Benfica até esteve a vencer, mas permitiu o 1-1 no início do segundo tempo. Equipa de Jorge Jesus incapaz de reverter a igualdade.
A arbitragem e os vários infetados por Covid-19 podem justificar mais um empate do Benfica (terceiro este mês), mas não explicam tudo. A equipa de Jorge Jesus pode ver o rival Sporting fugir ainda mais na tabela, uma semana antes do dérbi em Alvalade.
Svilar surgiu no lugar de Odysseas (um dos últimos a dar positivo à Covid-19), Ferro no lugar de Todibo e Chiquinho em vez de Taarabt. As alterações (apesar das poucas soluções) até resultaram.
O Benfica entrou forte e dominador, com o Nacional subjugado praticamente à sua área. Logo aos 7’, Chiquinho marcou, após passe de João Ferreira, mas o defesa estava ligeiramente adiantado no início da jogada. Estava dado o mote para o que se seguiu. Com Pizzi na assistência, Chiquinho (agora de cabeça) a fazer o primeiro do encontro. Depois, o jogo como que adormeceu. O Nacional subiu linhas, mas o Benfica controlava as operações à distância.
Com o ritmo baixo, o conjunto insular pôs à prova Svilar num remate frontal, ou seja, um final de primeira parte que já dava sinais daquilo que se ia passar.
O Nacional surgiu mais afoito e empatou logo a abrir, num canto (mais um golo de bola parada sofrido pelas águias). Os insulares ensaiaram o lance e à segunda chance, perante uma total apatia da defesa e de Svilar, Rochez marcou.
Faltavam mais de 40 minutos para os encarnados tentarem vencer. Mas não conseguiram. A equipa desligou-se e perdeu fulgor, como noutros jogos e sem ausências importantes. O Benfica passou a jogar mais no meio-campo adversário e, numa descida rápida pela esquerda, ficou a reclamar de um penálti por mão de Nuno Borges.
Com um ataque inconsequente, Jorge Jesus tentou dar alguma frescura e atrevimento, fazendo entrar Pedrinho e Gonçalo Ramos. Foi precisamente do jovem português a única (sim, a única) chance das águias no segundo tempo. Isolado pela direita, atirou para defesa de Daniel. Até final, a abnegada defesa do Nacional foi sempre superior perante um Benfica fraco e sem chama.
A equipa de Jorge Jesus, com todos os condicionalismos, continua a ter um difícil mês de janeiro. Três empates e uma vitória na Liga, derrota na final four da Taça da Liga e triunfo na Taça de Portugal. Segue-se o Belenenses na prova-rainha (quinta-feira) e o Sporting dentro de uma semana (Liga).
"Há momentos em que nos perdemos"
O técnico falou do lance polémico na área do Nacional. “Vi que o jogador tira a bola com a mão. Mas já houve várias jogadas assim. O Benfica não tem um penálti a favor. Não me quero desculpar, jogámos o suficiente para ter ganho”, disse.Chiquinho: “o futebol é assim. não temos tempo para lamentações”“Foi um jogo em que fomos completamente superiores. Tivemos oportunidades suficientes na primeira e na segunda partes para ganhar. O Nacional aproveitou um erro nosso para marcar. O futebol é assim. Não temos tempo para lamentações”, disse Chiquinho à BTV no final do encontro. Do lado do Nacional, o avançado Rochez destacou a boa exibição: “Sabíamos que estávamos a jogar contra um adversário muito superior a nós. Tivemos essa paciência para empatar o jogo.”
Já o técnico Luís Freire salientou que o empate da sua equipa na Luz “sabe como uma vitória”. “Fizemos uma boa exibição”, disse.chiquinho foi chicão até ter pernaso Svilar – Não teve muito que fazer, mas, no lance do empate, o cruzamento pareceu estar ao seu alcance.
o João Ferreira – Desatenções e passes falhados. A ver Rochez marcar o 1-1. Fraco.
o Jardel – Esteve quase sempre competente, apesar de algumas falhas menores.
o Ferro – Exibição regular, com alguns calafrios.
o Cervi – Bela primeira parte do argentino. Foi o que teve mais recuperações e desceu sempre com perigo pelo flanco. Depois perdeu fulgor.
o Weigl – Atuação regular. Parece ter ficado apático no cruzamento que deu o empate ao Nacional.
o Pizzi – Viu-se mais nos duelos a meio-campo. Ainda assim, a assistência da ordem e um remate prensado no segundo tempo.
o Rafa – Complicativo e desligado do jogo.
o Darwin – Muita luta, mas pouco acerto. Em défice de confiança, foi o primeiro a sair.
o Seferovic – Jogo para esquecer do suíço. Perdas de bolas e más decisões que levaram Jesus ao desespero.
o Pedrinho – Nada de novo trouxe ao jogo.
o Gonçalo Ramos – Entrou com vontade e teve uma boa chance num remate perigoso. Depois, apagou-se.
o Taarabt – Vontade não lhe faltou para mudar o rumo dos acontecimentos. Acerto é que teve pouco.ChiquinhoMarcou mas o árbitro anulou. Logo a seguir voltou a estar no sítio certo para o 1-0. Mostra argumentos a Jesus para permanecer no plantel. Em quebra física, apagou-se no 2.º tempo.
ANÁLISE
+ Solidariedade insular
Cada equipa luta com as armas que tem. O Nacional pouco assustou o Benfica, mas conseguiu um golo de bola parada. Depois defendeu com unhas e dentes um empate que sabe a vitória, num estádio onde há bem pouco tempo foi goleado por 10-0.
Darwin e Seferovic voltaram a formar dupla no ataque e mais uma vez ficaram em branco. O uruguaio luta mas está sempre longe da baliza. O suíço (durou os 90’, imagine-se) esteve infetado, perdeu peso, mas as debilidades físicas não explicam tudo.
Golo anulado de difícil análise pelo assistente, mas bem decidido pelo VAR por fora de jogo de 19 cm. Penálti por assinalar contra o Nacional por mão de Nuno Borges. Dúvidas numa mão de Jardel na área encarnada e de Rui Correia na do Nacional.
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