Dias da Cunha, ex-presidente do Sporting, e outro administrador do clube, foram constituídos arguidos no caso José Veiga/João Pinto, a propósito da investigação que está a ser feita sobre a transferência do atleta para Alvalade no ano 2000. Os dirigentes leoninos foram ouvidos já em Janeiro deste ano, a propósito do último pagamento feito ao jogador.
A constituição de arguidos aconteceu numa altura em que diversos dirigentes leoninos foram ouvidos pelas autoridades, tendo também sido ouvidos, na qualidade de testemunhas, outros responsáveis.
Em declarações à Lusa, Dias da Cunha confirmou a diligência das autoridades, garantindo que a sua inquirição nada teve a ver com o negócio propriamente dito. “Foi pago aquilo que faltava e o João Pinto fez a quitação”, disse, assegurando: “O que está a ser investigado tem a ver com a contratação do João Pinto em 2000, ainda eu não era presidente do Sporting”.
Ainda de acordo com o antigo líder leonino, “o documento tem uma primeira versão dos serviços do Sporting e tem uma segunda versão, em que são feitas alterações por quem assessorava o João Pinto em termos jurídicos”. “Há ligeiríssimas incorrecções, que não beneficiam nem prejudicam quem quer que seja e aqui estou a englobar o próprio Estado”, afirmou.
Ainda segundo o CM apurou, o outro dirigente leonino também ouvido pelas autoridades na qualidade de arguido foi-o pelo mesmo motivo. Pelo pagamento da última tranche e não por causa do negócio da transferência propriamente dito.
Recorde-se, ainda, que este processo está praticamente investigado, faltando apenas, para a dedução da acusação pública, do recebimento de uma carta rogatória que foi pedida ao Luxemburgo – para uma conta bancária onde os pagamentos pelos direitos desportivos do atleta foram transferidos.
JÁ HÁ OFERTAS POR VELOSO
Paulo Barbosa, empresário de Miguel Veloso, confirmou ontem que um clube de top da liga inglesa fez uma oferta que anda muito perto dos 30 milhões de euros da cláusula de rescisão do jovem médio. “Tem havido muitos contactos e propostas de Inglaterra. Não vou nomear os clubes, mas um deles fez uma oferta que não está longe da cláusula de rescisão do Miguel Veloso”, disse o agente ao jornal inglês ‘News of the World’, acrescentando: “Se houver acordo com o Sporting e com o jogador é possível que ele saia. Mas não há pressa ou o desejo de que isso aconteça já.”
A cláusula de rescisão de Miguel Veloso tem um prazo para ser exercida – entre 15 de Maio e 15 de Junho – pelo que os interessados (Arsenal, Manchester United e Real Madrid) vão entrar num braço de ferro pelo jogador. O CM sabe que o Sporting só admite a saída pelo valor fixado na rescisão.
POLGA DE VOLTA AO RELVADO
Anderson Polga já treinou ontem no relvado, ainda que de forma condicionada. O defesa central internacional brasileiro deverá ser poupado no jogo de sábado, frente ao Fátima, de forma estar em pleno para o desafio de terça-feira, para a Liga dos Campeões, diante da AS Roma. Polga apresenta uma lesão na coxa direita de natureza muscular, mas que segundo o departamento médico dos leões, não é grave. Também Pereirinha já treinou ontem no relvado, mas tal como Polga, de forma condicionada, devido a uma entorse na tibiotársica direita.
Purovic disse em entrevista ao jornal do clube que “o Sporting tem a melhor equipa portuguesa”, refere o ponta-de-lança montenegrino.
Paulo Barbosa disse ontem ao CM desconhecer que Izmailov tivesse sido apanhado por excesso de velocidade em Cascais, notícia ontem avançada.
OUTROS ARGUIDOS
Além dos dirigentes leoninos há outros dois arguidos no processo.João Pinto e José Veiga, o primeiro começou como queixoso, alegando que não tinha recebido o dinheiro, mas foi depois constituído arguido por suspeita de fraude fiscal.
MAIS DE TRÊS MILHÕES
Está em causa o pagamento de uma verba de três milhões e 272 mil euros, devido à transferência de João Vieira Pinto para o Sporting, na época 2000/2001. José Veiga foi detido o ano passado e indiciado por fraude fiscal e burla qualificada.
REACÇÕES
O Sporting publicou ontem no seu site um esclarecimento dando conta de que o processo ainda corre e que, devido ao segredo de justiça, “não é possível entrar em detalhes acerca do mesmo”. Disse ainda o clube que o ex-dirigente apenas foi ouvido “em relação a questões formais de um documento que assinou enquanto administrador da SAD, em 2005, o qual nada tem a ver com o negócio realizado em 2000”.
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