Cânticos já foram condenados por dirigentes políticos e do futebol espanhol.
A polícia catalã abriu um inquérito por causa de "cânticos islamófobos e xenófobos" durante o jogo entre as seleções de Espanha e Egito, na terça-feira, em Barcelona, que foram já condenados por dirigentes políticos e do futebol espanhol.
A investigação "dos cânticos islamófobos e xenófobos no RCDE Stadium durante o jogo amigável Espanha-Egito" foi anunciada esta quarta-feira pela polícia da região da Catalunha na rede social X.
Os cânticos foram ouvidos no estádio várias vezes durante o jogo, um encontro de preparação para o Mundial2026, depois de ainda antes do início da partida ter havido assobios quando soava o hino do Egito.
Logo no final do jogo, que terminou com um empate sem golos, os cânticos foram condenados por jogadores e pelo treinador da seleção espanhola.
O governo regional da Catalunha criticou também a demora e fraca ativação dos protocolos antirracismo nos estádios de futebol.
"À medida que se sucediam os acontecimentos, senti muita indignação por ver que não se adotava nenhuma ação", disse o conselheiro do Desporto no governo regional da Catalunha (equivalente a ministro num governo nacional), Berni Álvarez, que assistiu ao jogo no estádio.
Berni Álvarez afirmou, em declarações a meios de comunicação social, que no intervalo do jogo se dirigiu aos responsáveis das federações espanhola e catalã de futebol para lhes exigir a ativação dos protocolos antirracismo.
Foi então que nos ecrãs do estádio se exibiu a mensagem: "A legislação para a prevenção da violência no desporto proíbe e sanciona a participação ativa em atos violentos, xenófobos, homófobos ou racistas".
Para Berni Álvarez e outros responsáveis políticos e desportivos citados e ouvidos hoje pela imprensa espanhola, esta foi porém uma reação tardia e insuficiente, com várias vozes a lembrar que os protocolos antirracismo preveem a interrupção dos jogos pelos árbitros.
O Governo espanhol, através de vários ministros, e outros dirigentes políticos, condenaram os cânticos ouvidos no estádio de Barcelona.
"Os insultos e cânticos racistas envergonham-nos como sociedade", escreveu o ministro da Presidência e Justiça, Félix Bolaños, na rede social X.
O selecionador de Espanha, Luis de la Fuente, expressou, no final do jogo, "total e absoluta repulsa por qualquer atitude racista, xenófoba e de falta de respeito" e considerou "intoleráveis" os cânticos insultuosos para os muçulmanos que ouviu no RCDE Stadium, onde atua habitualmente o Espanyol.
Luis de la Fuente sublinhou que, ainda assim, "a grande maioria do estádio vaiou os indivíduos indecentes que tiveram essa atitude".
"Temos todos de nos ajudar uns aos outros para que os cânticos racistas sejam erradicados dos campos de futebol", disse também o jogador espanhol Pedri, do FC Barcelona, no final do jogo.
Questionado sobre a reação de Lamine Yamal, jogador espanhol muçulmano, também do FC Barcelona, que abandonou o relvado assim que terminou o jogo sem saudar as bancadas ou outros futebolistas, Pedri respondeu que "obviamente nenhum jogador" da seleção de Espanha gostou de ouvir os cânticos.
Também o presidente da Real Federação Espanhola de Futebol (RFEF), Rafael Louzán, condenou os cânticos e os assobios ao hino do Egito, mas considerou que este foi "um incidente isolado que não deve voltar a acontecer".
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