Ruben Vezo realizou meia época no V. Setúbal e transferiu-se para o Valência. Na estreia a titular pelo clube espanhol marcou um golo
Correio Sport – Na estreia a titular pelo Valência apontou o golo da vitória contra o Granada (2-1). Como viveu esse momento?
Rúben Vezo – Foi um golo importante, porque valeu o triunfo num jogo que estava complicado. Curiosamente, o João Pereira tinha-me dito que eu ia marcar o golo da vitória. Estávamos no estágio e ele foi o meu colega de quarto. No fim de termos almoçado, disse-me para dormir e descansar bem que ia marcar. E assim foi...
- A presença de dois portugueses [João Pereira e Ricardo Costa] facilitou a adaptação ao Valência?
- Sem dúvida. A vinda para Espanha foi um salto em frente na minha carreira e o Valência é um clube gigante e tenho colegas com muitos anos de ‘casa’ – o Ricardo Costa até é o capitão – a aconselharem-me muito.
- Levou a família consigo neste passo da carreira?
- Sim, para facilitar a adaptação. Quando as coisas correm bem é fácil viver uma mudança destas. Só que quando correm mal é na família que se procura a estabilidade emocional.
- Que razões o levaram a sair de Portugal com 19 anos? Não acha que saiu muito cedo?
- Quando me apresentaram a proposta para vir para o Valência disseram-me que era o clube ideal para continuar a evoluir. Eu concordei. A minha prioridade neste momento é crescer como jogador. No Valência estou num grande clube e numa das ligas mais competitivas do Mundo. Tenho todas as condições para evoluir.
- O aspeto financeiro contribuiu para a transferência?
- Não foi a principal razão da minha decisão. Contudo, é natural que tenha tido o seu peso.
- Continua a acompanhar o campeonato português?
- Sim, tento ver todos os jogos na televisão. Quando não posso, acompanho os resultados pela internet.
- Como está a ver a luta entre os três grandes pelo título?
- Vai ser até ao fim do Campeonato. As três equipas estão muito equilibradas e jogam um bom futebol.
- Os sete pontos de desvantagem do FC Porto para o Benfica não afastam os dragões da luta pelo título?
- Não. Sete pontos não é nada. Há vários exemplos de equipas que tinham cinco ou seis pontos de vantagem e depois não venceram. O FC Porto está
a atravessar um momento
difícil, contudo, é um clube muito grande, que está acostumado a vencer e vai dar a volta
à situação.
- Considera que o Benfica vai desperdiçar esta vantagem?
- O Benfica só depende de si. Se não facilitar é campeão. Porém, tem duas equipas à espera de uma falha. Por outro lado, com o que se passou na época anterior o Benfica é uma equipa com mais experiência e acredito que está mais preparada para evitar falhas desse género.
- Na época anterior, o Sporting ficou no 7º lugar do Campeonato. Está surpreendido por a equipa estar na luta pelos lugares do topo?
- Olhando para a classificação da temporada anterior, era difícil imaginar que estivessem no topo já esta época. Mas, felizmente para o Sporting, e para o futebol português, o clube encontrou a estabilidade que teve noutros anos.
- Qual é o clube do seu coração?
- O V. Setúbal. É onde fui formado, cresci e tive a oportunidade para me estrear. Foi devido ao Vitória que cheguei onde estou hoje. Ainda sou sócio.
- Acredita que os sadinos vão garantir a manutenção?
- Sim. Tenho quase a certeza absoluta. Faltam cinco ou seis pontos para a manutenção e ainda há dez jornadas para disputar. Além disso, a equipa também está a jogar um bom futebol e tem todas as condições para assegurar a manutenção mais cedo do que o previsto.
- A entrada de José Couceiro foi uma aposta ganha do V. Setúbal?
- Sim. Felizmente ele está a fazer um bom trabalho. Vai conseguir alcançar os objetivos propostos quando assinou pelo clube.
- O que faltou com o treinador José Mota?
- É difícil de explicar o que se passou. Os resultados não apareciam e faltou um pouco de sorte. O grupo estava bem e trabalhava para conseguir mais. Havia um bom ambiente no balneário. Porém, dentro do campo os resultados não surgiam.
- Com a saída de Fernando Oliveira o V. Setúbal está sem presidente. Tem acompanhado a situação diretiva?
- O que sei sobre a situação é pelas notícias. São assuntos que não me competem e que prefiro não comentar.
- Tem algum treinador que seja a sua referência?
- Sempre tive boas relações com todos os treinadores e é difícil individualizar. Penso que o mais decisivo foi o mister José Mota, porque apostou num jovem que ninguém conhecia. É sempre mais fácil apostar num avançado porque se ele errar ainda está toda uma equipa atrás dele. Mas quando falamos de um defesa-central, em caso de falha só tem atrás o guarda-redes.
- Chegou a ter proposta de algum do três grandes?
- Que eu saiba, nunca houve.
- Mas gostava de representar algum desses clubes?
- Agora estou concentrado no Valência. Se um dia essa oportunidade surgir, gostava de a aproveitar.
- Tem preferência por algum?
- Não. São três clubes muito grandes e com muito valor.
- Tem feito parte das escolhas do selecionador sub-21. Sente que está no bom caminho para um dia representar a seleção A?
- É o sonho de qualquer jogador representar o seu país. Não fujo à regra e é uma felicidade enorme ser chamado para a Seleção.
- Nos últimos tempos, o selecionador Paulo Bento mostrou estar atento aos portugueses mais jovens ...
- São uma motivação para mim e espero seguir os exemplos de Bruma e William Carvalho.
- Estando no Valência, onde jogam dois internacionais portugueses, mais depressa aparece no radar de Paulo Bento...
- É possível. Se calhar ele até já sabe quem eu sou. Mas não sei se já se deslocou de propósito para observar um jogo meu.
- Até onde acha que a seleção nacional pode ir no Mundial do Brasil?
- Tenho a certeza de que Portugal vai fazer uma boa campanha e que os jogadores vão dignificar o País. Mas é difícil dizer até onde a Seleção vai chegar. Vai ser preciso pensar jogo a jogo e encarar todas as partidas como se fossem uma final.
- O seu pai nasceu em Cabo Verde. Tem dupla nacionalidade?
- Não. Talvez um dia venha a naturalizar-me se não conseguir jogar pela seleção de Portugal. Mas sinto-me e sou português.
- Quem é o seu ídolo?
- O Thiago Silva [PSG], porque me identifico muito com ele na forma de jogar. Era muito bom se conseguisse uma carreira como a dele, porque era sinal que tinha estado no topo do futebol. Também gosto muito de Cristiano Ronaldo pela forma como trabalha e pela sua mentalidade. É o melhor jogador do Mundo e impressiona a forma como numa época marcou 69 golos a extremo. Há avançados que em quatro épocas não atingem esses números.
RUBEN MIGUEL NUNES VEZO nasceu em Setúbal, a 25 de abril de 1994, e tem 19 anos. Filho de pai cabo-verdiano e mãe portuguesa, entrou com 11 anos para os escalões de formação do Vitória de Setúbal. No início da temporada estreou-se pelos sadinos na Liga, tendo completado com a camisola da formação de Setúbal mais 17 partidas. Após ter feito meia época com a camisola do V. Setúbal, transferiu-se por 1,5 milhões de euros para o Valência, onde encontrou João Pereira e Ricardo Costa. É internacional sub-21.
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