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Adalberto Campos Fernandes: À terceira foi de vez

Demorou a chegar a ministro da Saúde, mas agora dá provas de capacidade de trabalho e de mau feitio.

30 de abril de 2017 às 12:02

Esteve na fila para entrar no Ministério. Na vaga deixada por Correia de Campos, diz-se que era certinho que Sócrates lhe iria ligar. A seguir, o antigo director-geral dos Impostos ultrapassou-o pela direita. Seria como no ditado: à terceira. Bateu palmas a António José Seguro e integra o séquito de António Costa. Não fosse a fama da sua capacidade de trabalho se propagar tão rapidamente como o sarampo, o sapo não teria sido engolido.

Não brinquemos; o ministro da Saúde faz concorrência acérrima ao Presidente da República. Despede-se cedo da cama, deita-se tarde e envia mensagens escritas a horas do segundo sono. Trabalhador infatigável. Eis a característica que arrasta unanimidade entre os ângulos políticos. As opiniões também convergem num rol de detalhes. Tem mau feitio, é de ideias fortes, determinado, teimoso, impaciente, obstinado, ou casmurro, se preferimos ser, como Adalberto Campos Fernandes, diretos no assunto. Outro pormenor, a não esquecer, está na vaidade. Gosta muito que gostem muito dele.

O responsável de uma pasta sempre no centro das manchetes é um doutor em Medicina que não seguiu a carreira hospitalar comum, desconhece bancos e consultas pesadas, e, prossegue uma colega de curso, "rapidamente foi trabalhar para a Medis". Assim que Paulo Macedo assumiu as rédeas da seguradora, Campos Fernandes, que era director do departamento médico, passou a sofrer da síndrome que afligiu tantos que por lá andavam: irritava-se com frequência. A irritação vinha em espiral; o picuinhas Macedo irritava os seus colaboradores, e estes, por sua vez, irritavam-se com as secretárias.

Distância dos colegas

O não ter vivido a rotina tradicional de um seguidor de Hipócrates, aos olhos de um reputado clínico, "parece que não lhe deu muita compreensão sobre os problemas no terreno". O terreno difere e pode ser espreitado na tese de doutoramento: ‘A Combinação Público-privado em Saúde: Impacto no Desempenho no Sistema e nos Resultados em Saúde no Contexto Português’. Mas não nos precipitemos em relação a um defensor do Serviço Nacional de Saúde: a sua convicção assenta que os prestadores privados não cuidam melhor do que no público.

Doente pelo Benfica, oriundo da pequena burguesia, casado com uma enfermeira de quem tem três filhas, quando esteve no topo da administração do Hospital de Santa Maria, jura um oftalmologista, mantinha diálogo com a classe médica e parecia impermeável a compadrio. Nesse tempo, recebeu ameaças de morte e a família teve segurança durante uns meses. A ida para o Governo ter-lhe-á dado distância dos colegas e, até, algum antagonismo e arrogância. Nascido em Lisboa a 25 de Setembro de 1958 e a residir na linha do Estoril, o seu sentido de humor, dizem, arranca gargalhadas a pessoas poupadas no riso, como, por exemplo, o professor Cavaco.    

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