Um Óscar para Di María

Nos primeiros minutos, um jogador trajado de encarnado agarra na bola, ainda bem dentro do seu meio-campo, arranca veloz, cria uma situação de ruptura na estrutura da equipa adversária e isola Cardozo, que ainda frio, falha na cara do suíço Benaglio.
03.09.07
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Um Óscar para Di María
Cardozo festeja com Petit e Maxi Pereira o seu primeiro golo com a camisola do Benfica em jogos oficiais Foto Duarte Sá/Reuters
Nas costas leva o número 20, mas Simão já não veste aquela camisola. Na ala-esquerda do ataque do Benfica está agora Di María e foi ele quem ontem apontou, com a sua velocidade, o caminho para a primeira vitória da águia na Liga, após duas tentativas frustadas. Como tantas vezes no passado fez o jogador que agora está no Atlético de Madrid. Pelo tempo fora, Di María mostrou detalhes que podem ser confirmados num futuro próximo.
Na vitória clara e segura do Benfica, houve finalmente intervenção decisiva dos reforços. Di María a jogar e a fazer jogar, Óscar Cardozo, apesar da falha inicial, na finalização, Maxi Pereira, após uma primeira parte ‘assustada’ a emergir para um segundo tempo prometedor. E sempre Rui Costa, autor de um golo fantástico.
O jogo da Madeira provou – mais uma vez –, que não existe melhor remédio para uma crise de resultados que uma vitória. O êxito conseguido a meio da semana pela Benfica na Dinamarca retirou pressão e acrescentou confiança a uma equipa que está, e estará por mais algumas semanas, à procura de identidade. Sabendo que ‘este’ Benfica ainda não está em condições de fazer voz grossa aos adversários, isto é, de ser uma equipa mandona, José António Camacho gere o momento com total pragmatismo. Joga Nuno Gomes mas não ao lado do ponta-de-lança’Cardozo. Antes funciona como quinta unidade de meio-campo que ajuda, nesse sector, a manter o conjunto mais coeso e, acima de tudo, a garantir segurança nas transições. Depois, quando a equipa se estica, quando Léo, pelo seu flanco, empurra o conjunto para a frente ou quando Di María mete velocidade no jogo, aí sim, Nuno Gomes avança. Assim chegou o Benfica a uma vitória clara e sem reparos. Como ainda não se vira esta época.
CAMACHO: "FOMOS MUITO SUPERIORES"
Ao terceiro jogo, José Antonio Camacho obteve a sua primeira vitória para o campeonato desde que regressou ao Benfica para ocupar o cargo de Fernando Santos. O técnico espanhol salientou a exibição encarnada. “Sou muito exigente. Gostei muito da segunda parte. Fomos muito superiores. O Benfica é muito grande e tem de jogar sempre com bola”, frisou Camacho, que ontem viu a equipa encarnada criar as oportunidades de golo que dizia faltarem: “Não fiquei surpreendido, quando temos a bola somos perigosos. Estamos a trabalhar e agora teremos dias tranquilos”.
Já Jokanovic era um técnico conformado com a derrota da sua equipa, que continua sem vencer na Liga. “A análise é simples. O Benfica foi mais forte do que nós. Tentámos, mas não conseguimos”. Rui Costa, autor do segundo golo do Benfica, realçou a importância do triunfo. “As vitórias trazem moral e mais confiança à equipa”, disse o número dez.
APONTAMENTOS
NOVA BANCADA
No jogo de ontem foi inaugurada a nova bancada do Estádio da Madeira, com capacidade para 2800 pessoas. Apesar de não ter sido lotada, esteve bem composta.
ESTREIA DE CARDOZO
O paraguaio Cardozo marcou ontem os primeiros dois golos oficiais ao serviço do Benfica. O 1-0 foi também o primeiro tento da época apontado por um avançado (Rui Costa e Katsouranis marcaram na UEFA e Petit fez o golo ante o Leixões).
EDCARLOS NO BANCO
Apesar de já contar com um central de raiz, o brasileiro Edcarlos, Camacho optou por deixar o ex-São Paulo no banco, voltando a apostar na dupla Katsouranis – Miguel Vítor.
POSITIVO
VELOCIDADE DE DI MARÍA
A velocidade de Di María criou desequilíbrios que se revelaram decisivos para a vitória do Benfica. A jogar na direcção da linha de fundo, mas acima de tudo das pontas para o meio, mas sempre de trás para a frente, o argentino assinou uma grande exibição.
NEGATIVO
NACIONAL MUITO MACIO
A equipa do Nacional mostrou ser muito macia a defender. Os seus jogadores raramente colocaram pressão sobre o portador da bola, limitando-se a uma marcação zonal que não se aconselha frente a equipas com jogadores que sabem mexer na bola. Foi assim que perderam o jogo.
ARBITRAGEM
SEM CASOS
Num jogo sem casos, Bruno Paixão fez o que sempre se pede a um árbitro; não inventou. O juiz de Setúbal gosta de acompanhar de perto os lances e isso foi fundamental para um bom juízo técnico e disciplinar do jogo. Em suma, uma boa prestação.
FICHA DO JOGO
Local:
Estádio da Madeira, na Choupana ( 5 000 espectadores)
Árbitro: Bruno Paixão (Setúbal
Nacional: Benaglio, Patacas, Ávalos, Ricardo Fernández, Alonso, Cléber, Bruno Amaro (Zé Vítor, 46m), Juliano, Fellype Gabriel, Edu Sales (Casio, 46m), Lipatin (Ricardo Pateiro, 74m).
Treinador: Jokanovic
Benfica: Quim, Luís Filipe, Miguel Vítor, Katsouranis, Léo, Petit, Rui Costa, Maxi Pereira, Di Maria (Romeu Ribeiro, 84m), Nuno Gomes (Cristian Rodríguez, 63m), Cardozo.
Treinador: José António Camacho
Marcador: 0-1, Cardozo (18m), 0-2, Rui Costa (69m),
0-3, Cardozo (77m)
Acção disciplinar: Amarelos: Cléber (24m), Miguel Vítor (58m), Katsouranis
(62m), Benaglio (76m), Romeu Ribeiro (90 2m)
Melhor jogador: Di Maria

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