes de João Paulo Soares (direção musical), Carlos Prado (coreografia) e José Álvaro Correia (desenho de luz), está a ganhar à bilheteira, e depois do São Jorge (onde fica em cartaz até 1 de setembro), quer levar ‘Mário’ em tournée.
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