Rui Patrício pensou que ia morrer no ataque à academia do Sporting
Guarda-redes relata momentos de terror em Alcochete e má relação com Bruno.
Rui Patrício revelou esta segunda-feira em tribunal que pensou que ia morrer no ataque à Academia do Sporting, a 15 de maio de 2018. "Estás aqui filho da p***? Estás a rir? Parto-te a boca toda", gritaram os adeptos no balneário, segundo o relato do antigo capitão do Sporting, que foi ouvido por Skype. "Fiquei f***", continuou Patrício, quando foi questionado sobre o facto de terem sido lançadas tochas para junto da sua baliza.
Face ao ataque, o jogador apresentou queixa à polícia e tomou medidas de segurança para não ser agredido por adeptos do Sporting. "Ainda hoje quando vou a Portugal vou desconfiado, a olhar para o lado, na rua. Sinto que em Portugal não estou em segurança. Ainda há adeptos maldosos contra nós. Não me sinto seguro, passado um ano e meio", afirmou o guarda-redes, agora em Inglaterra, no Wolverhampton.
No depoimento, Rui Patrício afirmou que estranhou a mudança de comportamento do ex-presidente do Sporting e lembrou que "Bruno de Carvalho disse naquela reunião [véspera do ataque] que se precisasse de bater em alguém não precisava de ninguém". Na 16ª sessão foi ainda ouvido Márcio Sampaio, adjunto de Jorge Jesus, que revelou que Bruno de Carvalho lhes transmitiu que "era o fim da linha" quando os despediu. Na véspera da invasão, Bruno de Carvalho disse à equipa técnica que tinha estado toda a noite a falar com Fernando Mendes, ex-chefe da Juve Leo, por causa dos incidentes na Madeira. "Vocês nem sabem o que estava a ser preparado", disse o ex-presidente dos leões, segundo afirmou a testemunha.
PORMENORES
"Memória seletiva"
Miguel Fonseca, advogado de Bruno de Carvalho, considerou que Rui Patrício teve durante o depoimento "uma memória muito seletiva". O advogado questionou-o sobre a rescisão, mas a juíza travou várias questões, por não serem pertinentes.
Não aceitaram prémio
O guarda-redes foi questionado sobre o prémio de meio milhão de euros oferecido pelo presidente aos jogadores num jogo contra o Benfica. Patrício afirmou que não aceitaram, porque a condição era que Bruno de Carvalho tinha de ir ao balneário entregar o prémio.
Jesus ouvido hoje
Jorge Jesus é ouvido hoje por videoconferência, a partir do Tribunal de Almada. É um dos depoimentos mais aguardados deste julgamento.
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