Defesa já é ídolo no Chelsea mas não esquece os tempos na Luz. Sobre Jorge Jesus, diz ser “o homem certo” para as águias.
Correio Sport – Chegou, viu e venceu. Esperava afirmar-se tão depressa no Chelsea?
David Luiz – Não esperava esta idolatria em tão pouco tempo. Ter ajudado o Chelsea com dois grandes golos, contra o Manchester United e o City, foi importante. Mas vou manter os pés no chão.
– É reconhecido na rua?
– Reconhecem-me a milhas, por causa do cabelo (risos).
– Como é que reagiu quando viu o Chelsea a vender perucas à David Luiz?
– Foi surreal, não queria acreditar. Depois senti um orgulho enorme: esgotaram nas lojas todas do clube. Não esperava ser tão apoiado.
– Durante os jogos, repara nas perucas?
– Evito olhar, é demasiado engraçado. Os caracóis eram a minha imagem em Portugal mas aqui é a loucura.
– Alguma vez se sentiu incomodado com essa adoração?
– Nunca. São os adeptos que vêem o futebol e fazem dos jogadores uns craques ou uns falhados. Tento ser exemplo também fora de campo.
– O que lhe agrada no Chelsea?
– A harmonia entre jogadores, funcionários, cozinheiros e categorias de base. O Chelsea é um clube como o Benfica. É lindo.
– Quem o ajudou na adaptação a Inglaterra?
– O Paulo Ferreira ajudou-me nas entrevistas, porque está em Londres há muito tempo e fala bem inglês.
– Que metas tem no Chelsea?
– Para já, ser campeão. A liga pode decidir-se nesta jornada [amanhã], em Manchester. Estamos a três pontos do nosso adversário de amanhã, o Manchester United.
- Roman Abramovich é um presidente acessível?
- É educado, cumprimenta a equipa toda. O Chelsea tem uma estrutura tremenda. Assim que cheguei perguntaram-me o que é que eu precisava para estar tranquilo e me focar só no futebol. Ofereceram-me tudo. Incrível!
- Aulas de inglês também?
- Sim. Arranjaram-me um professor. Também faço um curso de inglês pelo skype, na internet. Já falo quase tudo e leio muito.
- Ninguém diria, depois de ver um vídeo no YouTube em que aparece a acenar com a cabeça entre Torres e Lampard, numa ‘flash-interview’...
- Palhaçada! Sou amigo do jornalista da Chelsea TV e combinámos fazer uma brincadeira na entrevista do Torres e do Lampard. Lembrei--me de concordar com tudo o que diziam. Quase rebentaram com o riso em directo. O vídeo ficou legal.
- Está sozinho em Londres?
- Os meus pais vão ficar um mês. A minha namorada [Sara Madeira] estuda em Portugal e vem às vezes.
- André Villas-Boas no Chelsea: sim ou não?
- Sei lá. A imprensa fala. O Carlo Ancelotti é bom, abre-nos o apetite todos os dias. Não sei se sairá para Itália como dizem.
- Villas-Boas tem estofo para treinar o Chelsea?
- Deve ter. Está a crescer, a revelar--se um bom treinador. Torço pelas pessoas com valor, independentemente da instituição que representam. No caso dele, teve mérito na forma como organizou o FC Porto. Também admiro o Jorge Jesus, que sofreu muito para chegar ao Benfica e ser reconhecido.
- Jorge Jesus terá margem para continuar na Luz?
- Os dirigentes do Benfica não são burros, sabem que ele é supercompetente. Só têm de o segurar. Com ou sem Liga Europa, Jesus é o homem certo para treinar o Benfica.
- Por que defende tanto Jesus?
- Ele foi importante na minha caminhada, mas não é por isso. É por ele ter recuperado a magia na Luz e por lidar como ninguém com a pressão naquela casa. Jesus é bom treinador no Benfica ou em qualquer equipa do Mundo. É bom treinador por si mesmo.
- Fala com ele? Mantém contacto com os seus ex-colegas?
- O Ruben Amorim é o meu melhor amigo e diz que sente muito a minha falta. Quando vou a Portugal passo no clube e ainda está lá o meu cantinho. Fui capitão com 22 anos, o capitão mais novo. São coisas que batem cá dentro. A ligação é forte e genuína, nunca fui forçado a nada nem falo isto para a fotografia.
- Como assim?
- Estou a dizer que entrei ali de coração aberto desde o primeiro dia. Nunca fui forçado a dar sorrisos lá dentro. Se dei foi porque quis; abracei cada adepto e cada funcionário do clube porque tive vontade.
- Espera voltar um dia?
- Se for possível, gostava de acabar a carreira no Benfica. Entrei na Luz pela porta grande, graças a Deus saí pela porta grande e tanto o presidente Luís Filipe Vieira como o Rui Costa me disseram que tenho sempre as portas abertas para voltar.
- Maior sonho?
- Ser campeão do Mundo pelo Brasil e ganhar a Champions na próxima época. Para mim foi frustrante não jogar a Champions com o Chelsea, por não poder ser inscrito.
- Raúl Meireles foi eleito o melhor da Premier League. Na próxima época será você?
- Quem sabe? Fui considerado o melhor jogador do mês de Março. Sou o terceiro brasileiro da história da Premier League com essa distinção e também o primeiro central brasileiro. Espero manter o nível.
- O que faz com o salário milionário (dois milhões/ano) que o Chelsea lhe dá? Já tem carro novo?
- Ainda não. Ando com o motorista do clube, que me vai buscar ao hotel numa carrinha enorme. Às vezes apanho um táxi para ir ao centro. Vou comprar casa porque não gosto de alugar e perder dinheiro. Não ligo a luxos, roupas e relógios de marca.
- É mesmo simples ou isso é pose?
- Que pose? São os valores que os meus pais ensinaram. Prefiro ir na brincadeira com o motorista, um velhinho que está no Chelsea há 40 anos, do que chegar triste num carro de luxo, sem ter falado com ninguém. O melhor investimento que fiz foi nos meus pais. Já não precisam de trabalhar mais e podem conhecer o Mundo. Eram professores, sempre fizeram tudo para dar uma vida confortável a mim e à minha irmã. Não passámos necessidades, mas sempre se contou o dinheiro. Poder retribuir esse esforço é a minha maior alegria.
- O técnico Alex Ferguson acusou-o de ser demasiado duro e estranhou que tivesse jogado o tempo todo sem ser expulso, no último duelo com o Manchester United, que o Chelsea ganhou por 2-0 com um golo seu.
- Não sou caceteiro nem piso rivais deitados no relvado. Fui expulso? Não. Ele falou para ver se me amansava. Deve querer que eu seja um jogador meigo e fácil de ultrapassar e que os jogadores dele se fiquem a rir na minha cara. Vou sempre ser duro e forte nas bolas, o futebol é um desporto de contacto.
- Quem o inspira no futebol?
- Vários centrais. Hoje jogo ao lado de um, o John Terry. O homem é uma lenda. Viveu coisas no futebol que eu quero viver também.
David Luiz Moreira Marinho nasceu no Brasil (Diadema) a 22 de Abril de 1987 (24 anos). Ingressou no Benfica em 2007, contratado ao Vitória (III divisão brasileira). Estreou-se nas águias na derrota (2-1) frente ao PSG, nos ‘oitavos’ da Liga Europa. Na segunda época, lesionou-se na virilha e esteve vários meses parado. Nos encarnados, jogou em todas as posições da defesa, mas preferencialmente a central, onde se tornou um dos jogadores preferidos dos adeptos. Realizou 82 jogos e marcou 4 golos, tendo conquistado duas Taças da Liga (2008-2009 e 2009-2010) e um Campeonato (2009-2010). Em Janeiro de 2011 assinou contrato com os ingleses do Chelsea, até 2016.
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