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MICRONOVELA

Herança de sangue Há heranças que não se escolhem.

Autogolo salva líder confuso

Pela primeira vez sem Baía na baliza – remetido para o banco devido aos golos sofridos na Amadora –, o FC Porto bateu a Naval no Dragão com uma primeira parte razoável, que deu aquela que viria a ser a vantagem final (1-0) e salvou o importante: ganhar os três pontos e manter o Benfica à distância.

22 de janeiro de 2006 às 00:00

O esquema muito ofensivo, em teoria pelo menos, desenhado por Adriaanse, não deu um grande jogo embora com oportunidades suficientes para ganhar com mais tranquilidade. A Naval, apesar de ter crescido um pouco na segunda parte, também por culpa do FC Porto, só aos 77’ teve uma oportunidade de golo, na única defesa difícil de Hélton.

O guarda-redes brasileiro, seguramente um dos melhores que está em Portugal, fez bem feito tudo o que teve de fazer, nomeadamente saindo com atenção e segurança aos cruzamentos, e é bem capaz de passar os próximos tempos como titular.

O FC Porto começou ontem com o esquema táctico em 3x3x4, na linha do que fizera na segunda parte do jogo com o E. Amadora, de domingo passado, e no treino com o Dínamo de Moscovo a meio da semana. A coisa não correu demasiado bem e a primeira parte rendeu apenas um golo, marcado aliás na própria baliza por Fernando, após um cruzamento de Quaresma do lado direito.

O golo surgiu à meia hora, depois de algumas oportunidades desperdiçadas, mas foi sobretudo um jogo de sentido único e esmagadora posse de bola dos líderes do campeonato. Com Ricardo Costa, Pepe e Cech na defesa e Bosingwa, Lucho e Ibson no meio-campo, o FC Porto dominava, tinha a bola, mas encontrava uma defesa reforçadíssima do lado da Naval. Álvaro Magalhães desenhara, em teoria, um 4x3x3 com Lito, Fogaça e Saúlo no ataque, mas Lito e Saúlo tiveram de ser sobretudo defesas, pelo que o meio-campo do FC Porto se alugava de forma permanente. Faltava, isso sim, iniciativas dos homens do meio para romper o sistema da Naval e o golo surgiu precisamente de uma arrancada de Ibson pelo meio que criou desequilíbrios na defesa da Figueira da Foz.

Ao intervalo, Diego substituiu o desinspirado Lisandro, mas a segunda parte foi um desastre sobretudo da parte do líder, que tem de mostrar muito mais se o quiser ser no fim da prova.

Local: Estádio do Dragão, no Porto

Árbitro: João Vilas Boas (Braga)

FC PORTO: Hélton, Pepe, Ricardo Costa, Cech, Bosingwa, Ibson (Raúl Meireles 83’), Lucho Gonzalez, Alan (Jorginho 90’), Quaresma, Adriano, Lisandro Lopez (Diego 45’). Treinador: Co Adriaanse

NAVAL: Taborda, Carlitos, Fernando, Franco,

China, Gilmar, Solimar (Cazarine 88’), Pedro Santos (Fajardo 59’), Lito, Saulo, Fogaça (Rui Miguel 66’). Treinador: Álvaro Magalhães

POSITIVO: PEPE E TABORDA

No esquema do FC Porto, de 3x3x4, havia especiais responsabilidades para Pepe, que tinha de cobrir uma zona muito ampla de terreno, coisa que o brasileiro, em boa forma, fez praticamente sem erros. Isto, obviamente, quer dizer que o esquema ofensivo do FC Porto não merece elogios. Mesmo assim, Taborda fez duas ou três defesas muito boas e sobretudo deu tranquilidade à equipa.

NEGATIVO: CO ADRIAANSE E NAVAL

A tentativa de jogar desde o início com um esquema muito ofensivo, mas que a equipa domina mal, levou o FC Porto a muitas confusões. A titularidade de Hélton na baliza é justificada – aí bem – pelos últimos golos sofridos por Vítor Baía. Por outro lado, Lisandro está claramente em quebra de forma, daí a substituição ao intervalo. Já a Naval foi sempre demasiado curta, embora perdendo com um golo na própria baliza.

HÉLTON SATISFEITO

O brasileiro Hélton fez ontem a estreia pelo FC Porto em jogos da Liga portuguesa. No final, o jogador revelou a sua satisfação e ainda contou que recebeu um forte apoio do seu colega Vítor Baía. “Foi uma boa estreia, já que conseguimos ganhar. Não tive muito trabalho, sobretudo, porque os meus colegas fizeram um excelente trabalho. Aproveito também para agradecer o apoio do Vítor Baía. Ele ajudou-me imenso, o Vítor é grande”, revelou o guarda-redes no final da partida de ontem.

TREINADORES

Ambos os treinadores de FC Porto e Naval, Co Adriaanse e Álvaro Magalhães, respectivamente, não foram para o banco por castigo disciplinar. Os dois técnicos viram o encontro da bancada presidencial do estádio do Dragão, mas ficaram distantes um do outro. O holandês sentou-se ao lado do presidente Pinto da Costa e do assessor Antero Henriques.

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