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Refúgio Proibido Um refúgio. Dois corações. Mil segredos.

RESPOSTA A RELATÓRIO BORONHA

O presidente da FPF, em conferência de Imprensa, afirmou que a demissão de António Boronha foi um acto de auto protecção e negou parte das acusações feitas no relatório que o CM publicou na íntegra em primeira mão

26 de junho de 2002 às 00:14

Da análise do relatório que lamentavelmente, e uma vez mais, nos parece ter sido transmitido pelo Senhor António Boronha à Comunicação Social e opinião pública, sem que tenha havido um comentário oficial sobre o mesmo por parte da FPF, chamamos então a atenção para as seguintes considerações:

1. Aprofundada a análise deste relatório na generalidade, verificamos o seguinte:

- As acusações ao Presidente da Federação surgem basicamente em 3 pontos (8.67 e 68), o que representa 4.3%' das considerações expressas naquele relatório.

- 21 pontos que representam 30.4% do relatório mencionam acusações ao Seleccionador Nacional António Oliveira que foram debatidas na reunião de Direcção do dia 20 de Junho na qual o Senhor António Boronha se recusou a participar, alegando que se trataria de “um circo romano”, sendo certo que o mesmo já tinha apresentado 2 horas antes, provavelmente por oportunistas questões de antecipação, ao Senhor Presidente da Assembleia Geral o seu pedido de demissão. Sublinhe-se novamente o facto do Senhor António Boronha não querer ser confrontado directamente, e sem quaisquer branqueamentos. com as pessoas alvo de críticas no seu relatório.

- Finalmente. 45 pontos daquele relatório que representam 65.3%, referem-se a meras considerações onde não se entende o seu fundamento ou causa.

- Também é naturalmente incompreensível que o Sr. António Boronha se auto elogie (nº.69 do relatório), sem assumir as eventuais responsabilidades inerentes ao seu cargo quando se demite sem razão aparente e apenas para procurar transmitir uma imagem de 'mãos lavadas' perante a opinião pública.

Aliás, sobre esta questão, e porque a memória das pessoas não pode ser curta, gostaríamos de questionar o Sr. António Boronha das razões pelas quais à semelhança do ocorrido no Euro’2000 as suas relações com os Seleccionadores Nacionais estavam deterioradas ao ponto de não haver qualquer tipo de conversação entre eles.

- Será mera coincidência?

- Será culpa dos 2 Seleccionadores Nacionais envolvidos?

- São da responsabilidade de quem agora se pretende vitimar ao apresentar um pedido de demissão que nunca Ihe tinha sido exigido por ninguém.

2. No que diz respeito ao relatório propriamente dito e como o Sr. António Boronha se recusou, 4 dias depois da chegada da comitiva a Portugal, a ser confrontado com os alvos das suas acusações, tomou apenas a Direcção conhecimento das posições que foram referidas quer pelo Seleccionador Nacional, quer pelos Técnicos Nacionais, e que agora constatamos serem diferentes e contraditórias relativamente ao que foi dito pelo Senhor António Boronha.

3. Nesta conformidade iremos apenas centrar-nos sobre algurnas acusações e omissões mais importantes que resultam daquele relatório:

a) Quanto ao Seleccionador Nacional nunca em nenhum momento o mesmo exerceu qualquer tipo de chantagem junto do Presidente da Federação antes pelo contrário respeitou as decisões que lhe foram transmitidas pelo fax de 8 de Maio. no que diz respeito às hierarquias e outros assuntos que foram colocados à consideração do Presidente. Daí que numa reunião efectuada e convocada pelo Senhor Presidente para o dia 3 de Abril com todos estes intervenientes, e tendo o Presidente da Direcção conhecimento de um ambiente de mal estar pessoal entre o Director do Departamento Desportivo e Técnico, Sr. Carlos Godinho e o Sr. Seleccionador Nacional António Oliveira tenha sido exigido pelo Presidente da Federação que atendendo ao curto espaço de tempo que restava para o início da campanha no Mundial’2002 cada pessoa cumprisse as suas funções e não houvesse qualquer tipo de desentendimento que pudesse provocar um ambiente de perturbação na Selecção Nacional. Esta exigência foi completamente aceite pelos intervenientes nomeadamente pelo Sr. António Boronha.

E tal veio a verificar-se já que como foi testemunhado pelo Presidente da Federação nenhuma incompatibilidade surgiu entre o Seleccionador Nacional e o Sr. Carlos Godinho apesar de se considerar que nalgumas situações o procedimento do Sr. Seleccionador Nacional não foi aquele que seria de esperar perante o Director do Departamento Desportivo e Técnico.

Carece, por isso, de total fundamento a acusação efectuada pelo Sr. António Boronha de que terá havido da parte do Presidente uma quebra de solidariedade para com o Director do Departamento Desportivo e Técnico conforme declaração do mesmo em meu poder.

b) Também no que diz respeito ao chamado “passeio na praia” por parte do Seleccionador Nacional e outros Técnicos Nacionais esclarecemos que este facto foi comunicado telefonicamente ao Presidente da Federação quando este se encontrava na Coreia para participar no Congresso da FIFA - já depois de ter estado em Macau, onde nomeadamente numa reunião conjunta com o Departamento Médico lhes foi transmitido a solidariedade do Presidente relativamente ao chamado “caso Kenedy”, na presença do Seleccionador Nacional e de outros elementos mencionados neste relatório - teria havido uma gravíssima quebra de disciplina e espírito de grupo pelo facto do Seleccionador Nacional e os Técnicos Silvino e Prof. Neca terem saído do hotel vestidos “à civil”, sem terem dado qualquer conhecimento ao então Vice-Presidente Desportivo.

O Presidente da Federação já na Coreia reuniu separadamente com o Seleccionador Nacional e com os Técnicos acima referidos, ouvindo a sua versão sobre o chamado "passeio na praia", razão essa que foi confirmada sob palavra de honra aquando da reunião de Direcção acima mencionada que se tinham limitado (o que aliás é normal) a depois de jantar dar uma passeio pela praia, aproveitando para discutir assuntos referentes à situação física e técnica dos diferentes jogadores.

Nessas reuniões chamou o Presidente da Federação a atenção dos Técnicos que deveriam ter comunicado a sua saída ao Sr. António Boronha.

Por isso, tendo sido apresentadas provas das declarações prestadas no relatório do Sr. António Boronha e nada mais tendo sido dito pelas pessoas que compunham a delegação nacional, aceita-se naturalmente como verídica a declaração do Seleccionador Nacional e dos Técnicos Nacionais.

Lamenta-se, uma vez mais, que o Sr. António Boronha não tenha dado a cara para explicar a sua versão dos factos.

Finalmente refira-se que o Presidente da Federação não tomou qualquer medida disciplinar por um lado pela contradição das versões e a referida ausência de provas e, por outro, porque naquele momento tinha por obrigação procurar não desestabilizar a Selecção Nacional tendo em conta a importante participação neste Campeonato do Mundo.

Mas como se poderá facilmente constatar no ponto 61 do relatório do Senhor António Boronha, em que se refere que a partir do almoço do dia 30 de Maio o Seleccionador Nacional cortou todas as relações com ele, foi omitido por este um importante e desestabilizador acontecimento que foi o do Sr. António Boronha, segundo informações que o próprio prestou ao Presidente ter dado conhecimento a alguns jogadores deste facto.

Este sim é um factor de desestabilização provocado pelo Sr. António Boronha no seio da comitiva nacional

c) Também a Direcção da Federação ficou surpreendida com algumas atitudes do Sr. António Boronha que ocorreram no dia seguinte ao da nossa eliminação, quando o mesmo em vez de estar com a Selecção Nacional até como forma de solidariedade, como fez o Presidente, optou por não participar nesse jantar, antes pelo contrário, preferindo jantar com a Direcção do hotel sem dar qualquer tipo de informação ao Presidente da Direcção.

d) Também lamentamos que assuntos internos da FPF/Jogadores tenham sido trazidos de uma forma deturpada à opinião pública, prejudicando a imagem dos jogadores e da própria FPF que atempadamente negociou todas as condições referentes à nossa participação no Mundial como, aliás, o fez para outros eventos.

Por isso queremos deixar uma mensagem de solidariedade com os nossos jogadores.

Não esquecemos também os órgãos de Comunicação Social que nos acompanharam em Macau e na Coreia que, tendo conhecimento diário destas questões decidiram e bem não as publicar, já que isso só traria um ambiente de instabilidade à Selecção Nacional.

e) Também lamentamos que o Sr. António Boronha no aeroporto de Lisboa procurasse uma escapatória interna para a sua deslocação para o Algarve não tendo a coragem para acompanhar, enquanto elemento da Direcção como seria seu dever o Presidente da Federação aquando da saída do Aeroporto.

f) A Direcção da Federação não comenta as questões de aspectos técnicos ou tácticos da competência exclusiva do Seleccionador Nacional e das quais assumiu as suas responsabilidades perante a Direcção da FPF.

g) Quanto à acusação sobre o desempenho do Seleccionador Nacional e divergências com a restante equipa técnica particularmente aquando da contratação do Senhor Prof. José Soares, por sugestão conjunta dos Srs. Seleccionador Nacional Director do Departamento Desportivo e Técnico e António Boronha, foi possível perceber que as relações entre o Senhor Prof. José Soares, o Departamento Médico e alguns elementos da Equipa Técnica, nem sempre foram os melhores.

De salientar que a FPF e o DDT colocaram à disposição da Equipa Técnica todos os meios solicitados para que a programação do estágio e participação numa fase final do Campeonato do Mundo pudesse ter decorrido com uma planificação atempada e sustentada num conjunto de informações de observação directa e de análises audiovisuais existentes na FPF.

Finalmente, reitera a Direcção da FPF o seu repúdio e mágoa pelo facto de não só o Sr. António Boronha, sempre com expectativas de notoriedade ter tornado público um relatório que a Direcção já tinha intenção de o fazer, mas só depois da sua análise e apreciação.

Não podemos deixar também de criticar o facto do Sr. António Boronha se ter permitido abusivamente tirar fotocópia do passaporte do Seleccionador Nacional aquando de uma eventual visita que o mesmo terá feito à China enquanto que os jogadores participavam numa visita a Macau.

Concluímos, portanto, que a grande maioria das acusações formuladas no relatório do Sr. António Boronha, são meras tentativas de ser o único a salvar a face, facto que ainda mais nos surpreende já que nunca lhe foi imputada qualquer culpa pela má prestação da Selecção Nacional.

Registou a Direcção da Federação os elogios feitos pelo Sr. António Boronha quanto ao estágio em Macau que, como é do conhecimento do mesmo só foi efectuado em Macau depois de ter sido obtido o consenso do Seleccionador Nacional e do DDT.

Estas conclusões da Direcção estão baseadas na acta da reunião de Direcção havida em 20 de Junho, reforçada pelo relatório do Departamento Médico da Federação, que produziu inclusivamente um CD para orientação pessoal, física e psicológica dos jogadores durante esta participação.

Lisboa, 25 de Junho de 2002

A Direcção (depois de ouvido o Senhor Presidente)

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