Portugal e China num encontro de culturas
Academia da Marinha, em Lisboa, prepara simpósio a propósito dos 500 anos da chegada dos navios portugueses aos mares da China
Celebrar os 500 anos da chegada dos portugueses à China, retirando ensinamentos da história e um olhar de continuidade, é o mote do desafio lançado pela Academia da Marinha. Na linha do seu propósito de investigação e divulgação, em que todos os anos promove eventos de cariz cultural, a Academia prepara um simpósio subordinado ao tema ‘Nos Mares da China. A propósito da chegada de Jorge Álvares, em 1513’, ao mesmo tempo que lança o repto a estudiosos e investigadores, nacionais e estrangeiros, para a apresentação de comunicações.
Os trabalhos devem versar os subtemas ‘As Primeiras Viagens’, ‘Estabelecimento e Comércio’ e ‘Caminhos do Presente e do Futuro’ e devem ser apresentados até dia 1 de julho.
RELAÇÕES ENTRE POVOS
Criada com o objetivo de divulgar ensinamentos e promover o debate intelectual, a Academia da Marinha é um órgão cultural, com autonomia científica, que "estuda a história marítima, e as artes, letras e ciências ligadas ao mar", explica o almirante Nuno Vieira Matias, presidente da academia que todos os anos dedica eventos à cultura do mar.
"Este ano, aproveitámos a ideia dos 500 anos da chegada de Jorge Álvares à China, em que se assistiu a um encontro de culturas, a portuguesa e a chinesa, para elaborar este programa", explica. "Sobretudo, queremos tentar que as pessoas raciocinem sobre o valor e a importância, que penso ser um privilégio português, de termos sido dos primeiros europeus a chegar àquele lado do Mundo", frisa o almirante.
O simpósio está agendado para outubro e aberto a oradores dos quatro cantos do Mundo. "A investigação", adianta o presidente da Academia da Marinha, "cada um fará da maneira que entender, tendo em conta o que adveio depois da conquista de Goa e Malaca, da chegada do comércio do Japão, etc. Os portugueses estabeleceram-se por ali, criaram contacto com o território, numa época em que não existia a China estado, mas grandes senhores num território cobiçado pela pirataria".
HISTÓRIA PELOS MARES
Estudioso entusiasta da viagem dos portugueses pelo mar, o almirante Nuno Matias adianta que "este encontro de culturas" ajudou a formar o que somos como país. Nós, portugueses, "recebemos ali uma rede de influência também graças à nossa maneira única de ser, pois temos capacidade de nos relacionar amigavelmente com todos os povos, em todos os locais onde cheguemos", adianta.
O almirante lembra que "quando nos foi concedida a vantagem de Macau, deu-se um passo para o estabelecimento de comércio, juntamente com as facilidades que tínhamos noutro locais do Oriente".
Além da importância do comércio, de que se destacam as riquíssimas porcelanas da China, com peças da dinastia Ming, que marcaram essa troca comercial, esta data dos 500 anos da chegada aos mares da China assinala "um encontro de civilizações, que permitiu aos portugueses estabelecer contacto com uma cultura riquíssima, em termos culturais e até estratégicos", frisa o almirante Nuno Vieira Matias, dando como exemplo o célebre tratado ‘A Arte da Guerra’, de Sun Tzu.
O desafio da Academia da Marinha é claro. "A nossa intenção é levar as pessoas a apresentarem trabalhos em que possam também tirar partido da mais-valia que é essa antiga relação amigável que mantemos com a China", frisa. Os interessados podem contactar a Academia da Marinha ou consultar o site www.marinha.pt. São aceites participações diversas, tendo sido estabelecido contacto com universidades, institutos e academias com vista a "estimular a investigação sobre estas questões históricas" e, até, internacionalizar a compreensão da história marítima portuguesa.
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