Portuguesa mais medalhada triste com saída da maratona dos Mundiais

Manuela Machado sagrou-se campeã do mundo da maratona em Gotemburgo1995, dois anos depois de ter conquistado a prata em Estugarda1993, um feito que repetiu em Atenas1997

23 de abril de 2026 às 09:18
Manuela Machado, a portuguesa com mais medalhas em maratonas em Campeonatos do Mundo de atletismo Foto: Direitos Reservados
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Manuela Machado, a portuguesa com mais medalhas em maratonas em Campeonatos do Mundo de atletismo, assumiu esta quinta-feira à Lusa a tristeza com a saída da prova dos Mundiais, a partir de 2030.

"Eu, como ex-atleta e ex-maratonista, fico triste por isto acontecer, porque realmente vão acabar por dividir, com a maratona que é uma disciplina com uma história tão grande. Fico bastante triste", afirmou a antiga maratonista, que apenas é batida no total de 'metais' pelas quatro de Fernanda Ribeiro e Nelson Évora, em declarações à Lusa.

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Manuela Machado sagrou-se campeã do mundo da maratona em Gotemburgo1995, dois anos depois de ter conquistado a prata em Estugarda1993, um feito que repetiu em Atenas1997, sempre com a emblemática prova incluída no programa dos Mundiais ao ar livre.

"Eu tenho cinco medalhas em Campeonatos da Europa e Campeonatos do Mundo e, de todas elas, só a de 1997 não partimos do estádio, mas foi a que teve mais simbolismo e, embora tivesse sido prata, foi, sem dúvida, a que mais gostei, porque partimos em Maratona e chegámos ao Estádio Olímpico de Atenas", recordou.

Em 07 de abril, a World Athletics anunciou a criação de um campeonato autónomo para a maratona, a partir de 2030, alternando anualmente entre edições masculinas e femininas, determinando Pequim2027 e a edição de 2029 como as últimas a incluírem esta competição.

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"Eu já não gostava muito de ver as maratonas nos Jogos Olímpicos e nos Campeonatos do Mundo, porque já pareciam mais uma maratona comercial, porque não se terminava no estádio, nem se partia no estádio como no meu tempo. Agora, fico ainda mais desagradada e triste por a disciplina, que eu tanto gostei, na qual eu fiz história, ter ficado à parte", lamentou, considerando "um desprezo pela maratona".

Aos 62 anos, Manuela Machado, atual funcionária do Município de Viana do Castelo, recorda os momentos finais de cada uma das suas participações.

"Só aquela partida, com uma volta ao estádio, e chegas com aquela multidão, que estava a assistir às outras disciplinas, sentias um arrepio de tal forma...aí sentíamos os verdadeiros Campeonatos do Mundo e os verdadeiro Jogos Olímpicos", sublinhou.

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A separação da mais longa das corridas de fundo das provas do estádio merece a condenação de Manuela Machado, que ainda é, juntamente com Rosa Mota, campeã em Roma1987, a única medalhada lusa na maratona dos Mundiais -- esta disciplina é a segunda com mais medalhas nacionais, atrás das seis no triplo salto.

"Ai, que coisa tão sem jeito! Não tem o mesmo simbolismo que no meu tempo, mas, se calhar, pode dar oportunidade aos atletas que correm os 10.000 metros também participarem na maratona, só se for por isso, porque, na verdade, eu gostava muito mais como era no meu tempo", concluiu.

Além das três medalhas nas maratonas de Mundiais, Manuela Machado sagrou-se ainda duas vezes campeã da Europa, nas edições dos Campeonatos de Helsínquia1994 e Budapeste1998, detendo ainda dois diplomas olímpicos, com os sétimos lugares em Barcelona1992 e Atlanta1996.

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A vianense foi ainda segunda nas maratonas de Nova Iorque e Londres, em 1995, e Tóquio, em 1996, tendo como recorde pessoal as 02:25.09 horas do terceiro lugar na capital britânica, em 1999, ainda hoje a sétima portuguesa mais rápida de sempre nos 42,195 quilómetros.

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