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A moda anda mais amiga do ambiente

Pode usar xadrez ou camisas com laços, mas só estará na moda se consumir de forma consciente.

20 de outubro de 2019 às 09:00

O Outono bateu à porta e as roupas leves já pedem um lugar na gaveta até ao próximo estio. É por isso tempo de renovar e reutilizar o guarda-roupa, de preferência de acordo com as novas tendências escolhidas pelos criadores de moda, muitas vezes com o condão de conferir ‘ar de novo’ ao velho. A Domingo pediu à ‘personal stylist’ e consultora de moda Diana Pimentel algumas dicas sobre o que se vai usar nos meses mais frios e conselhos sobre a melhor forma de voltar às peças que andam esquecidas pelo baú lá de casa…

"Isto é muito importante. A principal tendência de 2019 e dos próximos anos é, acima de qualquer outra coisa, o ‘consumo consciente’. Quem gosta de moda sabe que isso não nos impede de continuar a gostar de roupa ou de estar atualizado em termos de estilo, apenas significa que cada compra é pensada e refletida segundo o impacto que terá no nosso planeta, no meio ambiente e, claro, na sociedade. Esta preocupação tem estado presente em todas as coleções, nas redes sociais e, claro, nas pessoas, com a mensagem #thereisnoplanB", avisa Diana Pimentel, também autora do blogue fashionafter30’s.

Não esqueçamos que, mais do que estilo, a moda é atitude. Portanto, quem quer estar realmente na moda tem de ter preocupações com a problemática do aquecimento global e pautar por elas as suas escolhas.

Tendências

Uma peça que representa uma das mais fortes tendências desta estação e que se adequa a vários estilos é a capa: "Uma alternativa aos abrigos tradicionais, que traz uma variante para a nossa silhueta. A capa esteve presente na maioria das coleções e podemos encontrar opções para todos os gostos e tipos de corpo. Com franjas, lisas, curtas, compridas, em xadrez ou de riscas, não vai ser difícil encontrar um modelo ao nosso gosto", garante.

Mas se o assunto é elegância, nada supera um ‘look’ de inverno em branco total. "Desde o branco puro, ao cru, passando pelos os tons creme, o branco é para usar a solo ou misturado com outras cores. Nesta estação fria os nossos roupeiros enchem-se de luz", confere.

Todavia, e porque nem todos somos fãs de branco no inverno, os designers brindaram-nos com "uma chuva de tons supervitaminados, como o rosa-choque, o turquesa, o vermelho e o amarelo". Para além da exuberância das cores, também as formas se ampliam nas novas propostas: "Os casacos tornam-se ‘oversize’, as golas gigantes, as calças palacianas e os ombros alargam", ilustra Diana Pimentel.

As peles assumem um grande protagonismo neste outono e podem ser usadas "em ‘looks’ totais de cabedal suave e nas mais diversas cores, para fugir ao preto habitual: blusões, camisas, calças, vestidos e tops que, sem dúvida, trazem mais glamour ao visual", sugere a consultora.

"O xadrez é quase sempre uma tendência imprescindível no guarda-roupa de inverno, tanto que me atrevo a dizer que nunca está ‘out’, seja qual for a ocasião. Pode e deve ser misturado com outras peças. Em 2019, os padrões ‘tartan’ também não passam despercebidos, em tamanho e cores chamativas, e revelam-se perfeitos para usar ao fim de semana em camisas e casacos XL, integrados em visuais bem descontraídos", diz Diana Pimentel.

Para quem é adepto de um estilo mais casual e desportivo, Diana sugere a nova tendência ‘utilitária’. "Isto significa peças com detalhes inspirados nos fatos de trabalho, como bolsos múltiplos e grandes, coletes curtos ou compridos, fechos, bermudas e fatos de macaco (‘boiler suits’). Trata-se de uma tendência muito prática e irreverente, ideal para situações informais", avisa.

Universo masculino

Em ambientes formais, um guarda-roupa clássico é sempre o mais indicado para o homem: "Um fato escuro ou blazer, um par de calças clássicas, várias camisas em tons claros e um par de sapatos tipo ‘loafer’ ou de atacadores são essenciais em qualquer guarda-roupa de trabalho."

A esta base intemporal juntam-se alguns acessórios tipicamente masculinos, mas que completam bem qualquer guarda-roupa, mesmo de estilo mais clássico: "Cintos, gravatas, cachecol, relógio e óculos de sol, onde é possível então comunicar um cunho mais pessoal", explica a especialista em moda.

Os casacos de rua também são cada vez mais um elemento diferenciador e estão entre as peças que mais vezes vão sair do roupeiro, sobretudo nos dias mais frescos e húmidos que se aproximam. "Por isso, invista em materiais de qualidade e cortes clássicos, como a lã e a caxemira e em cores neutras como o cinza, bege, azul-marinho ou camel", aconselha.

Nestas coisas da moda, o segredo para estar ‘in’ sem fugir do clássico está na mistura de texturas e padrões: "Avance sem medos. Combine lã, ganga, xadrez, riscas e pele. Pequenos detalhes no design e acessórios são fundamentais para criar o seu estilo pessoal!"

Mas no universo masculino também há dias de folga e pausas descontraídas e, por isso, também o estilo casual, ideal para quem gosta e pode usar um visual mais relaxado no dia a dia, evidencia novas tendências.

"Blusões impermeáveis, parkas, ‘sweatshirts’, camisas xadrez e calças ‘baggy’ (com folga)" são algumas das peças que caracterizam esta tendência também no que diz respeito ao guarda-roupa para homem.

No caso deles, o toque pessoal e as as misturas também são permitidas e podem ser mais coloridas: verde, vermelho, vinho, azulão, camel e verde-tropa são a mais sugeridas. "O truque é manter uma base de peças neutras e arriscar num elemento colorido", explica.

Com os ditames dos criadores em mente, agora é preciso, acima de tudo, abrir o roupeiro, esconder o que não interessa e tirar cá para fora tudo o que se vai usar de novo. E ir às compras, com a humildade de quem quer minimizar seu impacto no planeta.

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