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Correio da Manhã

Desporto
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Jorge Jesus acredita que poderia ter evitado as agressões de Alcochete

Técnico português deixou recado aos adeptos.
21 de Dezembro de 2018 às 21:58
Jorge Jesus
Jorge Jesus ao serviço do Al Hilal
Jorge Jesus
Jorge Jesus ao serviço do Al Hilal
Jorge Jesus
Jorge Jesus ao serviço do Al Hilal
"Se calhar atropelavam-me mas acho que os conseguia demover". São estas as declarações de Jorge Jesus em entrevista à Sport TV. O técnico português acredita que, se estivesse mais perto, poderia ter evitado o ataque que revolucionou o Sporting este ano. 

"Estava no lugar errado, dentro de campo. Se calhar atropelavam-me mas acho que os conseguia demover. O problema foi como eles entraram, com facilidade incrível, isso é que é para mim o grande problema. E ninguém é avisado que estão a entrar 50 homens na Academia. Como é que isto é possível? Se eu soubesse, acho que os impedia", disse Jesus confiante de que a sua intervenção poderia ter evitado o ataque à Academia de Alcochete.  

Jesus garante que não ficou com nenhum trauma e recorda ainda aquela que foi, para si, a imagem mais marcante do ataque: "O Bas Dost, grande profissional e jogador, a sangrar, a dizer 'porquê eu, porquê eu, míster?', a chorar como uma criança. Essa imagem ficou marcada para mim. Agora os socos que levei... não contam nada."

Durante a entrevista, Jorge Jesus recordou ainda os problemas que já teve com os adeptos e deixou um recado: "Para as claques perceberem: quanto mais pensarem que ao lá irem pressionar os jogadores eles vão correr mais... mentira! Menos correm, menos confiante ficam e ficam a gostar menos deles. Para todos os líderes de claques em Portugal, deixem-se dessas cenas porque não é por aqui que os jogadores correm mais. No Benfica o Aimar disse-me 'saí da Argentina por causa disto, estou em Portugal e quero ir embora, vim para aqui levar com isto'. Para verem como os jogadores pensam".

"Quero terminar o contrato com o Al Hilal e sair daqui campeão"

Jorge Jesus garante em entrevista à Sport TV que tem intenção de cumprir o contrato que o liga ao Al Hilal. 
"Quero acabar o meu contrato até maio, sair daqui campeão. Eles pedem muito para o Al Hilal ganhar a Champions, só que ela só acaba em outubro do próximo ano. Só se eu ficasse mais um ano é que poderia estar nas meias-finais", diz o treinador, reconhecendo que é admirado mas que no futebol tudo muda de um dia para o outro na visão dos adeptos.

"Tenho contrato de um ano mais um de opção. Se me vai mudar o sentido no futuro, acho que não, pois não me iludo. É assim porque estou a ganhar. As pessoas enquanto eu ganhar adoram-me mas quando não for assim é quase como em Portugal. Em Portugal chega-se a extremos. O meu pensamento está todos os dias em Portugal."

Diferenças entre Al Hilal e Benfica e Sporting

O técnico descreve ainda as diferenças entre os dois clubes lisboetas: "Tenho grandes jogadores, como tinha no Benfica e Sporting. Em termos de adeptos, os estádios têm sempre 40, 50 mil adeptos, em casa está sempre lotado. Não noto diferença nenhuma mas como não sei o que se fala na comunicação social. Sei que isto tem expansão muito grande mas não sei o que dizem. É a única diferença que noto. Às vezes nem sei os dias da semana. Mas de resto não vejo a diferença. Jogo com o Al Nassr e é o mesmo que um Benfica-FC Porto. A única diferença é que não estou em Portugal."

Lidar com os holofotes

"Fui habituado a isso, treinei as maiores equipas de Lisboa. Lisboa tem muitos jornais e televisões. Tive de aprender a lidar com a comunicação, tive aulas de comunicação no Benfica, com profissionais a ensinarem-me como comunicar e olhar. Não sinto o feedback. Estou habiuuado a essa pressão e até sinto falta dela."

"Quem está no Benfica está no centro do furacão. Cheguei quando o Benfica pouco ganhava. Depois fui para o Sporting que não ganhava há 17 anos. Fui com a intenção de tentar fazer a recuperação. Depois todos sabem o que aconteceu e saí. Estive no Sporting também no centro do furacão, a nivel desportivo e também no caso de Alcochete."

"No Sporting era uma dificuldade contratar um jogador de 3 milhões e eu não estava habituado"

Jorge Jesus reforçou a contribuição que deixou no Sporting, nomeadamente ao nível de gerar receitas com os jogadores.
"Para mim é um clube ao nível do Benfica, do FC Porto, pela história. Nunca pensei treinar o Sporting, apesar de o meu pai me pedir. Sabia que o Sporting não tinha hipóteses financeiras de me pagar o que ganhava. Ao fim de um mês quis ir embora, eram muitas as restrições. Quando quis contratar o Teo Gutiérrez, Bruno de Carvalho disse-me que era muito difícil. Mas ele falava-me de tudo, da realidade do clube. O clube não tinha sponsors. Perguntei-lhe por que me contratou e ele disse-me 'para fazer o que fizeste no Benfica', vencer jogadores e criar capacidade financeira. O primeiro jogador foi o Teo por 3 milhões. Foi uma dificuldade contratar um jogador de 3 milhões e eu não estava habituado a isso. Hoje o Sporting contrata jogadores de 10 milhões", referiu o agora treinador do Al Hilal.
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