Fantasia medieval para adultos, a partir dos livros de George R. R. Martin, esta série da americana HBO tem uma fiel legião de fãs
A Guerra dos Tronos é uma das mais populares séries televisivas de sempre. Não vale a pena tentar explicar o enredo, tal é a sua complexidade, mas, resumidamente, trata-se de sete famílias que competem por um trono, num mundo de lobos, dragões, zombies, espadas e punhais, decapitações e estropiamentos variados, massacres, nudez, sexo. A coisa é parte shakespeariana, Tolkien reciclado, rei Artur com Grécia antiga reinventada, cruzadas, os Tudor, os Bórgias, Henrique VIII, episódios da história desde Constantinopla aos mongóis, passando pela Guerra das rosas. E é exaustiva nos detalhes, guarda-roupa, comida, cenários. Os heróis são um anão, um filho ilegítimo e uma miúda valente.
Herdeira
Enfim, A Guerra dos Tronos tinha tudo para falhar, ambição desmedida e uma misturada que só podia gerar confusão, mas funciona - renascença e lendas nórdicas fundem-se harmoniosamente. Qual a chave do sucesso? Primeiro, os atores são bons e a produção irrepreensível. Depois, tal como se verifica na saga de livros que lhe deu origem, sucedem episódios que quebram as habituais regras de guião como, por exemplo, não haver uma distinção clara entre o bem e mal ou morrerem as personagens favoritas dos espectadores que, diga-se, são personalidades bem caracterizadas, tal como os lugares que habitam que latejam sempre com o seu passado. Além disso, a intriga política e psicológica é intricada a ponto de haver quem lhe chame os Sopranos da Idade Média. Mas o coração do seu sucesso parece residir, sobretudo, no realismo e fantasia em doses certas.
Este último género, que tem vivido um ressurgimento através dos Senhores dos Anéis ou de Harry Potter, mesmo assim afasta muitos espectadores. Nomeadamente, a assistência que não gosta de realidades paralelas e que até pode suportar a ficção científica que cria mundos que não existem mas que podem vir a existir, mas tolera mal gnomos, magias e afins que nunca deram prova de vida e nunca darão. Acontece que em A Guerra dos Tronos o supernatural é discreto, existe tal como existem os elementos da natureza. Antes anão que duende. É na carne e osso que está o miolo. O realismo, a sede pelo poder e as selvajarias de que a humanidade é capaz para o obter, as traições, a vingança, o ódio, são o motor da intriga. A Guerra dos Tronos é misógina e racista, grossa, cruel e despudorada e não são meia dúzia de zombies ou uma crença em divindades que ameaçam a pulsão para violar ou degolar. É nesta ambiguidade moral dos homens de todas as épocas e cenários, evitando os habituais clichés, que a série vinga. O fantástico só lá está para tornar mais suportável assistir à intemporal barbárie humana. D
RESUMO:
Série de televisão americana criada por David Benioff e D. B. Weiss para a HBO, baseada nos livros de George R. R. Martin. Esta fantasia medieval para adultos
é filmada na Irlanda do Norte, Malta, Croácia e Islândia.
Produção: HBOExibição em portugal: Syfy
Cinema
Filmes com protagonistas seniores
Só nos últimos tempos: ‘Exótico Hotel Marigold’, ‘Quarteto’ e ‘Rugas’. Já para não falar na versão de autor (‘O Amor’) ou na de ação (‘Red’). No século XX, o mercado inventou os ado-lescentes. Agora a fatia que cresce (e que ainda tem rendimentos) é outra. Eis o cisma grisalho.
Títulos: ‘Exótico Hotel Marigold’, ‘Quarteto’, ‘Rugas’Disponíveis em dvd
Livro
‘Europa Líquida’ e ‘A Europa Alemã’
‘Europa Líquida’, de Zygmunt Bauman (Edição da Nova Delphi), e ‘A Europa Alemã’, de Ulrich Beck (Edições 70), são dois pequeninos livros importantes para entender a atual deriva insana e suicidária do velhíssimo continente.
Título ‘Europa líquida’Resumo: Entrevistas a Zygmunt Bauman publicadas em Itália
Título ‘Europa Alemã’
Resumo: Livro de Ulrich Beck, um dos grandes sociólogos da atualidade
Música
Gal Costa
Gal Costa regressa a Portugal (dia 9 de julho em Lisboa, 10 no Porto). O CD ganhou vários prémios e foi nomeado para o Grammy latino. O concerto, dirigido por Caetano Veloso, arrebatou o troféu Multishow e o do Globo. A mistura de êxitos e inéditos está no ponto. Tal como todo o Brasil.
Coliseu dos recreios - bilhetes 40/60 euros;
+ info: coliseulisboa.com
Porto,
Coliseu do Porto - bilhetes 25/55 euros;
+ info coliseudoporto.pt
Fugir de
‘Hyde Park em Hudson’
Já se sabe, quando os americanos tentam fazer cinema à inglesa, a coisa azeda. Sobra o ligeirismo dos primeiros e o enfado dos segundos. É como a velha anedota em que o britânico, depois de ser apresentado aos arranhas-céus estado-unidenses, contrapõe o relvado inglês. Acrescentando:
demora quinhentos anos a crescer.
De: Roger Michell em exibição nos cinemas
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