José António, ex-internacional português, faleceu na noite de quinta-feira, fazendo o que mais gostava: jogar futebol. À semelhança do que aconteceu na temporada passada com o benfiquista Miklos Fehér, o ex-jogador do Belenenses, de 47 anos, morreu durante um encontro de futebol com alguns amigos.
Era uma quinta-feira igual a tantas outras. José António, que havia abandonado o cargo de secretário-técnico do Belenenses no final da temporada, deslocou-se, como habitualmente, a Carcavelos para realizar uma ‘peladinha’ com uns amigos de longa data. Durante o encontro, o ex-jogador sentiu-se mal e saiu de campo. Sentou-se no banco e, quando ninguém estava à espera, caiu para o lado inanimado. Os amigos chamaram o INEM, mas já nada foi possível fazer, apesar da equipa médica ter chegado cerca de dez minutos após a chamada. José António falecia assim aos 47 anos, depois de mais de meia vida ligada ao futebol.
O funeral do antigo internacional realiza-se amanhã, pelas 10h00, da igreja de Carcavelos para o cemitério de S. Domingos de Rana. No entanto, o corpo do falecido desportista estará em câmara ardente a partir de hoje, ao meio-dia, na capela mortuária da referida igreja. À família enlutada, o CM apresenta as mais sentidas condolências.
DO CARCAVELOS AO BELÉM
Tendo iniciado a carreira futebolística no Grupo Desportivo de Carcavelos, passou depois pelo Estoril-Praia e pelo Benfica, para vir a terminar o percurso como jogador de futebol na equipa do Restelo.
Considerado um dos melhores centrais portugueses da década de 80, José António Conde Bargiela fez a sua estreia na selecção das ‘quinas’ no jogo que deu o apuramento de Portugal para o Mundial do México’86, ao vencer a Alemanha, em Estugarda, por 1-0, com o célebre golo do companheiro Carlos Manuel. O ex-defesa central jogou ainda uma partida com o Luxemburgo e outra frente à selecção de Inglaterra, durante o Mundial do México.
No ‘seu’ Belenenses, como principal marco, José António’ envergou a braçadeira de capitão no encontro em que a equipa do Restelo venceu a Taça de Portugal, em 1989, frente ao Benfica (2-1). Aliás, foi este o único troféu conquistado por José António ao serviço dos ‘azuis’.
SELECÇÃO DE FUMO PRETO
No treino de ontem da Selecção Nacional, os jogadores convocados por Luiz Felipe Scolari prestaram uma simples homenagem ao malogrado atleta – o mesmo vai suceder hoje no jogo frente à Eslováquia –, no qual os onze portugueses em campo exibiram um fumo negro no braço, em sinal de luto. Esta foi a maneira que a FPF encontrou para homenagear o ex-jogador, que representou a turma das quinas em três ocasiões.
CARLOS MANUEL
“Perdeu-se um grande homem e uma pessoa excelente. Tive, felizmente, o privilégio de ter contactado com ele nas selecções e aprendi muito com ele. Era uma pessoa extraordinária, muito calmo e de trato afável. Daquelas pessoas de óptimo relacionamento. É, sem dúvida, uma perda muito grande para todos nós.”
ÁLVARO MAGALHÃES
“É a perda de um amigo. É um homem que vai deixar muitas saudades, um profissional sério e extremamente competente. O José António foi sempre uma pessoa bem disposta, contava muitas histórias e fazia um bom balneário. Sempre que nos víamos trocávamos muitas ideias, era um homem espectacular.”
JAIME PACHECO
“Fiquei completamente arrasado com a notícia. Convivi com o Zé durante muitos anos e naturalmente fiquei muito triste. Geralmente fala-se muito bem das pessoas quando estas morrem e isto aplica-se ao Zé. Era daquales pessoas que não tinha inimigos. Todos gostavam do Zé. Foi uma perda para o futebol.”
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