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Correio da Manhã

Desporto
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Ouro e prata no boccia

"Alcancei o meu objectivo. Aqui, cada jogo foi uma batalha, mas consegui. Não há palavras para descrever o que sinto", foi desta forma que João Paulo Fernandes definiu a conquista da medalha de ouro em boccia, na categoria BC1 (paralisia cerebral), superiorizando-se na final ao também português António Marques.
10 de Setembro de 2008 às 00:30
António Marques exibe a medalha de prata ao lado de João Paulo Fernandes que foi o grande vencedor
António Marques exibe a medalha de prata ao lado de João Paulo Fernandes que foi o grande vencedor FOTO: Estela Silva / Lusa

A festa – pela conquista das duas primeiras medalhas de Portugal em Pequim – foi grande. Depois de verem as duas bandeiras nacionais subirem aos mastros mais altos do pódio, os dois atletas foram tirados das cadeiras de rodas e jogados ao ar ao som das palavras "campeões, campeões". É que a imagem histórica de ver duas bandeiras lusas subirem ao mesmo tempo nos mastros olímpicos só aconteceu uma vez: Sydney 2000, quando José Macedo venceu Armando Costa também na final do torneio de boccia na categoria BC2.

Quanto à final de ontem João Paulo Fernandes venceu António Marques no jogo para atribuição do ouro por 8-1 (2-0, 2-0, 4-0 e 0-1). A medalha de bronze foi para o irlandês Gabriel Shelly, que venceu o chinês Yi Wang.

DOMÍNIO EVIDENTE

O domínio de João Paulo Fernandes foi evidente, confirmando o estatuto de campeão olímpico de Atenas 2004. "Também é de ouro, mas é ainda melhor do que aquela que ganhei na Grécia", disse o atleta, que andava com a auto-estima em baixo por não ter conseguido ganhar nenhuma das grandes competições entre 2004 e 2008.

Por seu turno, António Marques estava radiante com a conquista da medalha de prata."Foi a  minha primeira medalha individual. Não estava nada à espera, consegui e por isso estou muito feliz", disse o atleta português.

Esta imagem de glória pode  voltar a repetir-se nas competições de pares e por equipas, onde os atletas portugueses figuram entre os primeiros lugares do ranking mundial.

PERFIS

JOÃO PAULO FERNANDES

Nasceu no dia 11 de Agosto de 1984 (24 anos), em Aveiro. A sua ocupação principal é ser atleta e a sua deficiência é a paralisia cerebral, participando na classe desportiva BC1. Está em Pequim com o seu treinador/acompanhante: Luís Ferreira. Foi campeão olímpico em Atenas 2004 e repetiu a proeza em Pequim 2008. Em 2006 foi prata nos Mundiais por equipas.

ANTÓNIO MARQUES

Nasceu no dia 25 de Outubro de 1963 (44 anos), em Coimbra. Tem como actividade principal ser atleta e a sua dificiência é a paralisia cerebral. O seu clube é o núcleo de Coimbra da Associação Portuguesa de Paralisia Cerebral. Participa em Jogos desde Seul’88 (ouro equipas), Atlanta’96 (prata por equipas), Sydney 2000 (prata por equipas) eAtenas 2004 (ouro por equipas).

RICARDO VALE EM QUINTO NOS 5000 METROS

O atleta português Ricardo Vale terminou na quinta posição (16.32,49) a final dos 5000 metros T11 ( deficientes visuais) dos Jogos Paralímpicos Pequim 2008, prova em que Nuno Alves desistiu.

A medalha de ouro foi conquistada pelo chinês Zhen Zhang (15.27,35 minutos), enquanto os quenianos Francis Thuo Karanja (15.32,28) e Henry Wanyoike (15.47,17) arrecadaram a prata e o bronze, respectivamente.

Em destaque esteve também a nadadora portuguesa Joana Cala- do, ao terminar na quinta posição a final dos 100 metros bruços SB8 (Congénito - Malformação) dos Jogos Paralímpicos Pequim 2008, enquanto Leila Marques foi sétima. Numa prova em que a russa Vladykina Olesya nadou para o ouro e recorde do Mundo (1.20,58 minutos), Joana Calado conclui a distância em 1.28,53, enquanto Leila Marques fez 1.30,11 (sétima classificada). As duas atletas estabeleceram novos recordes nacionais e no final fizeram a festa juntas e já pensam em Londres 2012.

"EXEMPLOS DA SUPERAÇÃO"

 O secretário de Estado da Juventude e do Desporto ficou ontem "muito feliz", por ter voltado a ouvir o hino de Portugal em Pequim e considerou que os atletas que conquistaram as medalhas de ouro e prata nos Paralímpicos são um exemplo da superação. "Os atletas são um exemplo de superação, esforço e dignificação do desporto", disse Laurentino Dias que considerou que as medalhas são uma prova para que "as pessoas em Portugal sintam que podem ter confiança nos atletas paralímpicos", ressalvando: "São um objectivo que não se apregoa, mas pelo qual se luta."

BOCCIA À LUPA

O QUE É?

É um jogo de lançamentos de bolas, inspirado numa modalidade praticada na Grécia antiga, da qual descenderam o Bowling e a Petanca.

A QUEM SE DESTINA?

Foi concebida para atletas com paralisia cerebral, mas a sua popularidade é tal que já é jogada por muitas outras pessoas.

COMO SE JOGA?

É um jogo de pavilhão e pode ser jogado em singulares, pares e equipas. O campo mede 12,5 de comprimento e 6 de largura. Cada jogador tem seis bolas e tem de as colocar o mais perto possível da bola-alvo (branca).

 

 

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