Roberto Carlos, um dos melhores laterais-esquerdos da história, é o director desportivo do milionário Anzhi (Rússia). Diz que vai contratar um jogador português e que Mourinho é o número 1 do Mundo.
Correio Sport – Depois de mais de 22 anos a jogar futebol, como se sente na pele de director desportivo do Anzhi?
Roberto Carlos – Está tudo bem, pouco a pouco vou-me adaptando a esta nova missão. Sempre fui homem de campo, mas satisfaz-me estar numa posição onde desenvolvo muitos contactos, observo jogadores e recebo chamadas de empresários indicando-me o jogador A ou B para o Anzhi. O clube também tem defendido bem a minha imagem...
- Seja no Inter, Real Madrid, Fenerbahçe ou Anzhi, criou sempre grande empatia com adeptos e dirigentes. Está a recolher os frutos disso ?
- Não sei bem a razão por que foi sempre assim. Talvez porque eu tenho bom coração, ou por tudo o que fiz no futebol. Todos os que jogaram a meu lado sabem que fui sempre uma pessoa leal, disposta a apoiar os meus companheiros.
- Qual foi o clube que mais o marcou?
- O Real Madrid, sem dúvida. Dei-me bem em todos eles. No entanto, por tudo o que vivi e conquistei em Madrid, o Real foi aquele que mais me marcou.
- Tinha boas relações com Luís Figo?
- É um dos melhores amigos que fiz no futebol. Era exemplar, não só como futebolista, mas também como grande pessoa que é. Um senhor.
- Para muitos, foi o melhor lateral-esquerdo de sempre. Comunga dessa opinião?
- Não penso assim. Em minha opinião, essa distinção vai para o italiano Paolo Maldini. Acho que ele foi o grande campeão, foi o defesa-esquerdo mais completo que eu vi jogar e também ganhou muitos títulos.
- Para quando um jogador português no Anzhi ?
- Penso que o mais brevemente possível iremos ter um português no Anzhi. Há muita qualidade em Portugal e nós estamos atentos. Ainda não há um nome concreto, mas de certeza absoluta que essa contratação vai ser feita.
- Há algum jogador português que suscite especialmente a sua admiração?
- O Danny, do Zenit, é um grande jogador em qualquer parte do Mundo. Aqui na Rússia, toda a gente reconhece o seu valor, é um dos melhores jogadores da Liga russa.
- É verdade que o Anzhi perdeu a corrida por Hulk e Witsel, que foram reforçar o Zenit?
- Isso não corresponde à verdade. Saiu nos jornais, mas não passou de rumores. No entanto, são jogadores importantes, e foi isso que eu disse quando a imprensa me colocou a questão.
- O valor das transferências [80 milhões de euros] chocou muita gente, inclusive na Rússia...
- São questões do foro íntimo de cada clube. Na Rússia, muitos presidentes investem em grandes jogadores estrangeiros para tornar a Liga mais forte.
- É verdade que o Anzhi apresentou propostas por Gaitán, Rodrigo e Axel Witsel ao Benfica?
- Não. Primeiro, telefonaram--me a saber se era verdade que queríamos o Bruno César. Depois, falaram-me disso. Da nossa parte, não houve nenhuma proposta sobre esses jogadores.
- Como está a decorrer a experiência com Eto’o, que ganha 20 milhões de euros/ano?
- É o nosso capitão e a grande referência da equipa. Conheço-o desde os 15 anos e somos amigos. É uma das atracções da Liga russa.
- Os clubes russos gastam muito dinheiro, mas continuam longe dos grandes da Europa. É um modelo falhado?
- No caso do Anzhi, tudo vai depender do dono, Suleiman Kerimov. Contudo, se tudo correr bem, dentro de dois anos estaremos ao nível do Manchester United.
- Também se adaptou bem ao frio?
- Não é fácil viver na Rússia. Não é um país como o Brasil ou Portugal, com muito sol e onde as pessoas são mais dadas. Mas posso dizer que me adaptei bem, apesar de a minha família viver em Espanha.
- Uma pergunta que se impõe...
- Já sei qual é. Ronaldo ou Messi? O argentino está a fazer uma época maravilhosa, sem dúvida, mas Ronaldo já merece mais uma Bola de Ouro. Não só pelo que fez na época passada, levando o Real Madrid ao título, mas também pela sua regularidade. Penso que aquilo que prejudica Ronaldo é a selecção nacional. Esteve numa final do Europeu, em 2004, mas nunca conquistou um título. Se isso tivesse acontecido, Ronaldo já seria há muito o nº 1 do Mundo.
– Tem alguma explicação para essa falta de títulos?
- Algum dia irá acontecer. Portugal tem tido grandes selecções. A qualidade técnica nunca falta. Há que ter um pouco de paciência.
- Que opinião tem de José Mourinho ?
- Só falei com ele uma ou duas vezes, mas é um grande treinador. Para mim, é o número 1.
- Como vê as possibilidades do Brasil no Mundial 2014?
- Toda a gente quer que o Brasil ganhe. É muito importante que a ‘escrete’ chegue pelo menos à final. Ainda por cima, trata-se de uma final realizada em casa. Há muita pressão, os jogadores vão ter de estar muito concentrados.
- O Neymar seria capaz de repetir na Europa o que está a fazer no Brasil ?
- É um grande jogador. No Brasil, é o melhor. Fora do país, é difícil precisar até onde ele pode ir. O Robinho também era o melhor do Brasil e na Europa não teve tanto sucesso. Era bom que viesse agora para confirmar todo o seu potencial.
- Além de Neymar, quem são os jogadores que alimentam as esperanças do Brasil ?
- Pessoalmente, gosto muito do Ganso e do Lucas, ambos do São Paulo. O Lucas vai agora para o PSG e acredito que vai fazer sensação em França.
PERFIL
Roberto Carlos (39 anos) é actualmente o director desportivo do Anzhi, da Rússia. Tornou-se conhecido como jogador de futebol, actuando como lateral-esquerdo. Ao longo da carreira, que se prolongou de 1990 a 2012, passou por Palmeiras, Inter, Real Madrid, Fenerbahçe, Corinthians e Anzhi. Em Madrid, fez parte da equipade galácticos onde estavam Zidane, Figo e Beckham e venceu três Ligas dos Campeões (1997/98, 1999/00, 2001/02). Como internacional brasileiro, sagrou-se Campeão do Mundo em 2002, no Mundial da Coreia do Sul e do Japão, e somou um total de 125 internacionalizações.
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