Dois golos de ressalto e corações a saltarem

O FC Porto salvou ontem em Paços de Ferreira (1-1) o ponto necessário para entrar na última jornada a depender de si próprio apenas para se tornar bicampeão. Dois golos de ressalto fizeram a história de um jogo que se desenrolou debaixo de chuva e granizo copiosos.
14.05.07
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Dois golos de ressalto e corações a saltarem
O pacense Mangualde (n.º18) aliviou mal a bola, atirando contra Adriano, que fez o golo do empate Foto Estela Silva, Lusa
O Paços esteve a ganhar 55 minutos, desde que Antunes marcou de livre desviado na barreira (21’) até ao empate de Adriano (76’), também de ressalto. O FC Porto voltou a jogar mal, apesar de duas bolas que enviou aos postes.
O FC Porto entrou muito calmo, demasiado calmo, sem o domínio que costuma impor. Teve mesmo assim duas boas hipóteses de golo antes dos 20’, primeiro com Adriano isolado – deixou que Geraldo recuperasse – e depois num remate de Lucho à entrada da área que desviou em Antunes e foi ao poste.
O Paços é um conjunto que vale mais do que a soma das partes, foi defendendo com tranquilidade e marcou aos 21’ de livre perto da área, transformado por Antunes de pé esquerdo com a bola a desviar na barreira – em Quaresma, talvez – entrando no cantinho da baliza.
O Paços aceitava que o FC Porto tivesse mais a bola, mas defendia muito bem e não deixava que Anderson e o desinspirado Quaresma dessem vida ao seu ataque. Antes do intervalo, Jesualdo fez uma substituição táctica com a saída de Paulo Assunção e a entrada de Jorginho, procurando mais força atacante. Mas até ao fim da primeira parte o campeão não melhorou.
Chovia muito, o campo ia ficando pior e o FC Porto não melhorava e saiu Lisandro entrando Postiga. Boa oportunidade teve o Paços por João Paulo, que chutou ao lado (63’) e o FC Porto só respondeu aos 68’, num cruzamento de Quaresma a que Postiga deu seguimento atirando ao poste exterior. O golo aconteceria de canto de Quaresma na esquerda. Pepe desviou, Bruno Alves atirou para a baliza, Peçanha defendeu para a frente e Mangualde aliviou contra Adriano e a bola entrou. Explosão dos dragões, que sofreram muito e jogaram pouco.
POSITIVO: MEIO-CAMPO DO PAÇOS
O Paços vale mais do que a soma dos seus jogadores. Mas Geraldo esteve muito bem, tal como Luís Carlos, e o meio-campo trabalhou que se fartou. Antunes marcou mais um golo, o que é importante. No FC Porto, salvaram-se Bosingwa, Adriano e Postiga.
NEGATIVO: QUARESMA, ANDERSON...
O FC Porto perdeu já 16 pontos na segunda volta (só cinco na primeira) e ontem voltou a jogar mal. Lucho, Quaresma, Anderson e Lisandro, foram nulidades. O Paços, com Fahel e Paulo Sousa a ajudarem os laterais, fechou as alas e os dragões nunca se entenderam.
ÁRBITRO: UM RELVADO DIFÍCIL
A chuva tornou o relvado empapado e criou problemas à arbitragem de Paulo Paraty. Critério largo nas faltas, boas decisões nos casos difíceis, na sua maioria, acabou por levar a água ao seu moinho apesar da tensão do jogo e dos jogadores.
"JOGADORES ESTÃO SOB MUITA PRESSÃO
O técnico do FC Porto, Jesualdo Ferreira, reconheceu no final do encontro que a sua equipa acusou alguma pressão pelo facto de a luta pelo título ainda estar em aberto. “O Paços fez o golo na única oportunidade de que dispôs. Nós não entrámos bem, não fomos rápidos, mas é difícil pedir mais a estes jogadores, que estão sob muita pressão”, afirmou, mostrando ainda assim confiança na conquista do título: “Estamos a um jogo de sermos campeões e queremos fazer a festa no próximo domingo”.
Por sua vez, José Mota não poupou elogios ao trabalho dos seus atletas. “A chuva estragou um pouco o espectáculo. Não carimbámos a passagem para a Taça UEFA, mas fizemos tudo para consegui-lo. Sabendo o resultado dos nossos adversários, o empate é um excelente feito. Os meus jogadores estão de parabéns. Somos uma das melhores equipas da Liga.”
APONTAMENTOS
ADRIANO
Adriano marcou ontem o seu décimo golo nesta Liga, ficando a um golo de Postiga, que tem muitos mais jogos (17 contra 24). A equipa tem 61 golos marcados, mais do que os 52 da época passada. Para festejar o seu 22.º título, o FC Porto precisa apenas de ganhar, no Dragão, ao Desportivo das Aves no jogo da próxima semana, na jornada que fecha o campeonato.
ESPIÕES NA BANCADA
O encontro na Mata Real foi acompanhado por emissários de alguns grandes clubes europeus. Inter Milão, Chelsea, Manchester United e Aston Villa solicitaram acreditações para a partida. Recorde-se que atletas como Pepe ou Quaresma têm sido muito cobiçados por emblemas de outras ligas.
CHUVA E GRANIZO
Cerca de uma hora antes do início do encontro, caiu uma forte chuvada na Mata Real, levando muitos adeptos a procurarem abrigo no interior do estádio. Mas não caiu apenas água, também o granizo fustigou o relvado, que acabou por não estar nas melhores condições aquando do apito inicial.
FICHA DO JOGO
Local: Estádio da Mata Real, Paços de Ferreira (6.000 espectadores)
Árbitro: Paulo Paraty (Porto)
PAÇOS DE FERREIRA: Peçanha, Mangualde, Luiz Carlos, Geraldo, Antunes, Paulo Sousa, Fahel, Elias, Edson (Pedrinha, 90m), Cristiano (Renato Queirós, 78m) e João Paulo. Treinador: José Mota.
FC PORTO: Helton, Bosingwa, Pepe, Bruno Alves, Fucile, Paulo Assunção (Jorginho, 39m), Lucho González, Anderson (Raul Meireles, 69m), Quaresma, Lisandro López (Hélder Postiga, 56m) e Adriano. Treinador: Jesualdo Ferreira.
Marcador: 1-0, Antunes (21m); Adriano (76m)
Acção disciplinar: cartão amarelo – João Paulo (21m) e Pepe (64m)
Melhor jogador: Paulo Sousa

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