No sábado, um jogador agrediu um árbitro com um murro na receção do Lagoa B ao Lusitano de Vila Real de Santo António.
O árbitro Luís Godinho condenou esta segunda-feira os episódios de violência sofridos por 'juízes' em provas distritais de futebol, admitindo que, se nada mudar na proteção do setor, será uma questão de tempo até acontecer uma tragédia.
"Um silêncio ensurdecedor! O que aconteceu este fim de semana nos campeonatos distritais não é apenas lamentável - é vergonhoso. Revoltante. Inaceitável. Mais três árbitros agredidos. Mais três episódios de violência num espaço que deveria ser de formação, respeito e educação", visou o 'juiz' da associação de Évora, numa publicação nas redes sociais.
Luís Godinho, de 40 anos e internacional desde 2017, elencou três atos, um dos quais no sábado, quando um jogador agrediu um árbitro com um murro na receção do Lagoa B ao Lusitano de Vila Real de Santo António, para a fase de campeão do segundo escalão da associação do Algarve.
No mesmo dia, o treinador-adjunto da equipa de sub-11 do Bobadelense deu uma cabeçada no 'juiz' da partida disputada no terreno do Ponte Frielas, em Loures, na Série 3 de futebol sete da associação de Lisboa.
Outro episódio verificado no sábado aconteceu em Vieira do Minho, onde um adepto agrediu um árbitro no final do encontro entre Mosteiro e Cepanense, a contar para a terceira divisão da associação de Braga.
"Isto não são casos isolados. É um padrão. Fim de semana após fim de semana, repetem-se agressões, ameaças e comportamentos selvagens nos campos portugueses. É preciso agir, punir e proteger", frisou Luís Godinho, que dirigiu também no sábado o triunfo do Benfica na receção ao Vitória de Guimarães (3-0), na 27.ª jornada da I Liga.
Em comunicado, a A Autoridade para a Prevenção e o Combate à Violência no Desporto (APCVD) anunciou esta segunda-feira que vai enviar ao Ministério Público toda a informação necessária para a abertura de um inquérito aos incidentes no jogo entre Ponte Frielas e Bobadelense, cujo adjunto dos sub-11 foi imediatamente afastado das suas funções pelo clube lourense.
"A ausência de policiamento, especialmente no futebol de formação, está a criar um terreno perigoso: sem autoridade, cresce a impunidade; com impunidade, repete-se o comportamento; com repetição, normaliza-se a violência. É aqui que tudo se torna ainda mais grave: estamos a normalizar a violência no desporto. Hoje foi um árbitro. Amanhã pode ser um jogador, um treinador, um adepto ou pior, uma criança", reconheceu Luís Godinho.
O árbitro alentejano lembra que, se acontecer uma tragédia nos recintos desportivos nacionais, "não haverá palavras suficientes nesse dia nem desculpas que apaguem a responsabilidade de quem podia e devia ter feito mais".
"O futebol português merece melhor. Os seus agentes merecem respeito. E as nossas crianças merecem crescer num ambiente onde o desporto ensine valores - não violência. Basta, basta, basta", terminou.
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