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Correio da Manhã

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O cunho de Luís Horta na antidopagem do Rio2016

Luís Horta foi para o Brasil para assumir o papel de Consultor Internacional contratado pela UNESCO para a ABCD.
22 de Março de 2015 às 09:38
O antigo presidente da Autoridade Antidopagem de Portugal Luís Horta
O antigo presidente da Autoridade Antidopagem de Portugal Luís Horta FOTO: Paulo Calado

Luís Horta levou para o Brasil a experiência na Autoridade Antidopagem de Portugal (ADoP) e assumiu a missão de ajudar a Autoridade Brasileira de Controlo de Dopagem (ABCD) a estar preparada para os Jogos Olímpicos do Rio2016.

Depois de cinco anos como Presidente da ADoP, Luís Horta fez as malas e rumou ao Brasil para assumir, em setembro de 2014, o papel de Consultor Internacional contratado pela UNESCO para a ABCD, a agência que vai auxiliar o Comité Olímpico Internacional (COI) e o Comité Paralímpico Internacional (IPC) na realização dos controlos antidoping nos Jogos Olímpicos de 2016.

"O primeiro problema que aqui encontrei foi a dimensão do país. É um país que é um continente, o que torna tudo mais complexo. Imagine o que é transportar as amostras num país deste tamanho, organizar todo o programa nacional antidopagem para que possamos testar atletas em todos os estados brasileiros, de norte a sul. Essa foi a grande diferença", começou por relatar, ao telefone, desde Brasília.

Sem tradição na antidopagem, os brasileiros confiaram naquele que foi o presidente da Comissão de Laboratórios da Agência Mundial Antidopagem de 2005 a 2009 para orientar a ABDC, uma organização "muito nova", que praticamente começou a trabalhar em pleno no início do ano passado, e que foi beber inspiração à AdoP, mas também à Agência norte-americana antidopagem (USADA).

"Aquilo que nós estamos a fazer é ajudar a Rio2016 a ter tudo aquilo que é necessário para que os controlos que forem pedidos pelos comités sejam realizados. Por exemplo, para a realização dos controlos são necessários oficiais de controlo de dopagem, escoltas, oficiais de recolha de sangue. Nós estamos, neste momento, em plena fase de formação e certificação desses profissionais para que eles possam atuar durante os Jogos Olímpicos e Paralímpicos", revelou à Lusa, indicando que, embora o número final ainda não esteja acordado com COI e IPC, deverão ser 200 os oficiais de dopagem e 60 os de recolha de sangue destacados pela ABCD para as competições.

Luís Horta é praticamente omnipresente na antidopagem brasileira. "Tudo o que se passa aqui, nas mais diversas áreas, eu toco. Como é lógico, um contributo importante da minha parte é na formação. Fui responsável pela formação dos oficiais de recolha de sangue. Contribui também para a formação dos oficiais de controlo de dopagem, parte urinária essencialmente", esclareceu.

O antigo presidente da AdoP abraçou também a responsabilidade de criar um manual de procedimentos do controlo de dopagem, ou seja, um guia, baseado no Código Mundial Antidopagem, com todas as regras e instruções que os profissionais antidopagem devem seguir. Mas, o trabalho de Luís Horta e da ABCD sairá ainda mais fortalecido caso o Laboratório Brasileiro de Controlo de Dopagem recupere a acreditação que perdeu em 2013.

"Felizmente que o processo de reacreditação está a correr muito bem. Na semana passada, aconteceu a auditoria final, isto é, o laboratório recebeu quatro auditores da Agência Mundial Antidopagem (AMA) e teve de analisar na presença desses auditores 20 amostras, num espaço muito curto de tempo. Se essa auditoria final correr muito bem, o laboratório estará em condições de a sua reacreditação acontecer na próxima reunião da Comissão Executiva da AMA, que vai acontecer a 12 de maio", explicou.

Para o consultor português, a recuperação da acreditação não é importante, mas crucial, com vista aos Jogos Olímpicos, que vão decorrer no Rio de Janeiro, entre 05 e 21 de agosto de 2016.

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