Clube enviou carta à Liga e a todos os clubes em que critica todo o processo e questiona avaliação de 300 milhões feita ao mercado.
O Benfica enviou uma carta ao presidente da Liga portuguesa, com conhecimento de todos os clubes que a integram, a pedir formalmente a suspensão do atual projeto de centralização dos direitos audiovisuais (engloba a transmissão dos jogos através da televisão e de outras plataformas) das competições profissionais de futebol, em Portugal. Recorde-se que o Governo decidiu, em março de 2021, que a venda das transmissões tinha de passar a ser feita de modo coletivo a partir da época 2028/29. Liga e FPF têm até ao fim da época 2025/26 para apresentar uma proposta de modelo, que terá de ser aprovada pela Autoridade da Concorrência.
Na carta a que o Correio da Manhã teve acesso, o Benfica não só ataca toda a condução deste processo feita pela Liga, como também faz outras críticas ao estado atual do futebol português. É pedida uma reflexão profunda que origine mudanças urgentes que tornem o setor mais competitivo.
Os encarnados defendem que "o atual processo de centralização está atrasado e em risco de falhar os objetivos", que passavam por reforçar a competitividade do futebol e a equidade entre clubes. E atacam ferozmente a estimativa de receita revelada pela Liga quando Pedro Proença ainda era o presidente, antes de assumir a presidência da FPF. "Foi revelada uma aspiração de 300 milhões de euros por época, mas esta carece de fundamentação credível à luz da realidade atual do mercado nacional e do próprio mercado internacional". É mesmo dito que "na realidade atual, é provável que o valor da centralização não atinja sequer os 150-200 milhões de euros", o que representaria "uma perda de receita irreparável para todos os clubes".
As águias relembram que a Liga francesa, no último negócio que fez, conseguiu 660 milhões por ano, menos 10% do que recebia e aquém dos mil milhões que pretendia, e mesmo assim o operador rescindiu o acordo. É recordado que o acordo da Liga holandesa prevê 150 milhões por ano e que, recentemente, a FIFA teve de procurar um modelo alternativo para comercializar o Mundial de Clubes.
O Benfica critica ainda que "não foram apresentados modelos alternativos" nem feita uma "consulta real" ao mercado. "A reflexão sobre a evolução dos quadros competitivos continua por se realizar", acrescenta a carta, referindo que "não houve investimento concertado ou suficiente na modernização da infraestrutura física", ou seja, não se verificaram melhorias nos estádios que tenham impacto na qualidade das transmissões. É dito que "falta uma estratégia de internacionalização clara da Liga", além de que "o mercado de direitos televisivos doméstico permanece excessivamente concentrado".
Os clubes têm contratos em vigor com diferentes datas de término - o do Benfica termina no fim da próxima época - que não podem ser renovados para além de 2027/28, porque na temporada seguinte arranca a centralização. O Benfica garante que "alguns clubes de dimensão média não têm recebido propostas do operador atual face à potencial descontinuidade do atual modelo". Isto porque "o contexto de transição a três anos reduz o poder negocial de todos os clubes na extensão ou renegociação a curto prazo".
Na carta assinada por Rui Costa, relembra-se ainda que "o combate à pirataria continua ausente", com um "prejuízo de 100 a 200 milhões de euros por ano no universo do futebol", quando "uma em cada duas pessoas utiliza serviços de acesso ilegal a transmissões de futebol". Outro obstáculo é que "os portugueses continuam a pagar dos valores mais altos da Europa para assistir ao futebol profissional, podendo esse encargo ultrapassar os 500 euros por ano".
O Benfica garante que "será sempre solidário com o desenvolvimento e melhoria do futebol português", mas isso "não pode significar abdicar do valor real e comprovado que o Benfica representa no mercado audiovisual".
Por tudo isto, o Benfica anuncia a "suspensão do seu lugar de gerência na Liga Centralização até existir uma alteração de rumo". Também é feita a "solicitação urgente de audiências ao Governo e a todos os grupos parlamentares". E quer-se "em sede da Liga, com todos os clubes, acordar uma posição comum sobre os requisitos mínimos e um plano alternativo para uma centralização sustentável".
Salientando que o futebol português "não pode embarcar numa aventura mal preparada que corre o risco de destruir valor" e que "mais do que afimações ou profissões de fé, é preciso garantir com dados e planeamento que essas promessas são exequíveis", o Benfica "vem requerer a suspensão imediata do processo de centralização e o início de uma reflexão profunda e abrangente".
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