As principais figuras da prova que começa esta sexta-feira.
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A 79ª edição da Volta a Portugal arranca esta sexta-feira, dia 4 de agosto, e dura até ao dia 15. Conheça as principais figuras do pelotão, que vai percorrer 1.626,9 quilómetros, de Lisboa a Viseu.
Gustavo Veloso, Esp (W52-FC Porto, Por): Embora seja Rui Vinhas a partir com o dorsal número 1, é o galego, de 37 anos, o grande favorito. Vencedor em 2014 e 2015, Gustavo Veloso fez questão de demonstrar que, apesar do seu segundo lugar na classificação final da edição transata, era ele quem deveria estar no lugar mais alto do pódio em Lisboa - fê-lo com vitórias (na Senhora da Graça, na Guarda e no 'crono') e com palavras.
Insatisfeito com o estatuto de 'vice' a que foi votado em 2016, disse desde o início da temporada, discreta como todas as anteriores até ao pico do verão, que era ele o plano A dos 'dragões' para a Volta a Portugal, onde parece ganhar, ano após ano, uma aura de omnipresença em todas a tiradas.
Especialista em contrarrelógio, é um corredor polivalente, capaz de subir com os melhores -- ganhou na Torre em 2013 - e dono de uma visão de corrida invejável, características que lhe valeram resultados de revelo nos seus anos dourados na Xacobeo Galicia: venceu a Volta à Catalunha e foi 29.º na Vuelta, em 2008, ganhando aí uma etapa no ano seguinte.
Alejandro Marque, Esp (Sporting-Tavira, Por): Até 2013, o galego dizia-se contrarrelogista (e dos bons, como atesta o terceiro lugar nos Campeonatos de Espanha em 2012), excluindo-se da luta pela geral. Mas, nesse ano, Alejandro Marque descobriu que em si havia também um potencial trepador e, consequentemente, um vencedor da Volta a Portugal.
Depois de uma temporada para esquecer - foi despedido pela Movistar, esteve meses sem correr até ser ilibado de um controlo antidoping positivo por betametasona, uma substância que usou com fins terapêuticos -, o ciclista de 35 anos regressou ao país onde foi mais feliz para retomar o seu percurso onde parou, sendo terceiro, 'in extremis', na edição de 2015.
No ano passado, apostou tudo na Volta a Portugal, mas sem uma equipa que o sustentasse e com peso a menos para fazer a diferença no contrarrelógio, trocou as aspirações na geral pelo papel de supercombativo. Esta é a edição do tudo ou nada para 'Alex', que depois de um início de temporada em grande (foi 13.º nas voltas ao Algarve e Alentejo), terá de provar se o seu lugar ainda é no pódio da prova rainha do calendário nacional.
Rui Sousa, Por (RP-Boavista, Por): No seu ano de despedida do pelotão nacional, o veterano de Barroselas procura melhorar os lugares no pódio que acumulou ao longo da sua carreira (foi segundo em 2014 e terceiro em 2013, 2012, 2011 e 2002).
Aos 41 anos, e apesar de não ter a vitalidade física de outros tempos, este apaixonado por aves agarra-se ao seu espírito combativo e ao bom ambiente que reina na RP-Boavista para sonhar com a amarela que sempre lhe fugiu. Não será fácil, até porque na sua última participação na Volta a Portugal ficou bem distante do pódio (foi nono).
Dedicado ao papel de presidente de junta durante grande parte da temporada, o duplo vencedor da classificação da montanha (2008 e 2012) e eterno favorito dos portugueses tem como cartão de visita desta época a vitória na montanha do Grande Prémio Internacional Beiras e Serra da Estrela.
Sérgio Paulinho, Por (Efapel, Por): Há menos de um ano, o medalha de prata de Atenas2004 era um dos mais fiéis escudeiros de Alberto Contador, um confortável e consolidado 'burguês' do WorldTour. Hoje, Sérgio Paulinho é a principal esperança da Efapel de vestir a amarela em Viseu.
Os meses passaram e com eles o choque de ver um consagrado vencedor de etapas em grandes Voltas (Tour2010 e Vuelta2006) regressar a Portugal, após 12 temporadas entre a elite internacional, para se assumir como candidato ao triunfo na prova rainha do calendário nacional.
Mas não se pode dizer que o ciclista de 37 anos não se tenha adaptado bem ao seu novo papel: conquistou o bronze no contrarrelógio dos campeonatos nacionais e foi sétimo no Troféu Joaquim Agostinho, já depois de se ter exibido nas clássicas primaveris portuguesas.
Vicente García de Mateos, Esp (Louletano-Hospital de Loulé): Até ao ano passado, o espanhol era mais conhecido pelos seus dotes de 'pugilista' -- foi expulso depois de se envolver numa troca de murros com Enrico Rossi, no final da sexta etapa da Volta a Portugal de 2014 - do que pelas suas aptidões para lutar pela geral.
Mas a metamorfose de Vicente García de Mateos foi de tal maneira brutal que o ex-sprinter acompanhou os melhores a subir, no prólogo e até venceu uma etapa em fuga, precisamente em Viseu, terminando na oitava posição da geral.
Este ano, o especialista em pista, de 28 anos, completou a sua transformação, conquistando a dura Clássica Aldeias do Xisto e acumulando lugares de honra no importante Trofeo Serra de Tramuntana ou na Clássica da Arrábida.
Edgar Pinto, Por (LA Alumínios-Metalusa-Blackjack): Em 2013, quando Hugo Sabido fraquejou, o miúdo de Albergaria-a-Velha respondeu presente, assumiu a liderança da sua equipa e foi quarto na geral final, dando muita luta.
Eternamente perseguido pelas quedas, o azarado Edgar Pinto despediu-se momentaneamente do pelotão nacional, com um quinto lugar na Volta a Portugal, antes de rumar aos Emirados Árabes Unidos, onde representou, com sucesso moderado, a Skydive Dubai.
Com a extinção da formação, voltou a casa para abraçar, como líder, a nova equipa da sua cidade, conseguindo, logo no arranque da temporada, um honroso décimo posto na Volta ao Algarve. Resta saber se a queda que sofreu no Grande Prémio Internacional Beiras e Serra da Estrela e que o manteve afastado das estradas durante algumas semanas não terá deixado sequelas difíceis de ultrapassar em 11 dias de competição.
Raúl Alarcón, Esp (W52-FC Porto): O percurso surpreendente do alicantino, de 31 anos, começou no topo, numa Saunier-Duval recheada de nomes grandes do pelotão internacional (2007), e levou-o a percorrer quase todas as equipas nacionais até encontrar um porto de abrigo na W52-FC Porto.
De dispensável no Louletano a terceiro classificado da Volta a Portugal (caso se confirme o positivo de Daniel Silva) passaram apenas duas temporadas, com o portento espanhol, anteriormente mais voltado para as chegadas rápidas, a revelar-se uma máquina de trabalho e também um promissor contrarrelogista (foi segundo atrás de Veloso no ano passado).
Mas o melhor ainda estava para vir: esta época Raúl Alarcón explodiu, vencendo a Volta às Astúrias à frente do colosso Nairo Quintana, uma etapa na Volta a Madrid, onde foi segundo, e outra no GP Beiras, onde foi quarto. É ele e não Rui Vinhas que Gustavo Veloso deverá temer, em caso de 'guerrilha' interna.
Rinaldo Nocentini, Ita (Sporting-Tavira, Por): Aos 39 anos, o italiano que até já andou de amarelo no Tour e que foi segundo no Paris-Nice em 2008 continua a dar luta aos mais novos, tendo mesmo conseguido pôr um ponto final a uma seca de sete anos sem vitórias na primeira etapa da Volta ao Alentejo.
Carismático e muito popular entre os adeptos 'leoninos', Rinaldo Nocentini é sempre uma garantia de espetáculo, como ficou provado no ano passado, quando andou na luta por etapas na Volta a Portugal, depois de ter acusado uma sobrecarga competitiva como líder único do Sporting-Tavira.
Com uma equipa mais forte a rodeá-lo, e com a relação com Marque a ser mais do que boa, o italiano poderá ser uma séria ameaça ao reinado da W52-FC Porto, como atestam o seu segundo lugar no Troféu Joaquim Agostinho, na Clássica Aldeias do Xisto e na Volta ao Alentejo, o terceiro (a subir) nos Nacionais de estrada e o nono na Volta ao Algarve.
João Benta, Por (RP-Boavista, Por): Apesar de ainda não se ter conseguido afirmar como um sério candidato ao pódio da Volta a Portugal, o ciclista de Esposende é um daqueles que não se pode excluir da lista de favoritos, sobretudo depois de ter sido quarto no Troféu Joaquim Agostinho e na Volta às Astúrias e sexto no GP Beiras.
Raçudo e persistente, João Benta, de 30 anos, pode ser um sério pretendente ao trono de líder dos boavisteiros.
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